O embarque recorde veio das peles com menor valor, como o couro salgado e o wet blue.
Foto: Shutterstock
A exportação de peles e couros em agosto foi de 53,4 mil toneladas, o maior volume para um mês agosto. O desempenho foi 18,2% maior ao de agosto de 2025, quando o embarque foi de 45,2 mil toneladas, e 13,9% maior que o de julho de 2026, cujo embarque foi de 46,9 mil toneladas.
O faturamento acompanhou o volume, porém em menor escala. A receita com a exportação foi de US$93,0 milhões, avanço de 14,4% na comparação com agosto de 2025 (US$81,4 milhões) e de 11,3% frente a julho de 2026 (US$83,6 milhões).
A cotação média foi de US$1,74/kg, queda de 3,2% ante agosto de 2025 (US$1,80/kg) e de 2,3% na comparação com julho de 2026 (US$1,78/kg).
Figura 1.
Volume exportado de peles e couros nos meses de agosto, de 2015 a 2026, em mil toneladas.
Fonte: COMEX / Elaboração: Scot Consultoria
De janeiro a agosto, o embarque foi de 424,3 mil toneladas, alta de 7,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025 (395,6 mil toneladas) e recorde para o período. O faturamento, contudo, seguiu na direção oposta, com US$715,7 milhões, queda de 2,7% ante 2025 (US$735,3 milhões).
Figura 2.
Volume exportado (mil toneladas) e faturamento (US$ milhões) de peles e couros nos meses de agosto, de 2015 a 2026.
Fonte: COMEX / Elaboração: Scot Consultoria
O wet blue manteve a liderança em volume, com 34,6 mil toneladas embarcadas, o equivalente a 64,7% do total do mês, ante 67,4% em agosto de 2025, queda de 2,7 pontos percentuais. Em volume, cresceu 13,6% na comparação feita ano a ano e respondeu por 37,3% do faturamento, com preço médio de US$1,00/kg.
O couro salgado foi o destaque da expansão. O embarque subiu 36,8%, de 10,1 para 13,8 mil toneladas, e a participação passou de 22,3% para 25,8% do volume, avanço de 3,5 pontos percentuais. A receita mais que dobrou, de US$3,8 milhões para US$7,8 milhões, com o preço médio saindo de US$0,37/kg para US$0,57/kg.
A exportação de couro acabado, de maior valor agregado, caiu. O volume caiu 1,5%, de 3,4 para 3,3 mil toneladas, e a participação diminuiu de 7,5% para 6,3% do embarque, perda de 1,2 ponto percentual. Ainda assim, concentrou 43,0% do faturamento, a maior fatia da receita, com US$40,0 milhões e preço médio de US$11,93/kg. Em agosto de 2025, essa participação era de 49,2%.
O crust respondeu por 2,0% do volume e 11,1% do faturamento, negociado a US$9,61/kg. As aparas ficaram com 1,2% do volume e 0,3% da receita, com preço médio de US$0,41/kg.
Figura 3.
Participação em volume (à esquerda) e em faturamento (à direita) de peles e couros, por tipo, na exportação de agosto de 2025 e de agosto de 2026.
Fonte: COMEX / Elaboração: Scot Consultoria
O crescimento do embarque em agosto veio das categorias de menor valor por quilo. O couro salgado e o wet blue responderam, juntos, por 90,5% do volume exportado no mês, enquanto o couro acabado, que sozinho gera mais de 40% da receita, perdeu participação.
A China foi o principal destino, com 24,1 mil toneladas, o equivalente a 45,0% do volume embarcado no mês, alta de 40,5% ante agosto de 2025 (17,1 mil toneladas). Também liderou o faturamento, com US$29,6 milhões, avanço de 24,7%. As compras chinesas foram compostas em 98,8% por wet blue em setembro.
A Nigéria apareceu na sequência, com 8,6 mil toneladas, 16,1% do total, alta de 68,0% na comparação feita ano a ano. A pauta foi de 95,5% couro salgado, com preço médio de US$0,55/kg. A Itália embarcou 5,1 mil toneladas, 9,6% do total, queda de 15,9% ante agosto de 2025, e a Turquia, 3,3 mil toneladas, 6,1% do total, volume praticamente estável, com 98,1% em couro salgado.
O Vietnã reduziu as compras em 30,5%, para 3,2 mil toneladas, 6,1% do total, embora tenha gerado US$8,6 milhões, o quarto maior faturamento por destino. Já os Estados Unidos, com volume modesto de 983 toneladas, 1,8% do total, responderam pelo segundo faturamento, US$11,8 milhões, em função da concentração em couro acabado.
Figura 4.
Volume em mil toneladas (à esquerda) e faturamento em US$ milhões (à direita) exportado de peles e couros pelos principais destinos, em agosto de 2025 e de agosto de 2026.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
O Brasil exporta hoje mais couro do que em qualquer outro momento da série, mas com receita menor. O desempenho de agosto confirma o movimento observado ao longo de 2026, o avanço do volume tem se apoiado em matéria-prima em estágios menos processados, o que limita a geração de divisas mesmo diante de embarques recordes.
Zootecnista, formado pela UEMS/Aquidauana, Aquidauana/MS. Atua na área de ciências agrárias, análises e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado, com elaboração e realização de análises setoriais e pesquisas nos mercados do boi, carne e mercados internacionais, com enfoque para commodities agrícolas e Analista de mercado da Scot Consultoria.
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