Em abril, a cotação do arroz subiu e já é a maior de 2026, porém ainda abaixo da cotação do mesmo período de 2025.
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A cotação média em abril, até o dia 24, subiu 6,4%, em comparação com março, mas ainda está 17,8% menor em relação a abril de 2025. Assim como ocorreu nos demais meses do primeiro quadrimestre deste ano, este é o menor preço médio mensal para o respectivo mês nos últimos três anos (figura 1).
Figura 1.
Cotação média do arroz, mês a mês, em R$/saca de 50kg.
*até 24/4
Fonte: Cepea/Esalq. Elaboração: Scot Consultoria
Considerando os preços deflacionados, a média em abril é a menor para o mês desde 2020 e está abaixo da média dos últimos cinco anos (figura 2). Isso indica que, apesar da alta na comparação mês a mês, os preços estão historicamente baixos.
Figura 2.
Cotação média, deflacionada pelo índice IGP-DI, mês a mês, em R$/saca de 50kg.
*Média em cinco anos até 24/4
Fonte: Scot Consultoria. Elaboração: Scot Consultoria
No mercado internacional, os preços também subiram em relação a março, e estão baixos na comparação feita ano a ano. No pregão de 24 de abril da Bolsa de Chicago, o contrato futuro do arroz com vencimento em julho foi cotado em US$11,16/cwt, alta de 1,5% em relação a março e queda de 16,3% ante o mesmo período de 2025 (figura 3).
Figura 3.
Cotação do arroz em casca no mercado futuro, para o contrato com vencimento em julho/26.
*1 hundredweight. Equivale a 100 libras ou 45,36 kg.
Fonte: Chicago Board of Trade. Elaboração: Scot Consultoria
A alta recente da cotação era esperada. No mercado interno, o fator de alta foi a redução da oferta, prevista para a safra 2025/26. Na edição 214 da Carta Grãos e Agricultura, já havíamos apontado para este cenário. Na estimativa recente da Conab, a produção brasileira está projetada em 11,12 milhões de toneladas, queda de 12,9% frente à safra anterior. A área cultivada deverá cair 13,1%, para 1,53 milhão de hectares, enquanto a produtividade deve se manter praticamente estável, em 115 sacas por hectare, alta de 0,2%. A queda da produção, portanto, decorre sobretudo da redução da área semeada, tanto para o arroz irrigado quanto para o arroz de sequeiro.
Essa retração reduz o excedente observado na safra anterior. Em 2024/25, a produção foi de 12,76 milhões de toneladas, o que elevou o estoque final para 2,19 milhões de toneladas. Para 2025/26, a Conab projeta o estoque final para 1,71 milhão de toneladas, com consumo interno estimado em 10,8 milhões de toneladas e exportação de 2,1 milhões de toneladas. Assim, a oferta ainda permanece em patamar confortável, mas menos folgada do que na safra anterior, o que ajuda na recuperação parcial dos preços.
Menos oferta e aumento dos custos de produção.
A intensificação do conflito no Oriente Médio, com restrição à navegação no Estreito de Ormuz, pressionou os mercados de petróleo, fretes e fertilizantes. A alta do petróleo e consequentemente do óleo diesel tem impacto direto sobre culturas intensivas em mecanização, como o arroz. No mesmo contexto, a alta dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados ampliou a pressão sobre os custos agrícolas.
Dessa forma, a combinação de dois fatores sustentou os preços: menor produção e redução dos estoques finais. No entanto, essa alta foi acompanhada pelo aumento dos custos no campo.
Cenário internacional.
No mercado internacional, o cenário limita as altas. Segundo o USDA, a produção global de arroz em 2025/26 está projetada em 541,4 milhões de toneladas, em base beneficiada. A estimativa teve alta de 0,1 milhão de toneladas em relação à projeção anterior. O aumento foi puxado pela Tailândia, onde o clima favorável elevou a previsão de área semeada. Essa alta compensou reduções nas Filipinas e em Taiwan.
A oferta global deve ser recorde com 732,9 milhões de toneladas, alta de 0,4 milhão de toneladas frente à estimativa anterior. Os estoques finais estão projetados em 192,3 milhões de toneladas, alta de 0,8 milhão de toneladas. China e Índia concentram a maior parte dos estoques mundiais, com 55,0% e 25,0% do total, respectivamente.
A Índia é relevante nesse cenário. A produção do país está estimada em 152,0 milhões de toneladas, sem alteração em relação à projeção do USDA. A produção da China, estimada em 146,0 milhões de toneladas, também permaneceu estável. Os dois países são os maiores produtores mundiais.
No comércio internacional, as exportações globais devem ser de 62,1 milhões de toneladas, um recorde. A projeção, porém, caiu 0,4 milhão de toneladas em relação à estimativa anterior. O ajuste reflete principalmente reduções no Paquistão e Estados Unidos, em meio à concorrência de exportadores com preços menores.
Isto ajuda a entender o porquê os preços internacionais estão pressionados na comparação feita ano a ano. A oferta global está alta e os estoques estão elevados.
No Brasil, a menor oferta tende a sustentar as cotações no curto prazo. O mercado não sinaliza altas, mas há espaço para recuperação gradual dos preços.
No mercado internacional a oferta global está elevada, e as exportações são recorde. Por isso, os preços devem manter estáveis
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