Com produção média superior a 100,0 mil litros por dia, a Fazenda Colorado se destaca pelo uso de tecnologia, gestão de dados e práticas voltadas ao bem-estar animal.
Foto: Bela Magrela
Para esquentar os motores da mais nova pesquisa expedicionária da Scot Consultoria, a Ordenha Brasil, que percorrerá propriedades leiteiras brasileiras para mapear sistemas produtivos, indicadores e desafios da atividade, a equipe da expedição realizou, em 22 de maio, a primeira visita técnica. Foram até a Fazenda Colorado, localizada em Araras, no interior de São Paulo.
O médico-veterinário e coordenador de pesquisas expedicionárias, Diego Rossin, e a zootecnista e analista de mercado, Juliana Pila, foram recepcionados pelo diretor da fazenda, Sérgio Soriano, e pelo analista de dados, Rodrigo Hernandes. Também participaram da visita o diretor de marketing da Scot Consultoria, Eduardo Torres, e a médica-veterinária e técnica de expedições, Livia Sennyey.

Foto: Bela Magrela
A Fazenda Colorado esteve por 12 anos consecutivos no topo da lista das fazendas que mais produzem leite do país, com mais de 100,0 mil litros de leite diários. Para Sérgio Soriano, diretor do Grupo Colorado, esse crescimento é resultado de uma construção de longo prazo. “Quando cheguei, a fazenda produzia 5,0 mil litros de leite. Passamos para 20,0 mil, 30,0 mil, 40,0 mil, 100,0 mil litros e hoje temos um projeto maduro, com foco em melhorar a produtividade”, afirma.
A produção leiteira da Fazenda Colorado é destinada quase integralmente ao laticínio Xandô, marca do grupo. A propriedade integra uma sociedade familiar comandada por Lair Antônio de Souza, cuja família atua na atividade há mais de 30 anos. Na propriedade, o leite é a principal atividade produtiva e o volume que excede a capacidade de absorção da Xandô é destinado a outros laticínios.
O grupo também atua em outras frentes, como a citricultura, desenvolvida em outras propriedades. Já a produção da área agrícola da Fazenda Colorado é destinada ao consumo interno, com produção de volumosos para o próprio rebanho.

Foto: Bela Magrela
A visita permitiu conhecer um sistema intensivo de produção leiteira baseado em ambiência, monitoramento individual das vacas e uso de dados para a tomada de decisão.
As vacas em lactação ficam alojadas predominantemente em sistema free stall, com uso de cross ventilation para resfriamento. O objetivo é reduzir o estresse térmico, melhorar o conforto animal e, consequentemente, contribuir para a manutenção da produção.
A fazenda também adota práticas de reaproveitamento de dejetos. A areia utilizada nas camas não é reutilizada, mas os dejetos são direcionados para um sistema de separação, passando por uma estrutura com declividade, tanque e peneira para retirada do excesso de areia. O esterco líquido resultante desse processo é utilizado na fertirrigação da propriedade.
Outro destaque observado foi o uso de tecnologia para monitoramento do rebanho, reforçando a crescente digitalização da pecuária leiteira brasileira. A fazenda utiliza colares e brincos para acompanhar indicadores como ruminação e atividade, especialmente em vacas em lactação e novilhas em período pré-parto. As informações geradas auxiliam o acompanhamento individual dos bovinos e orientam a tomada de decisão. “Não adianta só comprar tecnologia. É preciso extrair da tecnologia aquilo que ela pode entregar. Senão, ela vira apenas custo e não resultado”, afirma o diretor da fazenda.
No manejo das bezerras, os bovinos permanecem inicialmente em gaiolas individuais e, por volta dos três meses, são transferidos para um sistema de compost barn, com acesso posterior a piquetes. Segundo a equipe da fazenda, essa exposição controlada ao ambiente externo também contribui para o contato prévio com ectoparasitas, favorecendo a adaptação de bovinos que futuramente poderão ser comercializados para sistemas mais desafiadores.

Foto: Bela Magrela
A alimentação do rebanho é baseada em volumosos produzidos na própria fazenda, com uso de silagem de milho de planta inteira e pré-secado de Tifton. A propriedade também realiza genotipagem do rebanho com foco na produção de leite A2, nicho que tem ganhado espaço por ser uma alternativa para consumidores que não são intolerantes à lactose nem alérgicos ao leite, mas relatam desconforto associado à digestão.

Foto: Bela Magrela
A visita também contemplou a área de ordenha, equipada com sistema do tipo carrossel, com 72 vagas. O processo é organizado em etapas, incluindo teste de caneca de fundo preto, pré-dipping e colocação das teteiras. De acordo com a equipe da propriedade, o posicionamento das estações é planejado para estimular a ejeção do leite e melhorar a eficiência operacional.
“A tecnologia por si só não se sustenta. Precisamos de pessoas dispostas a usar a tecnologia que foi comprada”, diz Soriano.
Além da estrutura produtiva, a Fazenda Colorado mantém uma rotina de capacitação dos funcionários. São realizados treinamentos técnicos e de segurança anualmente, além de treinamentos semestrais voltados ao bem-estar animal, com reciclagem no segundo semestre. Para Soriano, a permanência e o desenvolvimento das equipes são parte central dos resultados da fazenda. “O meu maior orgulho é saber que temos um time que dura, com turnover baixo, porque as pessoas querem ficar, não porque temos medo de mudar”, afirma.

Foto: Bela Magrela
Com sistemas voltados à ambiência, monitoramento, bem-estar animal e gestão da produção, a Fazenda Colorado apresentou práticas relevantes para a compreensão dos diferentes modelos produtivos que compõem a pecuária leiteira brasileira.
As observações realizadas durante a visita contribuíram para a consolidação da metodologia e da base de informações da Ordenha Brasil, pesquisa expedicionária que buscará retratar a diversidade dos sistemas de produção leiteira e os principais desafios da atividade no país.
Para o diretor do Grupo Colorado, iniciativas como a Ordenha Brasil contribuem para valorizar quem está na atividade e gerar informação aplicada à realidade das fazendas. “Vocês irem a campo, olhar as fazendas, ver o que cada uma está fazendo e analisar esses dados pode ajudar a cadeia do leite a avançar mais rápido”, conclui.

Foto: Bela Magrela
Juliana Pila e Diego Rossin iniciam oficialmente a rota da Ordenha Brasil em 8 de junho, percorrendo propriedades leiteiras em diferentes regiões do país para mapear sistemas produtivos, indicadores e desafios da atividade. Para ficar por dentro de tudo o que está sendo visto a campo, acompanhe o perfil da expedição no Instagram.
<< Notícia AnteriorReceba nossos relatórios diários e gratuitos