• Segunda-feira, 16 de março de 2026
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Carta Grãos e Agricultura - Soja: cotações em Chicago atingem a máxima de 2025, e o mercado está atento

A alta em Chicago e a valorização do dólar frente ao real sustentaram as cotações da soja, mas as incertezas em relação às exportações para a China e o aumento do custo do frete estão travando o mercado.


Foto por: Shutterstock

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Em março, os contratos futuros da soja em grão atingiram, em Chicago, os maiores níveis do ano. Os contratos com vencimentos próximos, março e maio, estão sendo negociados acima de US$12,00 por bushel pela primeira vez nesse período (figura 1).

Além disso, o dólar se valorizou frente ao real. Na comparação feita mês a mês, o câmbio subiu 0,5%, para R$5,25 por dólar em 13 de março.

A alta em Chicago somada à alta do dólar, contribuíram para a firmeza da cotação no Brasil, base Paranaguá. Porém, a alta não acompanhou o desempenho de Chicago. Em Paranaguá, a soja foi negociada em R$131,00 por saca em 13/03, alta de 4,0% em relação ao mesmo período de fevereiro, mas com queda de 10,3% frente ao primeiro dia útil de janeiro de 2026.

Em Chicago, o contrato com vencimento em maio foi cotado a US$12,22 por bushel no mesmo período, alta de 6,5% na comparação feita mês a mês e de 16,9% em relação ao primeiro dia útil de janeiro de 2026 (figura 2).

Figura 1.
Preços futuros da soja em Chicago para os contratos de março, maio, setembro e novembro, em ¢/bushel.

Fonte: Chicago Board of Trade. Elaborado por Scot Consultoria.

Figura 2.
Cotação da soja em Paranaguá, em R$/saca (esquerda), e preço futuro da soja em Chicago para o contrato com vencimento em maio de 2026, em ¢/bushel (direita).

Fonte: Chicago Board of Trade. Elaborado por Scot Consultoria.

Com altas em Chicago, por que a precificação não chega com a mesma intensidade no mercado interno?

Prêmios de exportação mais baixos, avanço da colheita e oferta ampla reduziram a força da alta externa. Com 50,6% da área semeada no Brasil colhida (tabela 1), a entrada de produto no mercado está intensa.

O prêmio de exportação, considerando a base porto de Paranaguá, em 13/3, para entrega em maio de 2026, foi de menos 0,10 US$/bu. No mesmo período do mês passado, o prêmio era de 0,10US$/bu, uma desvalorização de 0,20 US$/bu na comparação feita mês a mês.

As incertezas nas exportações para a China reforçaram esse quadro.

Em março, o Ministério da Agricultura do Brasil intensificou as inspeções fitossanitárias nos embarques de soja para o país asiático a pedido de Pequim. Tradings passaram a relatar atrasos em plena temporada de exportação. O pedido partiu da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC).

O endurecimento na exportação vinha sendo sinalizado. Em 22 de janeiro de 2025, o governo brasileiro informou ter recebido duas notificações da GACC sobre não conformidades em cargas de cinco unidades de empresas brasileiras.

A China vinha apontando grãos cobertos por pesticidas ou fungicidas, presença de insetos vivos e dano por calor. Com a fiscalização, a emissão do certificado fitossanitário ficou lenta. Em alguns casos, cargas foram redirecionadas ao mercado interno.

No mesmo período, o custo logístico também subiu. A alta da cotação do petróleo aumentou a pressão sobre o transporte e as operações de campo. Em 13/03, o barril do petróleo Brent foi negociado em US$103,14, alta de 52,2% em comparação com o mesmo período do mês anterior.

A alta da cotação do petróleo repercutiu na cotação do diesel, o que tem encarecido o frete e compromete a margem dos sojicultores.

Tabela 1.
Progresso da colheita da soja nos principais estados produtores.

Estado Semana até: Média 5 anos
2025 (8/mar) 2026 (28/fev) 2026 (7/mar)
Tocantins 65,0% 47,0% 52,0% 51,4%
Maranhão 50,0% 9,0% 17,0% 26,8%
Piauí 23,0% 7,0% 19,0% 13,6%
Bahia 50,0% 30,0% 31,0% 19,9%
Mato Grosso 91,7% 81,3% 89,2% 86,7%
Mato Grosso do Sul 70,0% 50,0% 61,0% 59,4%
Goiás 71,0% 39,0% 57,0% 58,0%
Minas Gerais 56,0% 22,0% 39,0% 39,2%
São Paulo 85,0% 9,0% 38,0% 35,6%
Paraná 60,0% 37,0% 46,0% 40,2%
Santa Catarina 16,0% 7,8% 11,7% 11,9%
Rio Grande do Sul 5,0% 0,0% 0,0% 1,0%
12 estados 60,9% 41,7% 50,6% 48,5%

Fonte: Conab / Elaborado por Scot Consultoria

Em Chicago, o quadro foi outro.

A cotação da soja ganhou impulso com a alta dos coprodutos, sobretudo do óleo (figura 3). A alta do petróleo reforçou a demanda por óleos vegetais e deu sustentação ao complexo soja.

Em 13/3 o óleo de soja esteve negociado em Chicago em 67,43 cents por libra, e a soja em grão em 1.222,75 cents por bushel, altas de 36,5% e 16,9%, respectivamente, frente ao primeiro dia útil de janeiro 2026. Dessa forma, a forte alta do coproduto ao longo do ano tem contribuído para sustentar a cotação da soja em grão (figura 3).

Figura 3.
Preços futuros da soja em Chicago para os contratos de maio/26, maio, em ¢/bushel (direita) e do óleo de soja para o mesmo período, em ¢/lb.

Fonte: Chicago Board of Trade / Elaborado por Scot Consultoria

O que esperar a partir de agora?

A tendência é de manutenção de um mercado com duas velocidades. Em Chicago, os preços devem seguir firmes enquanto o óleo de soja continuar sustentado pelo petróleo e pela demanda global por óleos vegetais. No Brasil, o repasse dessa alta tende a ser parcial enquanto persistirem a pressão da colheita, os prêmios enfraquecidos e a lentidão nos embarques para a China.

No curto prazo, três pontos estão no radar. O primeiro é o ritmo das inspeções ligadas à China e a velocidade da emissão dos certificados fitossanitários. O segundo é o comportamento do frete, pressionado pela alta do petróleo e pelo atraso nos portos. O terceiro é o avanço da colheita e aumento da oferta interna. Se esses fatores perderem força, a soja no mercado interno pode ganhar tração. Se persistirem, a tendência é de continuidade do descolamento entre Chicago e os preços no Brasil.

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