• Terça-feira, 19 de maio de 2026
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Carta Grãos e Agricultura - Recuperação da exportação de algodão

O volume exportado cresceu 11,7% no primeiro quadrimestre de 2026 ante igual período de 2025, mas a receita subiu apenas 1,7% em razão da pressão sobre os preços internacionais.


Foto: Shutterstock

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A safra 2025/26 deverá ter semeado aproximadamente 2,04 milhões de hectares, redução de 2,2% frente às 2,09 milhões da safra anterior. A produção está estimada em 4,0 milhões de toneladas (pluma) queda de 2,6%, ocasionado pela redução da área e da produtividade.

A exportação de algodão em bruto foi de 1,3 milhão de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, volume 11,7% maior que no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 1,2 milhão de toneladas. Em receita, o avanço foi mais modesto, US$ 1,99 bilhão em 2026 contra US$ 1,96 bilhão em 2025, expansão de 1,7%.

A razão para essa defasagem entre volume e receita está no preço médio da tonelada. Apesar do maior volume exportado, o algodão foi vendido em média por US$1.527/t no primeiro quadrimestre de 2026, ante US$1.671/t em 2025 — retração de 8,6%.

A análise feita mês a mês revela que em janeiro de 2026, os embarques caíram 23,7% em relação a janeiro de 2025. Em fevereiro o desempenho também foi menor, com uma redução de 1,5% em volume.

Tabela 1.
Exportação de algodão em bruto, comparação feita mês a mês de janeiro a abril de 2025 e 2026.

Mês Volume 2025 (mil t) Volume 2026 (mil t) Variação volume Receita 2025 (US$ mi) Receita 2026 (US$ mi) Preço médio 2026 (US$/t)
Janeiro 415,6 316,9 -23,7% 710,9 489,2 1.544
Fevereiro 274,6 270,5 -1,5% 462,6 413,0 1.527
Março 239,2 347,8 +45,4% 396,8 530,1 1.524
Abril 239,1 370,4 +54,9% 390,2 560,6 1.513
1 º quadrimestre 1.168,6 1.305,6 +11,7% 1.960,5 1.992,9 1.527

Fonte: COMEX / Elaborado por Scot Consultoria
NCMs: 52010010, 52010020, 52010090

A partir de março os embarques saltaram 45,4% frente a março de 2025 e abril avançou ainda mais, com alta de 54,9%. O resultado positivo no segundo trimestre reflete a colheita da safra 2025/26, que possibilitou maior disponibilidade de pluma para exportação.

No primeiro quadrimestre de 2026, os cinco maiores compradores responderam por 79,9% do volume total exportado, com a China mantendo a liderança (27,6%), seguida por Bangladesh (16,6%), Turquia (13,4%), Paquistão (11,2%) e Vietnã (11,1%).

A presença de Bangladesh, Paquistão e Vietnã confirma o papel do Brasil como fornecedor estratégico para os grandes polos de confecção na Ásia. Esses três países responderam por 38,9% do volume exportado, superando, a China quando analisados em conjunto. A Turquia, maior comprador europeu, ocupou a terceira posição, sinalizando crescimento da demanda de fibra natural no Mediterrâneo.

O desempenho da exportação em março e abril de 2026 está aquecido e indica que o Brasil tem competitividade para manter volumes elevados. Se o ritmo dos últimos dois meses do quadrimestre se mantiver no restante do ano, o volume exportado em 2026 poderá superar as 3,0 milhões de toneladas registradas em 2025.

A projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), em suas estimativas iniciais para 2026/27, indica uma reversão nos estoques globais de algodão, que deverão diminuir 7%, para 71,8 milhões de fardos em 2026/27, ante 77,2 milhões em 2025/26 — redução de 5,4 milhões de fardos.

A queda foi puxada por uma retração de 5% na produção mundial (116,0 milhões de fardos) para 2026, com declínio esperado para todos os grandes produtores, exceto a Índia. Ao mesmo tempo, o consumo industrial global deve crescer 1% (1,6 milhões de fardos) para 121,7 milhões de fardos, com aumento na maioria dos países fiadores, exceto a Turquia.

Esse reequilíbrio entre oferta e demanda abre espaço para recuperação das cotações ao longo de 2026/27, o que pode beneficiar os exportadores brasileiros no segundo semestre.

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