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Scot Consultoria

Preços de arrendamento subindo


Sexta-feira, 5 de março de 2021 - 12h20

Engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria.


Foto: Bela Magrela

 


Panorama geral

O quadro positivo para a agropecuária em 2020 estimulou a procura por terras para expansão da produção.


Além disso, a taxa básica de juros baixa, a incerteza econômica/política e o pior resultado em investimentos no mercado financeiro têm atraído investimentos em ativos físicos.


Nesse cenário, o mercado imobiliário rural vem se destacando, atraindo também capital estrangeiro. Há interesse em terras, a especulação aumentou e o volume de negócios não acompanhou esse estímulo.


Em síntese, apesar da retração econômica que o país enfrenta, o bom desempenho das commodities agrícolas, em conjunto com a maior atratividade para o investimento em terras, refletiram em aumento de preço em diversas regiões do Brasil, principalmente naquelas com maior capacidade para produção agrícola.


Arrendamento para bovinos de corte

Nos três estados citados na figura 1 (PA, MG, MT), representando as importantes regiões produtoras de gado, os arrendamentos de pasto estão ocorrendo em torno de R$25,00 a R$40,00 por cabeça por mês, para animais em fase de recria. Para vacas paridas e animais em terminação os preços podem chegar a R$60,00 por cabeça por mês, em propriedades com boa estrutura para manejo.


Figura 1. Preços médios do boi gordo, no eixo da direita, e valores médios de arrendamento no PA, MG e MT (R$/cab/mês), no eixo da esquerda.



Fonte: Scot Consultoria
*parcial até fevereiro/21


Comparando 2021 com 2015, os preços para arrendamento, em valores nominais, subiram 67,9%. A correlação com as cotações do boi gordo é forte (0,94), portanto tem impacto direto nos contratos de arrendamento.


Outro fator de influência é a disponibilidade de áreas para a pecuária, visto que a produção de grãos e fibras tem avançado em áreas de pastagem. No Pará (região Norte), por exemplo, a área plantada com soja na safra 20/21 aumentou 41,6% em relação à safra 15/16, alcançando um total de 607,4 mil hectares (CONAB).


Arrendamentos para soja

Nos estados listados na figura 2, o arrendamento de terras consolidadas com agricultura está em torno de 15 a 22 sacas/ha. Em áreas com maior potencial produtivo esse valor pode ultrapassar 25 sacas/ha. Em Maracaju-MS, maior produtor de soja do estado, ocorrem arrendamentos de até 30 sacas/ha, em áreas com histórico de alta produtividade.


Como nas áreas de pastagem, os valores dos contratos de arrendamento estão fortemente correlacionados com a evolução nos preços da commodity (0,89), fato que concorda com a figura 2.


Figura 2. Preços nominais médios da saca de soja em Paranaguá-PR, no eixo da direita, e valores médios de arrendamento (sacas/ha), no eixo da esquerda.



Fonte: Scot Consultoria
*parcial até fevereiro/21


Conclusão

A atratividade do setor agropecuário tem estimulado a procura por terras para investimento, porém, a oferta de áreas com bom potencial produtivo vem diminuindo. Dessa forma, parte dos investimentos tem migrado para regiões antes consideradas marginais, e uma outra parte tem aumentado os aportes em tecnologia, com a finalidade de melhorar a produtividade.

Os preços de arredamento devem continuar atrelados aos mercados de commodities, mas conectados também ao interesse de investimentos em regiões com potencial agrícola, como forma de produzir alimentos em longo prazo.


 



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