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Carta Insumos - Ministério Público do Trabalho pede banimento do glifosato

O glifosato voltou ao centro dos debates após o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressar com uma ação solicitando a suspensão da produção, comercialização e uso no Brasil.


Foto por: Shutterstock

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Descoberto como herbicida pelo químico John Franz, da Monsanto, em 1970, o glifosato tornou-se um dos defensivos mais utilizados da agricultura moderna. Atualmente, é aplicado em larga escala nas lavouras de soja e milho, além de diversas outras culturas.

O glifosato desempenha papel fundamental nos sistemas de plantio direto (SPD), substituindo boa parte do uso de arado e grade, eliminando plantas daninhas e formando palhada da cultura anterior.

Dados do Ibama mostram que a produção nacional e as importações de glifosato e seus sais somaram 229,7 mil toneladas em 2024.

Figura 1.
Produção e importação de glifosato e seus sais, em mil toneladas, até 2024.

Fonte: IBAMA | Elaboração: Scot Consultoria

O defensivo combina amplo espectro de controle de plantas daninhas, baixo custo operacional e elevada flexibilidade de uso, controlando mais de 160 espécies de plantas daninhas e responde por mais da metade do volume de herbicidas consumidos no país.

Ação judicial

A ação do MPT se baseia em estudos que associam a exposição ao herbicida a potenciais riscos à saúde humana. A discussão, entretanto, permanece longe de um consenso.

Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o glifosato como "provavelmente carcinogênico para humanos".

Em sentido diferente, órgãos reguladores como a Anvisa, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluíram que o produto pode ser utilizado dentro dos limites e com a utilização correta de EPIs.

Embora ainda não existam estimativas, uma eventual restrição ao glifosato poderia gerar impactos bilionários para a agricultura brasileira.

O que se pode esperar?

Não é a primeira vez, e provavelmente não será a última, que a proibição do glifosato entra em debate.

O glifosato é importante para a produtividade agrícola, contribuindo para os recordes de produção e exportação observados nos últimos anos. Um banimento imediato, especula-se, é pouco provável, diante de sua relevância para o setor e das avaliações favoráveis de órgãos reguladores no Brasil e no exterior.

O cenário provável é a manutenção do produto sob monitoramento, com atualizações periódicas dos critérios de segurança e recomendações de uso.

Em um cenário intermediário, podem surgir restrições adicionais para determinadas aplicações, como ocorre em parte da União Europeia. Uma restrição ampla exigiria rápida adaptação do setor, com maior uso de herbicidas alternativos, tecnologias de manejo e intensificação das pesquisas.

Produtos considerados essenciais em determinado momento podem ter seu uso restringido posteriormente.

Além das discussões regulatórias, o próprio avanço da resistência de plantas daninhas representa um desafio crescente. No Brasil, espécies como buva, capim-amargoso e azevém apresentam resistência ao glifosato, reforçando a necessidade de manejo integrado.

Nesse contexto, os investimentos em pesquisa, novos princípios ativos, combinações de produtos e melhorias no manejo serão usuais para preservar a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

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