• Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
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Carta Insumos - Cerca elétrica versus cerca convencional

Análise de custos e a viabilidade técnica.


Foto: Imagem gerada por IA

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A cerca é um componente importante para o manejo do rebanho e das pastagens. Além de delimitar áreas, ela permite subdividir piquetes, organizar o pastejo e restringir o acesso dos bovinos a locais que precisam ser protegidos. A escolha do sistema, interfere no investimento.

A cerca convencional atua como uma barreira física. A contenção depende da resistência dos fios, dos mourões e dos balancins.

Na cerca elétrica, o pulso emitido pelo eletrificador é gerado recebendo energia da rede elétrica, de uma bateria ou de um sistema fotovoltaico, a transformando em pulsos curtos de alta tensão e baixa corrente. Quando o bovino toca o fio, a corrente passa pelo corpo, alcança o solo e retorna ao equipamento por meio do aterramento, fechando o circuito. Por isso, ela é classificada como uma barreira psicológica.

Essa diferença permite reduzir a quantidade de arame e de madeira, utilizando mourões de menor diâmetro na cerca elétrica. O resultado pode ser um investimento menor, mas depende da configuração utilizada, da topografia, da distância entre os pontos de apoio, da fonte de energia e das cotações dos materiais e da mão de obra.

Qual o custo da implantação da cerca convencional para a elétrica?

A Embrapa Pecuária Sudeste apresentou em Dia de Campo em São Carlos, uma comparação do investimento para construir dez quilômetros de cerca convencional, com cinco fios, e de cerca elétrica, com três fios.

Na cerca convencional, a mão de obra foi o principal componente do investimento, com custo de R$75 mil, equivalente a 41,6% do total. Na sequência apareceram o arame, com R$57,8 mil, e os mourões, com R$34,7 mil.

Na cerca elétrica, a mão de obra também teve a maior participação, com R$38 mil, ou 43,7% do total. O arame representou R$29,4 mil e os mourões, R$14,5 mil. O sistema também incluiu eletrificador, isoladores tipo “W” e isoladores de canto (tabela 1).

Tabela 1.
Investimentos para construir 10km de cerca convencional versus elétrica.

Componentes Cerca Convencional
(5 fios)
Cerca elétrica
(3 fios)
Custos (R$)    
Arame 57.750,00 29.400,00
Esteios de canto 448,25 423,50
Mourões 34.720,00 14.491,51
Mão de obra 75.000,00 38.000,00
Balancins 12.400,00 -
Eletrificador - 3.100,00
Isoladores tipo “W” - 1.541,67
Isoladores de canto - 55,20
Investimento total 180.318,25 87.011,88
Investimento por quilômetro 18.031,83 8.701,19

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste (2026) | Elaboração: Scot Consultoria

A cerca elétrica exigiu R$93.306,37 a menos para os dez quilômetros. Isso representa uma redução de 51,7% em relação ao investimento para a cerca convencional (figura 1).

Figura 1.
Custo total para dez quilômetros de cerca convencional e elétrica, em R$.
Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste (2026) | Elaboração: Scot Consultoria.

A diferença foi explicada pelo menor gasto com mão de obra, arame e mourões. Somados, esses três componentes custaram R$167,5 mil na cerca convencional e R$81,9 mil na elétrica.

Os números representam as condições consideradas no levantamento e não devem ser aplicados a todas as propriedades. O investimento pode mudar conforme a região, a qualidade dos materiais, o tipo de madeira, o relevo, a quantidade de porteiras, o eletrificador escolhido e a disponibilidade de mão de obra.

Instalação exige planejamento

O menor investimento não garante o funcionamento do sistema. Uma cerca elétrica mal dimensionada pode perder eficiência, aumentar a necessidade de manutenção e permitir a passagem do rebanho.

O aterramento também interfere no desempenho. As hastes galvanizadas devem ter de dois a três metros e ser instaladas, preferencialmente, em solo que permaneça úmido durante a maior parte do ano. Para eletrificadores, a recomendação é utilizar, a potência de um joule para cada cinco quilômetros de cerca.

A distância entre os mourões pode variar de 15 a 40 metros, conforme a topografia. Em terrenos irregulares, o espaçamento deve ser reduzido para manter os fios na altura adequada.

A voltagem precisa ser verificada em diferentes pontos da instalação, e deve permanecer entre cinco mil e 12,0 mil volts.

Vegetação encostada nos fios, conexões inadequadas, isoladores danificados e falhas no aterramento reduzem a eficiência do sistema.

Materiais improvisados, como garrafas PET e pedaços de borracha utilizados como isoladores, não são recomendados. Isoladores próprios para cercas elétricas, arames galvanizados, conectores e tensores adequados diminuem as perdas de energia e facilitam a manutenção.

Adaptação do rebanho

Os bovinos precisam de adaptação, conhecido como “escolinha”. O contato controlado com a cerca permite que reconheçam o estímulo e aprendam a respeitar os fios.

Para a cria e recria, é recomendado aterramentos dos fios negativos, fios triplamente galvanizados, pois tem a melhor condutividade é mais fino e mais fácil de manusear, num espaçamento entre os fios de, 120 centímetros, 80 centímetros e 40 centímetros.

Já para o gado de engorda, o fio inferior pode ser retirado, totalizando dois fios (um positivo e outro negativo).

A comparação deve considerar a propriedade

O levantamento indica que a cerca elétrica pode reduzir o investimento na subdivisão interna das pastagens. No cenário analisado, a diferença foi mais que R$93,3 mil em dez quilômetros.

A decisão, não deve considerar apenas o desembolso inicial. O produtor precisa avaliar a finalidade da cerca, a categoria bovina mantida no pasto, a topografia, a disponibilidade de energia, a qualidade do aterramento e a capacidade de realizar inspeções periódicas.

Quando dimensionada e instalada corretamente, a cerca elétrica pode ser uma alternativa para ampliar as subdivisões da propriedade e melhorar o controle do pastejo com menor necessidade de capital.

Referências:

EMATER-MG. Construção de cercas elétricas aplicadas à pecuária. Belo Horizonte: Emater-MG, 2026.

EMBRAPA PECUÁRIA SUDESTE. Desmistificando a cerca elétrica: diferencial de custo para dez quilômetros. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2026.

LOURENÇO JUNIOR, J. de B. et al. Cerca elétrica para bovídeos em pastejo rotacionado intensivo. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2000.

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