A União Europeia suspenderá as importações de carne bovina brasileira a partir de setembro de 2026.
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Em 12 de maio, o comitê permanente para plantas, animais, alimentos e ração (PAFF, sigla em inglês) da comissão Europeia aprovou, por votação unânime dos estados-membros, a atualização da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano ao bloco.
O Brasil foi retirado dessa lista, tornando-se o primeiro país do mundo a ser removido sob as novas regras antimicrobianas da União Europeia (UE).
A nova lista inclui 21 novos países habilitados e autoriza exportações adicionais a outros cinco. Apenas o Brasil, entre as nações do Mercosul, foi excluído. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026, e ainda depende de publicação formal no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos.
Desde 2022, a UE proíbe o uso de antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de rendimento na pecuária – o uso terapêutico continua permitido sob regras veterinárias. Assim como a utilização de antibióticos reservados exclusivamente a tratamentos humanos.
O objetivo central da medida é combater a resistência antimicrobiana, fenômeno em que bactérias passam a resistir a medicamentos essenciais de uso humano, um dos maiores riscos de saúde pública global.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de conformidade com essas exigências ao longo de toda a cadeia produtiva. Não sendo necessariamente a presença de resíduos na carne, mas a ausência de comprovação documental, rastreabilidade e certificação sanitária.

A suspensão ocorre simultaneamente com a entrada provisória em vigor do acordo comercial, que previa redução tarifária para carnes. Caso o Brasil permaneça fora da lista sanitária, perderá acesso às condições preferenciais do próprio acordo que ajudou a negociar.
Uma ressalva é que no documento disponibilizado pela UE, Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados à exportação — países que, possuem estruturas sanitárias menos robustas do que a brasileira.
O cumprimento das exigências europeias demandará investimentos em sistemas avançados de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, para a consolidação dos requisitos impostos.
Em 2025, o Brasil exportou à UE 108,6 mil toneladas de carne bovina, equivalente a 3,5% da exportação total e 5,5% do faturamento, cujo preço médio foi de US$8.397,0 por tonelada. No primeiro quadrimestre de 2026, os embarques ao bloco foram de 28,8 mil toneladas — alta de 20,0% sobre o mesmo período de 2025. Correspondendo a 3,0% do volume e 4,6% do faturamento total no período.
Cinco estados responderam por cerca de 98,0% do faturamento obtido com a exportação para o bloco nos dois períodos analisados (tabela 1).
Tabela 1.
Exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia por estado de origem (mil toneladas/US$ milhões FOB).
| Estado | 2025 | 1º Quadrimestre 2025 | 1º Quadrimestre 2026 | |||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Volume (mil t) | Faturamento (mil US$) | Volume (mil t) | Faturamento (mil US$) | Volume (mil t) | Faturamento (mil US$) |
|
| Mato Grosso | 41,0 | 337,4 | 9,5 | 72,7 | 11,9 | 102,9 |
| São Paulo | 23,2 | 197,6 | 6,7 | 55,5 | 6,2 | 54,4 |
| Goiás | 20,7 | 171,5 | 3,6 | 28,2 | 4,4 | 37,4 |
| Mato Grosso do Sul | 14,5 | 126,4 | 3,0 | 26,1 | 4,0 | 34,6 |
| Minas Gerais | 7,4 | 63,4 | 0,9 | 7,5 | 2,0 | 19,2 |
| Total Brasil | 108,6 | 912,2 | 24,0 | 193,1 | 28,8 | 253,5 |
Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria
Caso o veto seja mantido, o impacto será na balança comercial e nas margens dos frigoríficos.
O Brasil tem capacidade de absorver essa carne — 108,6 mil toneladas representam 3,5% do total exportado. De modo que o risco não está na falta de destino, mas na perda de um mercado que remunera US$8.397,0/tonelada, patamar significativamente superior ao vigente para destinos substitutos.
Apesar disso, a probabilidade de reversão antes de setembro é plausível, dado o interesse mútuo na manutenção do fluxo comercial, sobretudo com o acordo Mercosul–UE em vigor.
Artigo originalmente publicado no Broadcast Agro.
Zootecnista, formado pela UEMS/Aquidauana, Aquidauana/MS. Atua na área de ciências agrárias, análises e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado, com elaboração e realização de análises setoriais e pesquisas nos mercados do boi, carne e mercados internacionais, com enfoque para commodities agrícolas e Analista de mercado da Scot Consultoria.
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