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Scot Consultoria

Carta Conjuntura - Peste suína consolidou a exportação de carne suína brasileira para a China


Quarta-feira, 15 de julho de 2020 - 16h00


A China vem sendo o maior parceiro comercial agropecuário do Brasil e não é segredo que não só a exportação de carne bovina para os chineses neste ano está com um bom desempenho apesar da pandemia.


Volume exportado e faturamento conquistado

De janeiro a junho, foram exportadas 777,32 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, 1,98 milhão de toneladas de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas e 421,26 mil toneladas de carne suína fresca refrigerada ou congelada (Comex).⁷ 


Ao confrontarmos esses números com os de 2018, ano em que os surtos da peste suína começaram a impactar o mercado chinês, percebemos que:


1. Em 2018 foram exportadas 1,35 milhão de toneladas de carne bovina, 3,89 milhões de toneladas de carne de aves e 550 mil toneladas de carne suína (Comex).⁷ 


2. A exportação de carne suína aumentou 19,4 % de 2018 para 2019 e, no primeiro semestre de 2020, o volume exportado aumentou 38,3% em relação ao mesmo período do ano passado, com destaques para os meses de maio (90,7 mil toneladas) e junho (87,0 mil toneladas), quando as exportações foram recordes (Comex).⁷


Tabela 1. Exportações de carne suína nos últimos três anos.



Fonte: Comex/Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


Figura 1. Exportações de carne suína nos últimos três anos.


 



Fonte: Comex/Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


A participação da China na exportação da carne suína brasileira em 2019, por causa da peste suína, foi de 41,6% em faturamento (Comex). ⁷


Figura 2. Principais destinos da carne suína fresca, refrigerada ou congelada exportada pelo Brasil em faturamento em 2019.


Fonte: Comex


Em 2020 essa participação subiu para 56,8% (Comex).⁷


As exportações de carne suína in natura chegaram a US$1,0085 bilhão de janeiro a junho, uma variação positiva de 55,1% comparado ao mesmo período de 2019, onde as exportações somaram US$650 milhões (Comex).⁷


Se considerarmos Hong Kong, essa participação sobe para 71% (Comex).⁷


Figura 3. Principais destinos da carne suína fresca, refrigerada ou congelada exportada pelo Brasil em faturamento no primeiro semestre de 2020.



Fonte: Comex


Afinal, o que isso nos diz?

Apesar desse desempenho positivo não é possível afirmar que a exportação para a China de carne suína continuará aquecida, questões como câmbio, estoque dos produtos importados no país de destino e a produção em países que disputam esse mercado, devem ser considerados.


Produção de carne suína

A produção de carne suína chinesa em 2019 foi de 42,55 milhões de toneladas, uma queda de 21,3% em relação a 2018, ano de início da peste (USDA).⁶


A carne suína é a principal carne consumida na China, representando cerca de 60% do consumo, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).¹


Expectativas 

De acordo com a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2019 a Administração Geral de Alfândegas Chinês (GACC, na sigla em inglês) habilitou no mundo 644 frigoríficos de carnes para exportação à China.⁵


De janeiro a abril deste ano mais 1061 frigoríficos foram habilitados, dos quais 991 nos EUA, totalizando 94% das plantas aprovadas, reflexo da fase 1 do acordo comercial estabelecido entre ambos os países (CNA).⁵


Essas habilitações traduzem que a importação deverá ser um dos caminhos para fazer frente à queda da produção interna.


A mudança dos hábitos alimentares, com o aumento do consumo de carne de frango está acontecendo. A produção chinesa de aves foi de 22,39 milhões de toneladas em 2019, 12,3% de aumento em relação a 2018 (CNA). ⁵


Final 

Com cerca de 50% do rebanho suíno dizimado, peste não controlada e reposição de matrizes suínas em andamento, a China vem enfrentando o enorme desafio de suprir, com proteína de origem animal, sua expressiva população, estimada em 1,4 bilhão de pessoas.


Referências

1. Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Acessado em: http://www.fao.org/ag/againfo/ programmes/en/empres/ASF/situation_update.html
2. Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). Acessado em: https://www.oie.int/en/animal-health-in-the-world/animaldiseases/african-swine-fever
3. Site acessado em: https://www.suinoculturaindustrial.com.br/
4. Site acessado em: https://porkexpo.com.br/importacaode-carne-suina-pela-china-deve-chegar-as-385-milhoes-detoneladas-em-2020/
5. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Acessado em: https://www.cnabrasil.org.br/assets/arquivos/ boletinstecnicos/Insight.Peste-Sui%CC%81na._Invest_CNA-1.pdf
6. Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Acessado em: https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index. html#/app/advQuery
7. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Comex). Acessado em: http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/ estatisticas-de-comercio-exterior/comex-vis



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