Estratégias de suplementação elevam o ganho diário e a produtividade por área, com impacto direto na rentabilidade em sistemas intensivos a pasto.
Foto: Bela Magrela
Estou escrevendo esse texto no dia 13 de abril de 2026, três semanas após a chegada da estação de outono, a qual coincide com o período de transição da estação das chuvas para a da seca em grande parte do território brasileiro. A partir desse texto escreverei uma sequência de artigos associando o manejo de pastagens com a suplementação animal, com base em resultados de pesquisas conduzidos nos períodos de meio da estação das chuvas e na transição chuva/seca.
Nesse primeiro experimento objetivou-se avaliar o efeito de diferentes níveis de suplementação concentrada (0,5%, 1,0% e 1,5% do peso corporal) para bovinos Nelore em pastagens de B. Brizantha, cultivar Marandu (capim-braquiarão), nos períodos das chuvas e na transição chuva/seca sobre o desempenho animal, as características das carcaças, a produtividade da pastagem e a viabilidade econômica.
O trabalho foi conduzido no período de 29 de janeiro a 30 de maio, totalizando 122 dias, em condições de bioma Cerrado, em uma área de 2,64 hectares (ha) dividida em seis piquetes de 0,44 ha cada, e estes foram divididos em três módulos de pastoreio, com dois piquetes por lote de bovinos, os quais corresponderam aos três níveis de suplementação. O método de pastoreio adotado foi o de lotação alternada, com ciclo de pastoreio de 28 dias, com 14 dias de descanso e 14 dias de ocupação por piquete.
Durante o experimento foram avaliados 24 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, sendo oito por tratamento, com idade e peso inicial médios de 17 meses e 373 kg, respectivamente. Durante o período experimental a taxa de lotação média foi de 9,1 cabeças/ha (24 animais/2,64 ha) e 8,6 UA/ha. O solo das pastagens foi adubado com 207 kg/ha de nitrogênio, 90 kg/ha de P2O5 e 180 kg/ha de K2O, aplicados em três parcelas durante o período experimental.
Os bovinos foram suplementados para um consumo predito de 0,50%, 1,0% e 1,5% do peso corporal (PC). Os suplementos foram fornecidos diariamente às 9:00 horas da manhã. Houve um período de adaptação de 18 dias antes do início da coleta dos dados. Na Tabela 1 estão alguns níveis de garantia dos suplementos fornecidos.
Tabela 1.
Análises bromatológicas dos suplementos fornecidos.
| Tratamento | PB % | NDT % | Ca % | P % |
|---|---|---|---|---|
| 0,5% | 16,0 | 69,0 | 1,0 | 0,50 |
| 1,0% | 15,0 | 73,0 | 0,8 | 0,35 |
| 1,5% | 15,0 | 73,0 | 0,8 | 0,35 |
PB: proteína bruta; NDT: nutrientes digestíveis totais calculados; Ca: cálcio; P: fósforo.
Fonte: ARTEAGA; AGUIAR, 2019.
Durante o experimento os bovinos foram pesados mensalmente, após um período de jejum de sólidos por 16 horas. Após cada pesagem os lotes foram trocados ao acaso de módulo de pastoreio para minimizar os efeitos dos diferentes níveis de suplementação sobre o efeito substitutivo da forragem pelo concentrado e, consequentemente, sobre a disponibilidade de forragem.
Foram realizadas mensurações de crescimento e produção de forragem, antes e após cada pastejo, utilizando a técnica da dupla amostragem: direta, por meio do corte e pesagem da massa de forragem; e indireta, por meio da medida da altura do pasto. A oferta de forragem planejada foi de 5,0% do peso corporal dos bovinos e a obtida foi em média 5,4%, com variação de 6,3%, 5,2% e 4,6% para os tratamentos 0,5%, 1,0% e 1,5%, respectivamente (Tabela 2).
Tabela 2.
Parâmetros da produção de forragem pela pastagem usados nos cálculos de oferta de forragem e taxa de lotação.
| TL | Altura 1 | Altura 2 | MF pré | MF pós | |
|---|---|---|---|---|---|
| Tratamento | (UA/ha) | (cm) | (kg MS/ha) | ||
| 0,5% | 8,4 | 25,2 | 19,4 | 3.319 | 1.987 |
| 1,0% | 8,7 | 24,5 | 21,1 | 3.060 | 2.050 |
| 1,5% | 8,8 | 25,5 | 21,7 | 3.331 | 2.940 |
| Média | 8,6 | 25,1 | 20,7 | 3.237 | 2.326 |
TL (UA/ha): taxa de lotação em unidades animais por hectare; Altura 1: altura média do pasto no pré-pastejo; Altura 2: altura média do pasto no pós-pastejo; MF pré: massa de forragem pré-pastejo em kg de matéria seca por hectare; MF pós: massa de forragem pós-pastejo em kg de matéria seca por hectare.
Fonte: ARTEAGA; AGUIAR, 2019.
Não houve diferença estatística para os parâmetros de produção dos pastos avaliados durante o experimento.
Foram coletadas amostras de forragem acima do extrato pastejável, neste caso, acima da altura do resíduo pós-pastejo, para análises bromatológicas da forragem. Veja na Tabela 3.
Tabela 3.
Composição química média da forragem nos três tratamentos durante o período experimental.
| Tratamento | ||||
|---|---|---|---|---|
| Determinação | 0,5% | 1,0% | 1,5% | Média |
| PB (%) | 12,6 | 14,1 | 13,7 | 13,4 |
| NDT (%) | 67,7 | 69,6 | 69,6 | 68,9 |
| Ca (%) | 0,47 | 0,52 | 0,51 | 0,50 |
| P (%) | 0,25 | 0,24 | 0,26 | 0,25 |
| FDN (%) | 59,4 | 58,6 | 56,8 | 58,3 |
| FDA (%) | 29,3 | 29,2 | 28,2 | 28,9 |
PB: proteína bruta; NDT: nutrientes digestíveis totais calculados; Ca: cálcio; P: fósforo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido.
Fonte: ARTEAGA; AGUIAR, 2019.
Não houve diferença estatística para as determinações dos parâmetros bromatológicos avaliados durante o experimento.
Na Tabela 4 estão alguns indicadores técnicos de produtividade nos tratamentos em avaliação.
Tabela 4.
Parâmetros de produtividade dos tratamentos avaliados.
| Parâmetro | Unidade | T1 (0,5%) | T2 (1,0%) | T3 (1,5%) |
|---|---|---|---|---|
| PI | kg | 373,3a | 373,3a | 372,3a |
| PF | kg | 466,5a | 491,5a | 500,8a |
| GPT | kg | 93,1b | 118,2a | 128,5a |
| PCQ | kg | 251,6a | 271,7a | 276,8a |
| PCQ | @ | 16,7a | 18,1a | 18,4a |
| RC | % | 53,9a | 55,2a | 55,2a |
| GMD | kg/dia | 0,76b | 0,97a | 1,05a |
| GMDC | kg/dia | 0,53b | 0,69a | 0,74a |
| RG | % | 70,2a | 70,5a | 71,9a |
Peso médio inicial (PI); Peso médio final (PF); Ganho de peso médio total (GPT); Peso de carcaça quente (PCQ); Rendimento de carcaça (RC); Ganho de peso médio diário (GMD); Ganho médio diário de carcaça (GMDC); Rendimento do ganho (RG). Médias da mesma linha com letras minúsculas diferentes foram significativas pelo teste Tukey (P<0,05).
Fonte: ARTEAGA; AGUIAR, 2019.
Concluiu-se que no período e nas condições de avaliação deste experimento não houve diferenças significativas para os parâmetros: pesos inicial e final, peso de carcaça quente, rendimento de carcaça, e rendimento do ganho.
Por outro lado, houve diferenças significativas para os parâmetros: ganho de peso total, ganho médio diário e ganho médio diário de carcaça.
A combinação do manejo intensivo da pastagem, com taxas de lotação de 9,1 cabeças/ha e 8,6 UA/ha, com níveis médios a altos de suplementação concentrada, resultaram em produtividades por área de 39,0, 51,0 e 54,7 arrobas de carcaça por hectare, para os tratamentos 0,5%, 1,0% e 1,5%, respectivamente, em apenas 122 dias.
Para análise da viabilidade econômica destas estratégias de suplementação estabeleceu-se um peso final meta de 540 kg de peso corporal. Houve viabilidade econômica para todos os níveis de suplementação avaliados, sendo o nível de 1,5% o nível que deixou o maior lucro. Apesar do maior custo da diária deste tratamento, trouxe economia de 59 e 12 dias para o alcance do peso meta em relação aos níveis de 0,5% e 1,0%, respectivamente, e deixou lucro 31,6% e 57,8% mais altos para os níveis de suplementação de 1,0% e 0,5%, respectivamente.
Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.
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