José Leandro detalha o Sistema Pontal, a estratégia de produção orientada por eficiência e como a padronização sustenta a entrega de carne de alta performance ao mercado.
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Produzir carne de alta qualidade deixou de ser apenas uma questão de genética ou manejo isolado e passou a exigir um sistema integrado, com decisões alinhadas à eficiência produtiva e à demanda de um consumidor mais exigente. Nesse contexto, alguns pecuaristas se destacam ao transformar a produção em um modelo estruturado, orientado por processos, consistência e posicionamento de mercado.
É o caso de José Leandro, à frente da marca premiada JP Meat, que construiu um sistema focado em produtividade por área e padronização de carcaça. Nesta entrevista, ele detalha os pilares do Sistema Pontal, os desafios da produção de carne de alto padrão e antecipa os temas que levará ao palco do Encontro de Confinamento e Recriadores 2026.
A pecuária tem um papel central na sua trajetória. Em que momento ela deixou de ser apenas uma atividade e passou a ser um projeto estratégico de produção de carne? E o que hoje mais te desafia, e te motiva dentro desse modelo de negócio?
José Leandro: Acredito que começamos a acreditar na produção de carne devido à nossa paixão pelo sistema de cria, ou seja, gostar de vaca. E diante disso, sempre procuramos maneiras de aumentar a produtividade e a rentabilidade em sistemas produtivos de cria e ciclo completo. Desde 2006, participamos do projeto Rubia Galega, do grupo Pão de Açúcar; depois, no projeto da VPJ; e, desde 2019, temos a marca própria JP Meat.
O que mais nos desafia e motiva é a nossa missão de “Resultado Programado”, frase que está estampada na nossa logo, pois entendemos que, diante do número de vacas e/ou matrizes que possuímos, já programamos nossa reposição e abate de novilhas Nelore, o descarte de vacas, novilhas meio-sangue Angus que seguirão para projetos de carne, novilhos meio-sangues Angus e Nelore que seguirão para o abate commodity, ou seja, é da vaca que tudo se origina em nosso sistema.
A Fazenda Pontal passou por uma transformação relevante ao longo dessa trajetória. Quais decisões mais impactaram o resultado produtivo e econômico do sistema?
José Leandro: Acredito que é uma soma de decisões relacionadas a processos de gestão, como o de pastagens, reprodutivo, sanitário e nutricional, que nomeamos como Sistema Pontal. O foco constante no manejo, correções e adubações das pastagens, a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) como estratégia de seca e recuperação de áreas de pastagens, o processo de estação de monta invertida, a gestão reprodutiva e sanitária e a gestão nutricional do confinamento e da suplementação a pasto para recria de categorias como precocinhas e engorda de vacas de descarte, novilhas para mercado de carne de qualidade e recria e terminação de machos são os principais pilares do nosso sistema produtivo.
O Sistema Pontal se apoia na Integração Lavoura-Pecuária, no manejo intensivo de pastagens e em um calendário produtivo ajustado. Na estratégia da fazenda, como esses componentes se articulam para otimizar o uso do solo, encurtar ciclos produtivos e maximizar o ganho por área ao longo do ano?
José Leandro: A ILP determina o planejamento produtivo do SISTEMA PONTAL, pois soma 1.000 hectares de alta capacidade de suporte, com uma média entre duas UA/ha entre abril e outubro, em nossas áreas de pastagens perenes de 2.450 hectares, totalizando, assim, uma área média de pastagens de 3.000 hectares/safra, com 2.450 hectares entre outubro e abril, e 3.450 hectares entre abril e outubro. Devido a isso, direcionamos nossa estação de monta, caracterizada como invertida, para concentrar as parições e os serviços reprodutivos e sanitários entre março e julho, período em que as chuvas começam a reduzir na região, facilitando os processos reprodutivos e de gestão de pastagens, pois, com o retorno das chuvas em meados de outubro, podemos agrupar os lotes de vacas com bezerros ao pé para otimizar a colheita das áreas de pastagens. Outro grande benefício da ILP é a correção e recuperação das áreas de pastagens, que devido à rotação das áreas entre pasto e soja, de dois a três anos, permite termos entre 400 e 500 hectares de áreas de pastagens com média de cinco a seis UA/ha nas águas.
Na produção de uma carcaça superior, quais são, na sua visão, os fatores-chave que realmente determinam o diferencial? E como essa busca por qualidade evoluiu até a decisão de estruturar uma marca própria de carne?
José Leandro: O que determina o diferencial é focar nos detalhes do processo, ou seja, desde a escolha do sêmen, os processos de IATF, apartes por ultrassonografia na desmama e recria e a definição do protocolo nutricional são fundamentais, eu acredito. A busca por qualidade evolui muito, pois, como já relatei, participamos de cadeias produtivas de qualidade de carne e decidimos estruturar nossa própria marca quando entendemos que podíamos entregar uma qualidade superior ao mercado. A JP Meat tem um processo longo até chegar ao prato, que envolve não só a produção, mas também o pós-abate, como o processo de maturação.
A conquista da melhor carcaça Angus certificada de 2025 é um reconhecimento importante. O que essa premiação representa dentro da porteira e como ela traduz, na prática, as exigências crescentes do mercado por qualidade, padronização e eficiência?
José Leandro: Esta foi uma conquista fundamental, pois reconhecemos o alto nível das carcaças concorrentes e confirma que nosso sistema produtivo está no caminho correto. Entendemos que já elevamos a exigência de nossos clientes e estamos focados em manter nosso padrão e disponibilidade nas gôndolas.
Importante ressaltar que trabalhamos para que todo bovino abatido em nosso sistema possua qualidade superior ao mercado, desde a categoria de vacas de descarte, novilhas Nelore precocinhas que não emprenharam na safra e machos Nelore e Angus.
Em termos de eficiência, entendemos que o resultado desse processo não é apenas a qualidade de carcaça, e sim a produtividade e a rentabilidade do sistema, que tem se demonstrado crescente ao longo das safras e chegou a 30,9@ produzidas/ha na última safra 24/25.
O senhor estará no palco do Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, aprofundando esses temas na palestra “Cria-recria de alta performance: abatendo a melhor carcaça Angus de 2025”. Que outras reflexões e aprendizados o público pode esperar desse encontro?
José Leandro: Durante o evento, o foco será falar de produção por área (@/ha). Hoje, o nosso maior ativo é o solo, e os investimentos em solo não ocorrem de uma safra para outra, pois demandam safras para consolidação, mas com resultados multiplicadores.
Faça parte deste espetáculo!
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Engenheiro agrônomo e produtor rural, reconhecido por sua atuação na gestão da JP Agropecuária e pela criação da marca de carne JP Meat.
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