Em 2025, a cotação do arroz caiu e ficou abaixo dos preços de 2024. Nesses primeiros dois meses de 2026, a tendência de queda continuou, mas com possibilidade de recuperação.
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A cotação média subiu 2,1% em fevereiro (até 19/2/2026) ante janeiro de 2026, mas apesar dessa reação acumula uma queda de 43,1% na comparação com fevereiro de 2025. É também o menor preço médio mensal para um mês de fevereiro dos últimos três anos (figura 1).
Figura 1.
Cotação média do arroz, mês a mês, em R$/saca de 50kg.
*até 19/2
Fonte: Cepea/Esalq. Elaboração: Scot Consultoria
No mercado internacional, os preços também perderam força. No pregão da bolsa de Chicago de 20 de fevereiro, o contrato futuro de arroz com vencimento em março foi cotado a US$10,18/cwt, queda de 23,7% em relação ao mesmo período do ano anterior (figura 2).
Figura 2.
Cotação do arroz em casca no mercado futuro, para o contrato com vencimento para março/26.
*1 hundredweight. Equivale a 100 libras ou 45,36 kg.
Fonte: Chicago Board of Trade. Elaboração: Scot Consultoria
A queda da cotação reflete o aumento da oferta no Brasil e no exterior.
No mercado internacional, a expansão da oferta e da exportação da Índia ajudou a consolidar novas referências de preço para o arroz importado e exportado. Em 2025, o preço médio do arroz importado foi de US$0,32/kg, queda de 50,5% em relação a 2024. No arroz exportado, o preço médio ficou em US$0,30/kg, recuo de 32,9% na mesma comparação (Secex).
A Índia é o principal exportador de arroz do mundo. Por isso, mudanças na sua oferta e demanda afetam o mercado internacional. A produção indiana subiu de 137,8 milhões de toneladas em 2023/2024 para 150,0 milhões em 2024/2025, alta de 8,8%. Para 2025/2026, a expectativa é de alta de 1,3% (USDA).
A exportação da Índia também aumentou. Em 2024/2025, o volume cresceu 58,3%, de 14,4 milhões para 22,8 milhões de toneladas. Para 2025/2026, a projeção é de alta de 9,5%, para 25,0 milhões de toneladas. Com mais produto disponível, os preços perderam sustentação.
No mercado interno, na safra 2024/2025, a produção somou 12,7 milhões de toneladas, alta de 20,6% em relação à safra anterior. O estoque final também aumentou e chegou a 2,2 milhões de toneladas, avanço de 343,7% frente à safra anterior (Conab). Desta forma, a oferta elevada pressionou a cotação.
No Brasil, a expectativa de queda de 14,4% na produção, para 10,9 milhões de toneladas, de 11,6% na área cultivada, para 1,55 milhão de hectares, e de 26,6% no estoque final, para 1,61 milhão de toneladas na safra 2025/2026, tende a dar sustentação aos preços.
Conforme os estoques diminuírem e a produção também, o preço pode melhorar, ainda que lentamente. Foi o que já apareceu na alta de fevereiro em relação a janeiro de 2026.
No cenário internacional, o preço segue em queda. Em fevereiro, até a segunda semana, o preço médio do arroz brasileiro exportado foi de US$0,23 por quilo, queda de 37,9% em relação a fevereiro de 2025 (Secex)
Com a maior oferta e a previsão de aumento das exportações da Índia em 2026, a tendência é de manutenção desse cenário.
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