Após um 2025 desafiador, com queda nos preços e pressão sobre as margens, o mercado do leite inicia 2026 com sinais de recuperação, mas ainda tímida.
Foto: Bela Magrela
Os números mostram que 2025 foi um ano difícil para a atividade leiteira. Ao longo do ano, o movimento das cotações ao produtor foi decrescente na maioria dos meses. Em 12 meses, na comparação feita mês a mês, o preço médio caiu em nove. Esse comportamento ocorreu devido ao aumento da produção, sustentado por investimentos realizados no final de 2024 e no início de 2025, e pelas importações em níveis elevados.
De acordo com os dados da Pesquisa Trimestral do Leite do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a captação formal foi de 27,5 bilhões de litros, aumento de 8,5% em relação a 2024. Em 2025 a aquisição de leite foi o terceiro ano em desempenho de crescimento, após passar por dois anos de quedas consecutivas, e registrou a maior da história, considerando os dados iniciados em 1997.
Com relação às importações, no ano, o volume de produtos lácteos ficou 6,6% menor que em igual período de 2024, mas, ainda assim, um dos maiores dos últimos dez anos.
Além do monitoramento desses números, a Scot Consultoria calcula anualmente as rentabilidades médias das atividades agropecuárias e de outras opções de investimento de capital.
Para este cálculo, são utilizados modelos econômicos que levam em consideração fatores estimados para cada negócio agropecuário (índices técnicos, localização e estrutura produtiva), conforme o nível tecnológico.
Neste sentido, ressaltamos que os resultados apresentados podem ter significativa variação, conforme a alteração dos índices produtivos.
No caso da pecuária leiteira com alta tecnologia (25 mil litros/hectare/ano), houve piora na rentabilidade em relação ao ano anterior, passando de 6,04% em 2024 para 5,39% em 2025.
Para os sistemas com produtividade média de 4,5 mil litros por hectare por ano (baixa tecnologia), a rentabilidade foi negativa em 8,31%. Este foi o décimo quarto ano de rentabilidade negativa (figura 1).
Figura 1.
Comportamento das rentabilidades médias da atividade leiteira de alta e baixa tecnologia, em porcentagem.
Fonte: BC / FGV / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br
A sequência de baixa na remuneração do leite e os custos de produção com pouca oscilação durante o ano, pressionou a margem do produtor.
Para uma comparação, a média, em 2025, da diferença entre o preço do leite pago ao produtor e o custo de produção da atividade foi 10,8% menor frente à média em 2024.
O cenário atual difere do observado no início do ano passado. Embora ainda haja reflexos do crescimento da produção, esse movimento começa a perder força com a entressafra.
De acordo com o Índice de Captação de Leite da Scot Consultoria, a captação caiu 1,4% em janeiro de 2026 frente a dezembro de 2025. A sequência de preços baixos ao longo dos últimos meses comprometeu as margens e levou à redução dos investimentos na atividade.
Com isso, a menor disponibilidade de leite no mercado começa a impactar os preços ao produtor, que reagiram neste início de ano.
Depois de nove meses consecutivos de queda, os preços reagiram no pagamento de fevereiro, referente ao leite entregue em janeiro. Na comparação feita mês a mês, a alta foi de 1,0%, ou R$0,02 por litro.
Considerando a média nacional ponderada nos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, o litro de leite ficou cotado em R$2,088.
Esse ajuste na oferta, típico do período, tende a dar sustentação às cotações no curto prazo, com a indústria atuando de forma mais competitiva para garantir o abastecimento. Ainda assim, o cenário para 2026 exige atenção. Fatores externos seguem no radar, como possíveis elevações nos custos de produção, especialmente grãos e frete, em um ambiente influenciado por tensões geopolíticas.
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