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Scot Consultoria

Como foi o mercado do leite em junho e as expectativas para o curto prazo

Entrevista com a zootecnista, analista de mercado da Scot Consultoria, Juliana Pila

Quinta-Feira, 04 de Julho de 2019 - 17h30
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Zootecnista, formada pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, Câmpus de Jaboticabal-SP. É analista e consultora de mercado da Scot Consultoria. Coordena a divisão de carnes de frango e suíno. Pesquisadora de mercado nas áreas de boi, leite e grãos. Atuação nas áreas de análises, estabelecimento de cenários, estratégias de mercado, realização de projeções de preços, oferta, demanda, análises setoriais e pesquisa de opinião e imagem. Ministra aulas, palestras, cursos e treinamentos nas áreas de mercado de leite, boi, frango, suíno e assuntos relacionados à agropecuária em geral.

Foto: Pixabay


Sidnei Maschio: Juliana, de acordo com a pesquisa mensal da Scot, como que ficou o preço do leite ao produtor em junho?

Juliana Pila: Nós tivemos mais um mês de alta nos preços do leite do leite pago ao produtor, este foi o sexto mês consecutivo de aumento nas cotações. No entanto, o movimento de alta perdeu força neste último pagamento. No pagamento de junho, que remunera a produção de maio, a alta para o produtor, foi de 0,6% considerando a média nacional, a menor variação desde janeiro, quando os preços começaram a subir.

O aumento da produção nas principais bacias leiteiras e a dificuldade de escoamento tiraram a sustentação do mercado.

Considerando o leite padrão, o valor médio ficou em torno de R$1,27 por litro. Já os valores médios com as bonificações por qualidade e volume ficaram próximos de R$1,65 por litro, sem o frete.

Sidnei Maschio: E o foi que aconteceu com a captação de leite no mês passado, Juliana?

Juliana Pila: Na média nacional a produção de leite aumentou 0,3% em maio em relação a abril último.

Para junho os dados parciais apontam para incremento de 0,7% na produção de leite cru frente ao mês anterior.

A curva da captação de leite já mudou a tendência este ano.

Inclusive neste ano, a produção está crescente frente a 2018. A Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos primeiros três meses deste ano, foi publicada em 13 de junho.

Para o levantamento foram considerados os volumes de leite adquiridos pelos laticínios com algum tipo de inspeção sanitária (municipal, estadual e/ou federal).

De janeiro a março foram coletados 6,2 bilhões de litros de leite, aumento de 3,0% em relação a igual período do ano passado. Este foi o maior valor captado desde 1997.

Segundo o Índice de Captação de Leite da Scot Consultoria, o primeiro semestre de 2019 deve fechar com uma produção crescente frente a igual período do ano anterior.

De janeiro a junho de 2019, segundo o indicador, a captação caiu 5,1%. Em 2018, em igual período, a produção caiu 16,2%.

Sidnei Maschio: Qual é a explicação pra esse aumento na entrega do produto nos laticínios?

Juliana Pila: Os fatores que anteciparam a virada da curva de produção foram a melhora na receita para o produtor este ano, o menor custo de produção com alimentação nos primeiros meses do ano, além do clima mais favorável este ano.

Sidnei Maschio: Depois de um período em que o mercado registrou um ligeiro alívio no custo de produção do pecuarista de leite, a despesa já subiu de novo em junho. A conta vai apertar mais ainda pro lado do fazendeiro, Juliana?

Juliana Pila: Os custos de produção da atividade leiteira subiram em junho.

O indicador calculado pela Scot Consultoria teve alta de 2,3% frente ao mês anterior. Está foi a maior valorização mensal registrada em 2019.

A alta nos preços dos alimentos concentrados, dos fertilizantes e de produtos para sanidade contribuíram para o cenário.

Do lado dos grãos, a situação adversa de clima e atrasos na semeadura nos Estados Unidos deram sustentação aos preços, principalmente na primeira quinzena.

Com o aumento nos custos de produção maior que a alta na receita do produtor este mês, a margem para o produtor recuou frente ao mês anterior, mas ainda está melhor na comparação anual.

Para o segundo semestre a expectativa é de preços mais firmes para os alimentos concentrados o que pode pesar no bolso do lado do produtor de leite daqui para frente.

Sidnei Maschio: Como é que ficou a margem do fazendeiro no mês passado?

Juliana Pila: Conforme eu falei, com o aumento nos custos de produção maior que a alta na receita do produtor este mês, a margem para o produtor recuou frente ao mês anterior, mas ainda está melhor na comparação anual.

Na comparação mensal a margem da atividade recuou 2,2 pontos percentuais e na comparação ano a ano teve melhora de 14,4 pontos percentuais.

Sidnei Maschio: O que a Scot Consultoria prevê a respeito do comportamento da produção agora em julho?

Juliana Pila: A produção, considerando a média nacional, deve seguir com tendência de ligeiro aumento. Os incrementos maiores devem acontecer no Sul do país em função da alimentação com as pastagens de inverno.

A produção deve crescer também, mas em menor intensidade quando comparado ao Sul, na região Sudeste e Centro-Oeste do país.

Sidnei Maschio: Considerando o primeiro semestre inteiro, o recebimento de leite pela indústria caiu. Qual é a explicação pra isso, Juliana?

Juliana Pila: Nós observamos que no primeiro semestre deste ano os laticínios, de modo geral, tiveram dificuldade para impor preços maiores no mercado do leite longa vida (UHT). Este mercado começou com preços em alta no início do ano, mas depois foram poucos os momentos de reação.

Dois motivos estão atrelados a esse movimento, o primeiro é que mesmo o primeiro semestre sendo de entressafra, na comparação anual o volume captado está maior este ano.

Além disso, o consumo não vem evoluindo conforme esperado. Os indicadores econômicos do país, como o PIB por exemplo, vêm apresentando redução semana após semana.

Sidnei Maschio: E a respeito do consumo de leite e derivados aqui no mercado doméstico, você está conseguindo ver algum sinal de melhora no curto ou no médio prazo?

Juliana Pila: A demanda está enfraquecida mesmo com a chegada da época mais fria do ano e as festas juninas, períodos em que tradicionalmente há um incremento no consumo de produtos lácteos, e isso acabou pressionando o mercado para baixo no atacado.

Para julho, é importante destacar o período de férias escolares, que reflete no consumo de leite fluído e derivados pontualmente. Este fato pode ser um peso a mais em um momento de consumo deixando a desejar.

Sidnei Maschio: A importação atrapalhou o andamento da negociação no setor leiteiro brasileiro em junho?  

Os últimos dados disponíveis com relação a importação de lácteos corresponde ao mês de maio. Na comparação mensal as importações cresceram no mês 26,4% em volume. No entanto, as exportações do produto brasileiro também aumentaram quase em igual comparação, mantendo a balança comercial equilibrada.

No entanto é sempre importante acompanhar os dados de importação, pois este pode ser motivo de desequilíbrio no mercado interno, principalmente em momentos de aumento na produção de matéria-prima no mercado nacional e demanda patinando.

Sidnei Maschio: Entre os laticínios que participam da pesquisa mensal da Scot Consultoria, qual é a opinião corrente sobre o que deve acontecer com o preço ao produtor agora em julho?

Para o pagamento a ser realizado em julho, que remunera a produção entregue em junho, 51% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria acreditam em queda no preço do leite ao produtor, 37% estimam manutenção e os 12% restantes falam em alta, em relação ao pagamento anterior.

O viés é de baixa para os próximos meses no Brasil Central e regiões Sudeste e Sul.

Somente nos estados do Nordeste são esperados aumentos nos preços do leite ao produtor, em função da produção que deverá seguir caindo.


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