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Carta Boi - Bezerro está mais pesado, mas pagamos mais pelo quilo!


Sexta-feira, 8 de março de 2019 - 14h50


Após a minha última análise, sobre o abate recorde de novilhas (nesta conexão), um produtor me mandou uma mensagem pelo Instagram com um questionamento muito interessante: “Mariane, você fez algumas reflexões sobre o possível encarecimento do bezerro. Na minha opinião, já faz uns dez anos que tenho a sensação que o bezerro está cada dia mais caro. Os dados mostram isso?”


Achei esta observação do produtor muito pertinente. Vamos olhar os dados! Para começar, lembra que em outro texto comentei sobre a ilusão da inflação? Para analisarmos o comportamento dos preços do bezerro, temos que trazer todos os valores a “dinheiros de hoje”.


Neste sentido, a figura 1 apresenta a evolução dos preços do bezerro (Indicador do Bezerro Esalq/BM&Fbovespa - Mato Grosso do Sul). A linha azul apresenta os valores nominais, que seriam os preços da época, e a linha laranja mostra os preços em valores reais, isto é, em dinheiros de hoje - deflação realizada pelo IGP-DI/FGV de janeiro de 2019.  


Figura 1.
Evolução do Preço do Bezerro (Indicador Cepea/Esalq) - 2000 a 2019.

Fonte: Cepea. Elaboração: Mariane Crespolini 


Em 2000, quando inicia a série, o bezerro valia o equivalente a R$986,00, em “dinheiros de hoje”. O menor preço registrado foi em janeiro de 2006, de R$699,00. Quase metade do que estamos pagando agora pela reposição, de R$1217,00. Não podemos esquecer de olhar o valor máximo de R$1738,00, em maio de 2015. Se você quiser ver os valores em “dinheiros da época” é só olhar para a linha azul do gráfico.


Então, afinal, de valor mínimo de R$700,00 a máximo de R$1700,00, estamos pagando mais ou menos pelo bezerro? Estas altas e baixas são inerentes ao mercado anual e plurianual. Comentei sobre os fenômenos cíclicos de preços, neste texto, bem como as variações anuais, neste. Mas o objetivo de hoje é falar sobre TENDÊNCIA - Veja bem, para 2019, os preços estão mais baixos do que 2015/2016, mas estamos olhando para uma tendência de médio e longo prazo.


A linha pontilhada da figura 1 é o que mais nos importa. Ela apresenta a tendência linear¹ dos preços. Quando isolamos as oscilações inerentes ao mercado, existe sim uma tendência de um bezerro mais caro. Olha lá, na figura 1, na tendência, saímos de um bezerro de 800 reais, para 1200 reais. Se só existisse as variações do mercado, e não uma alta efetiva, a tendência apontaria para bezerros na média de preços. De fato, até 2008, o bezerro nunca tinha chegado ao patamar de R$1200,00, em valores reais. Portanto, no médio e longo prazo analisado, o bezerro está subindo mais do que a inflação, havendo uma tendência de alta de preço por animal.


Mas aí você pode me dizer algo: “Este bezerro, de 2019, é o mesmo que o de 2000? Ou mesmo que o de 2009?”. Neste ponto, temos que analisar algo muito reforçado pelo professor Sérgio De Zen em suas palestras: o peso médio do bezerro deu um salto. E deu mesmo. Veja agora a figura 2.


Figura 2.
Evolução do peso do bezerro (Indicador Cepea/Esalq) - 2000 a 2019.

Fonte: Cepea. Elaboração: Mariane Crespolini


A linha de tendência agora é ainda mais clara! Em 2000, o peso do bezerro estava em torno de 180 kg – linha verde. E agora, na casa dos 200 kg. Olhe agora para a linha preta pontilhada, ela tira as oscilações típicas de alguns meses e época do ano e nos traz a tendência: os bezerros estão mesmo mais pesados. Tem mais qualidade!


Pagamos mais por algo melhor, certo? Você e eu, como pecuaristas, sabemos que um bezerro “do cedo” ou um bezerro de maior qualidade, por mais que seja mais caro, dá melhores retornos em tudo que investimos.  Podemos concluir então que o bezerro está mais caro, mas compensa pelo ganho de peso? Ainda não.


Esta semana, meu marido me ligou indignado, pedindo justamente para eu analisar este ponto. De acordo com ele, o bezerro está sim melhor e mais pesado, mas, apesar disso tudo, a reposição “por unidade de peso” também está mais cara. É o que ele diz sentir no bolso. Uma corrosão no poder de compra. Você concorda?


Para verificar este ponto, o que vou te apresentar, na figura 3, é o preço médio do Indicador do Bezerro dividido pelo peso médio: chegamos ao preço médio do quilo. Veja que já pagamos, em dinheiro de hoje, quatro reais pelo quilo do bezerro, em 2006. Mas, também já pagamos quase nove reais!


Como no caso do preço por animal, a figura 3 nos mostra que “mudamos” de patamares de preço. A tendência aponta que estamos pagando mais também pelo quilo, do que no início da série histórica. Saímos de um patamar de cinco reais por quilo, para algo em torno de sete reais.


Figura 3.
Evolução do preço do quilo do bezerro (Indicador Cepea/Esalq) - 2000 a 2019

Fonte: Cepea. Elaboração: Mariane Crespolini


Portanto, respondendo à pergunta do título deste artigo: a tendência histórica é de um bezerro mais pesado, de maior qualidade. Porém, seu preço mais caro, tanto por perna, quanto por quilo, também é tendência. Isto já é uma realidade, como me afirmaram pelo instagram.


Você já está cansado deste assunto? Se compra reposição, talvez esteja até meio desanimado. Mas vamos responder só mais uma pergunta e encerramos o texto: E a relação entre o bezerro e o boi: Mudou? Ou, em outras palavras: o poder de compra do terminador melhorou, piorou ou segue igual?


Antes de te apresentar o resultado, preciso ressaltar que utilizei os preços do Indicador do Boi Gordo Esalq/BM&FBovespa para arroba. Considerei um boi de 20 arrobas, peso fixo para todos os anos. Para o bezerro, considerei o preço médio do quilo do Indicador e multipliquei por 200, para padronizar a compra de um bezerro de 200 kg. Portanto, a pergunta que a figura 4 permite responder é: quantos bezerros de 200 kg se compra com a venda de um boi de 20 arrobas?


É a única tendência que analisamos até agora para “baixo”. A tendência aponta que saímos de algo em torno de 2,7 bezerros de 200 kg comprados com a venda de 20 arrobas, para algo abaixo de 2,4 bezerros. Na tendência, compramos 12% a menos de bezerros com a venda dos animais terminados. Se comparado o mês fevereiro de 2000, com fevereiro de 2019, a corrosão é de 16,5%.


Figura 4.
Número de bezerros de 200 kg comprados com a venda de um boi de 20 arrobas, 2000 a 2019.

Fonte: Cepea. Elaboração: Mariane Crespolini 


Portanto, quando nós tiramos as oscilações intrínsecas ao mercado, como o ciclo e a sazonalidade anual, a tendência é de um bezerro cada vez mais caro. Isto vale se analisado por animal e também se analisado por quilo de reposição. Quando analisado este fenômeno com o comportamento do preço da arroba do boi gordo, podemos ver, claramente, uma redução no poder de compra do terminador: menos bezerros comprados com a venda de boi gordo.


Para finalizarmos, só queria reforçar que esta análise não teve o objetivo de comparar ano a ano, mas sim algo “maior”, mais “macro”: as tendências.  Espero que esta análise ajude a sua tomada de decisão! Vamos conversando... até a próxima!


¹ Foi feita uma tendência linear simples. Poderíamos aplicar métodos estatísticos mais complexos, mas os resultados seriam muito próximos.


 



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