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Carta Grãos e Agricultura - Trigo - A leitura rápida é que a safra será menor

Da produção nacional às importações.


Foto: Shutterstock

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Semeadura da safra 2026

Até 12 de junho, a semeadura do trigo na safra 2026 já alcançava 59,5% da área prevista no Brasil. O avanço estava concluído em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, e Goiás. No Paraná, a semeadura chegava a 78,0%, na Bahia a 60,0%, no Rio Grande do Sul a 36,0% e em Santa Catarina a 7,3% (Conab).

A expectativa de ocupação é de 2,117 milhões de hectares, queda de 13,4% em relação ao ciclo anterior. A produção está estimada em 6,296 milhões de toneladas, retração de 20,0%, com produtividade média prevista em 2.974 kg/ha, queda de 7,6%.

A redução da produção decorre da menor área semeada no Paraná e no Rio Grande do Sul.

A leitura rápida é que a safra é menor. O trigo perdeu atratividade frente a alternativas de culturas de inverno, com produtores reduzindo área, tecnologia aplicada e, em alguns casos, usando sementes próprias.

No Rio Grande do Sul, a semeadura está no período ideal, mas houve interrupções pontuais por causa da baixa umidade. No Paraná, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Em Santa Catarina, a semeadura avança no Oeste, favorecido por boa umidade e temperaturas amenas.

Em São Paulo, as lavouras sentem a falta de chuva, enquanto em Mato Grosso do Sul, as condições estão favoráveis.

Figura 1.
Área cultivada, em milhões de hectares, produtividade, em toneladas por hectare e produção, em milhões de toneladas, das safras de 2019/20 até a estimativa para 2025/26.
imagem
*estimativa Conab até junho
Fonte: Conab | Elaboração: Scot Consultoria

Expectativas para a safra 2027

A expectativa para a produção na safra 2027 é de queda, no Brasil e no mundo.

A produção mundial deverá diminuir em 24,8 milhões de toneladas, ou 2,8%, caindo de 843,8 para 820,1 milhões de toneladas (USDA).

No fechamento de junho, o USDA revisou para cima as estimativas de produção de Rússia, Turquia e Ucrânia, que juntas adicionaram cerca de 4,0 milhões de toneladas. Esse aumento, porém, foi parcialmente compensado por revisões negativas em países como Estados Unidos, México, Austrália e Paquistão.

No Brasil, as projeções também apontam redução na oferta, influenciada principalmente pela diminuição da área plantada e pelo menor rendimento das lavouras.

A produção brasileira está estimada em 6,7 milhões de toneladas (USDA), redução de 1,2% ante a safra 2026. A exportação está estimada em 2,0 milhões de toneladas e a importação em 7,2 milhões de toneladas (USDA).

O consumo global está estimado em 824,6 milhões de toneladas, praticamente estável.

Produção nacional e importação

Em 2025, a importação foi recorde, perfazendo 6,9 milhões de toneladas. A origem foi a Argentina, que representou 78,8% da importação, seguida por Uruguai (11,0%), Paraguai (7,3%), EUA (2,0%) e Canadá (0,8%).

Os estados que mais importaram foram SP (19,3%), CE (14,2%), PR (12,7%), BA (11,0%) e PE (10,2). As despesas com a importação foram de US$1,6 bilhão.

Figura 2.
Importação e produção, em milhões de toneladas, de 2020 a 2026*.imagem
*estimativa de produção da Conab | estimativa de importação do USDA
Fonte: Conab e Secex | Elaboração: Scot Consultoria

A produção nacional é insuficiente para atender o consumo doméstico. Em 2025, foram cerca de 13,3 milhões de toneladas consumidas, 0,2% maior que em 2024.

No primeiro semestre de 2026 a importação foi 2,8 milhões de toneladas, 0,8 milhões a menos que no primeiro semestre de 2025. Esse volume corresponde a 38,9% da estimativa de importação para o ano.

Figura 3.
Importação de trigo, em milhões de toneladas, de janeiro a junho de 2020 a 2026.imagem
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria

Técnicas de Produção

A semeadura é majoritariamente feita em Plantio Direto (PD), cuja taxa de adoção está em torno de 90,0% nas principais regiões do Paraná e Rio Grande do Sul. Está assim desde os anos 2000.

A adoção de cultivares com genética melhorada, com tecnologia adquirida principalmente da Embrapa, antiga Coodetec e Biotrigo, entre outras empresas.

O melhoramento genético tem avançado principalmente para a resistência contra a giberela (Fusarium graminearum) e à brusone (Magnaporthe oryzae Triticum), as duas doenças mais destrutivas na produção de trigo.

Contudo, a adoção da agricultura de precisão ainda está tímida, em comparação com a soja e o milho.

Há, no entanto, por exemplo, fazendas onde o trigo é irrigado. No Cerrado cresce como cultura de safrinha de alta tecnologia, com uso de pivô central e monitoramento por drones.

Moagem 2025

Em 2025, a moagem foi de 13,3 milhões de toneladas (Abitrigo).

O Paraná liderou, com 36 empresas e 17 plantas moageiras, sendo responsável por 30,0% do processamento, com a moagem de 3,9 milhões de toneladas.

A região Norte e Nordeste ficaram com a segunda posição, com participação de 26,0% e 3,5 milhões de toneladas moídas, com nove empresas e 20 plantas.

O Rio Grande do Sul ocupou o terceiro lugar, com 15,0% de participação, processando 2,0 milhões de toneladas, com 24 empresas e 31 plantas.

Em seguida, São Paulo ocupou a quarta posição, com 10 empresas e 13 plantas moageiras, com 13,0% de participação e 1,7 milhão de toneladas.

Centro-Oeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, somaram 12,0% na participação, com 1,5 milhão de toneladas, com 11 empresas e 17 plantas.

Por fim, Santa Catarina, com 4,0% de participação na moagem e 577,6 mil toneladas, possuindo 15 empresas e 15 plantas moageiras.

No Brasil, em relação à 2024, a moagem em 2025 aumentou 76,2 mil toneladas, ou 0,6%, com um total de 105 empresas e 140 plantas moageiras.

Figura 4.
Moagem de trigo, em milhões de toneladas, por região, de 2021 a 2025.imagem
Fonte: Abitrigo | Elaboração: Scot Consultoria

Considerando o volume moído e a população brasileira estimada em 2025, a disponibilidade interna per capita de trigo chegaria a 62,3 kg por pessoa, incluindo o consumo indireto por meio de produtos manufaturados.

O consumo está concentrado nas regiões Sul e Sudeste (IBGE), onde a influência cultural europeia e a maior renda per capita elevam a demanda por panificados e massas.

Destino da farinha de trigo

A maior parte do trigo moído vai para a panificação e fabricação de pré-misturas de farinha, seguida pela indústria de biscoitos, embalagens comerciais, pães, farinhas integrais, mistura para bolos e outros segmentos.

Figura 5.
Participação do trigo no mix de produtos, em 2025.
imagem
*Embalagens de 1 kg e 5 kg: são os pacotes de farinha de trigo vendidos no varejo, como os encontrados em supermercados. Esse destino representa a farinha fracionada para consumo doméstico ou uso em pequenos estabelecimentos, diferente da farinha vendida em sacarias maiores para padarias e indústrias.
Fonte: Abitrigo | Elaboração: Scot Consultoria

Origem das importações e dependência regional

A Argentina foi o principal fornecedor das importações brasileiras nos últimos três anos. O Uruguai e, em períodos de escassez argentina, a Rússia, complementaram o abastecimento.

As regiões Norte e Nordeste do Brasil dependem quase integralmente de trigo importado. Nessas regiões, os moinhos processam 25,0% do volume nacional, abastecidos pelos portos de Fortaleza, Recife, Salvador e Belém.

Figura 6.
Participação do trigo importado na moagem nacional, por grupo regional, em 2025.imagem
Fonte: Abitrigo | Elaboração: Scot Consultoria

Classificação do trigo

O trigo é classificado por Grupo, Classe e Tipo.

O Grupo é dividido no Grupo I e II, que dizem respeito ao uso: Grupo I destinado diretamente para alimentação humana e grupo II destinado à moagem e outras finalidades.

A Classe define a qualidade tecnológica do trigo, estabelecida em função da Força de Glúten (W, expresso em 10-4 Joules), estabilidade (expressa em minutos) e no Número de Queda (NQ, ou Falling number em inglês, expresso em segundos).

Tabela 1.
Parâmetros determinantes para a classificação do trigo, quanto à Classe.

Classe Força do glúten
(mínimo)
Estabilidade
(minutos)
Número de queda
(segundos)
Melhorador 300 14 250
Pão 220 10 220
Doméstico 160 6 220
Básico 100 3 200
Outros usos Qualquer Qualquer Qualquer

Fonte: Embrapa | Elaboração: Scot Consultoria

Estima-se que apenas 30,0% da produção nacional seja classificada como Trigo Pão. Isso impõe às moageiras o blending (mistura) obrigatório com trigo importado para atender as especificações da indústria de panificação, justificando assim a importação dos EUA e Canadá.

O Tipo é dividido em Tipo 1, 2, 3 e fora de Tipo, determinados em função do limite de defeitos, de peso hectolitro (densidade) e da umidade.

Tabela 2.
Parâmetros determinantes para a classificação do trigo quanto ao Tipo.

Tipo Peso do hectolitro
(valor mín.)
Matérias estranhas e impurezas
(% máx.)
Defeitos
(% máx.)
Total de defeitos
(% máx.)
Danificados por insetos Danificados pelo calor, mofados e ardidos Chochos, triguilhos e quebrados
1 78,0 1,0 0,5 0,5 1,5 2,5
2 75,0 1,5 1,0 1,0 2,5 3,5
3 72,0 2,0 2,0 2,0 5,0 7,0
Fora de tipo < 72,0 > 2,0 > 2,0 10,0 > 5,0 > 7,0

Fonte: Embrapa | Elaboração: Scot Consultoria

Margem da cultura

Com base nas Planilhas de Custos de Produção da Conab, referentes a novembro de 2025, foram calculadas as médias dos custos de produção por hectare de trigo em 15 municípios nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

A partir desse levantamento, estimou-se um custo médio de custeio de R$3.629,35 por hectare, contemplando despesas com operações mecanizadas, administração, sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas.

Considerando os dados de produtividade projetados pela Conab para a safra de 2026, de 3,0 toneladas por hectare, e a cotação média do trigo de R$1.349,68 por tonelada, apurada até 10 de junho, a receita bruta estimada alcança R$4.049,04 por hectare.

Dessa forma, a diferença entre a receita bruta estimada e o custo resulta em uma margem média de R$419,69 por hectare.

Referências:

ABITRIGO. Estatísticas. São Paulo: ABITRIGO. Disponível em: https://abitrigo.com.br/estatisticas/.

ABITRIGO. Pesquisa de moagem ABITRIGO 2025. São Paulo: ABITRIGO, 2026. Disponível em: https://abitrigo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Pesquisa-de-Moagem-ABITRIGO-2025-DIVULGACAO-APRO….

AGROLINK. Alta dos fertilizantes acende alerta para a próxima safra. Porto Alegre: Agrolink. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/noticias/alta-dos-fertilizantes-acende-alerta-para-a-proxima-safra_514877.html.

AGROLINK. Brasil apela para trigo da Rússia. Porto Alegre: Agrolink. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/noticias/brasil-apela-para-trigo-da-russia_473166.html.

AGROLINK. Trigo ou milho: o que dá mais lucro? Porto Alegre: Agrolink. Disponível em: Trigo ou milho: o que dá mais lucro?.

BIOTRIGO. Estudo mostra como o trigo aumenta a margem de contribuição da propriedade rural. Passo Fundo: Biotrigo. Disponível em: https://biotrigo.com.br/estudo-mostra-como-o-trigo-aumenta-a-margem-de-contribuicao-da-propriedade-rural/.

CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA). Indicador do trigo. Piracicaba: CEPEA. Disponível em: https://www.cepea.org.br/br/indicador/trigo.aspx.

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COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Boletim da Safra de Grãos: 8º levantamento da safra 2025/26. Brasília: CONAB, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-graos/boletim-da-safra-de-graos/8o-levantamento-safra-2025-26/e-book_boletim-de-safras-8o-levantamento_2026.pdf.

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Boletim da Safra de Grãos: 8º levantamento da safra 2025/26. Brasília: CONAB, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/custos-de-producao/planilhas-de-cu…

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Capítulo 14: Livro sobre trigo. Brasília: EMBRAPA. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1040363/1/id436232016LVTrigoCap14.pdf.

FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA DO ESTADO DO PARANÁ (FAEP). Classificação de grãos: trigo. Curitiba: Sistema FAEP, 2024. Disponível em: https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2024/01/PR.0218-Classificacao-de-graos-trigo_web.pdf.

FORBES AGRO. Indústria nacional eleva moagem de trigo para 13,2 milhões de toneladas em 2025. Forbes Brasil, 2026. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/05/industria-nacional-eleva-moagem-de-trigo-para-132-milhoes-de-toneladas-em-2025/.

MONEY TIMES. Trigo dispara com nova previsão do USDA apontando uma queda acima de 20 milhões de toneladas para a safra 2026/2027. São Paulo: Money Times. Disponível em: https://www.moneytimes.com.br/trigo-dispara-com-nova-previsao-do-usda-apontando-uma-queda-acima-de-….

SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX). Comex Stat. Brasília: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/pt/geral/153252

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