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Scot Consultoria

Carta Conjuntura - Exportação de carnes: de olho no dólar e na peste suína africana - 2.0


Sexta-feira, 14 de agosto de 2020 - 17h30


Há cerca de um ano abordamos o tema “As exportações brasileiras das principais proteínas de origem animal no primeiro semestre de 2019 ante 2018”.


O cenário daquele momento continua ditando os rumos das exportações, mas com um incremento “extra”: a pandemia de covid-19.


O Brasil é um dos principais produtores mundiais e é o maior exportador de carne bovina e avícola do mundo e, o terceiro exportador de carne suína (USDA)1.


A forte produção brasileira o mantém como um dos maiores exportadores globais e, no atual cenário, a presença está ainda mais forte.


Em 2019 as exportações foram recordes. No primeiro semestre do ano passado, a exportação em volume foi de 681 mil toneladas de carne bovina in natura, 27,5% maior em relação ao mesmo período de 2018 (Comex)2.


Para a carne suína, a alta foi de 27,9%, com o volume evoluindo de 238 mil toneladas para 304,4 mil toneladas. Para aves a alta foi de 11,7%, com um volume de 1,72 milhões de toneladas em 2018 para 1,92 milhões de toneladas em 2019 (Comex)2.


O ritmo forte das exportações em 2019 se manteve e, no primeiro semestre de 2020, o país embarcou de, carne bovina, um volume 14,2% maior em relação ao mesmo período de 2019. E, para a carne suína e de frango, as altas foram de 38,4% e 1,8%, respectivamente (Comex)2 (figura 1).


Figura 1. Exportação de carne de frango, suína e bovina, nos primeiros semestres de 2018, 2019 e 2020, em mil toneladas.



Fonte: SECEX / Elaborado pela Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


O surto de peste suína africana (PSA) na China, explorado na Carta Conjuntura de julho é o pilar principal dessa forte alta dos últimos três anos.


A guerra comercial entre China e EUA, resolvida no papel, mas ainda ressoando nas entrelinhas ao longo de 2020 também favoreceu a exportação nacional, abrindo espaço no mercado chinês.


O cenário político-econômico global trouxe, nos últimos três anos, uma forte oscilação cambial. A moeda norte-americana vem de franca ascensão desde 2018, como mostra a figura 2 e, a valorização do dólar favoreceu as exportações de carne pelo Brasil.


Figura 2. Evolução da cotação mensal do dólar (frente ao real) de janeiro de 2018 a julho de 2020.



Ago/20*: média dos primeiros seis dias do mês.
Fonte: Banco Central / Elaborado pela Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


A alta média no período, no mês de encerramento do semestre, foi de 34,67% ante junho de 2019 e, ante junho de 2018, foi de 37,71%. O cenário que havia sido deveras positivo em 2019, com a alavancada do câmbio, entre 2019/20, melhorou ainda mais e consolidou as exportações brasileiras.


Mas afinal, onde entra a pandemia neste cenário exportador?

Enquanto a moeda norte-americana ganhou força e atingiu valores nominais recordes ao longo de 2020, a esperança de melhora nas taxas de desemprego registradas nos últimos anos, entre 13% nos últimos três anos (IBGE)3 e, a expectativa de melhora do PIB nacional, saindo de uma expectativa de aumento de 2,1% no início deste ano, para uma retração, estimada em 5,6% (BCB)4, foram pelo ralo com a pandemia e a recessão global em que vivemos.


A pandemia escancarou a questão da segurança alimentar e mostrou ao mundo a necessidade de proteína animal de qualidade e procedência, elevando o Brasil a um novo patamar.


Expectativas

A eleição norte-americana, que acontecerá este ano, pode trazer um novo rumo na relação política EUA e China e modificar a situação das exportações no médio prazo.


A fabricação de uma vacina contra a covid-19 e a recessão global causada pela pandemia também são fatores que devem ser observados.


O controle da PSA e repovoamento do plantel suíno chinês é outro quadro que deve ser monitorado.


Autores:

Felipe Fabbri


Zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria


Rodrigo Queiroz


Graduando em Engenharia Agronômica e analista de mercado da Scot Consultoria





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