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Scot Consultoria

Ferramentas digitais para a gestão de sistemas de produção de leite bovino em pasto


Quarta-feira, 11 de novembro de 2020 - 12h00

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Unsplash


A inovação tecnológica tem contribuído para a agricultura com acréscimos de 20% na produtividade e economia de 30% em insumos. Na pecuária leiteira esses ganhos ainda não foram quantificados, mas é fato que as inovações tecnológicas que vêm sendo adotadas pelos produtores de leite nos últimos anos têm facilitado, e muito, a execução dos trabalhos do dia a dia das fazendas, como também a gestão da atividade.


Entre as inovações tecnológicas já desenvolvidas para o agronegócio, chegamos à era digital, na qual ferramentas digitais têm sido desenvolvidas e aplicadas em todas as áreas da atividade pecuária, desde a reprodução, passando pelo melhoramento genético, pela nutrição, saúde animal, instalações e gestão.


A começar pela facilidade que um consultor tem atualmente para fazer um inventário dos recursos de uma propriedade, com base no qual ele emitirá um diagnóstico da situação atual e da potencial daquela fazenda usando sistemas de monitoramento por satélite através de imagens em tempo real acompanhados pelo computador, celular ou tablet. Essas ferramentas permitem acessar e carregar informações da área da propriedade ocupada por sistemas integrados de produção, por pastagens degradadas, áreas de preservação, tipos de lavouras existentes, com apoio de mapas e imagens por satélite. Por exemplo, o Agrotag, desenvolvido pela EMBRAPA com o apoio da Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), o instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa da Plataforma ABC.


Já nos trabalhos de rotina, um consultor pode fotografar e filmar em tempo real a condição pontual da propriedade com vôos de drones e saber quais piquetes estão sendo ocupados por animais, erros de manejo do pastejo, piquetes infestados por plantas invasoras ou com sintomas de ataque de pragas, sinais de erros na distribuição de adubos... e antes mesmo de andar pela fazenda já ter uma conclusão prévia da situação atual.


Para a escolha das espécies forrageiras que serão estabelecidas na propriedade e seu manejo do pastejo existe o aplicativo Pasto Certo, por enquanto disponível apenas na plataforma Android para dispositivos móveis (celulares e tablet), desenvolvido pela EMBRAPA Gado de Corte em parceria com a Faculdade de Ciência da Computação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que permite identificar as características e comparar as principais forrageiras disponíveis no mercado, num total de 16 forrageiras com 107 variáveis distribuídas em seis características: identidade, morfologia, dados agronômicos, manejo de pastejo, sistemas integrados e estágio juvenil ou plântula, além das informações sobre recomendação de uso e restrições de cada uma.


Para o controle de pragas (cigarrinhas, lagartas) e doenças (fungos), especificamente para o controle biológico, uma empresa líder mundial neste tipo de controle desenvolveu um aplicativo que orienta quais inseticidas ou fungicidas biológicos usar e a sua compatibilidade com produtos químicos, quer sejam inseticidas, fungicidas ou herbicidas, dando um guia para o produtor poder, em uma só operação de aplicação, aplicar mais de um produto, por exemplo, um inseticida biológico com um herbicida químico.


Para o planejamento alimentar, a pesquisadora da EMBRAPA Caprinos e Ovinos de Sobral, Ceará, Ana Clara Cavalcante, em parceria com a CNA, desenvolveu o aplicativo “Orçamentação forrageira” para produtores do semi-árido, com base em dados históricos de chuvas, de produção de forragem e dados fornecidos pelo próprio produtor. Ainda na área de planejamento alimentar, o Grupo de Pesquisa em Conservação de Forragens do Departamento de Zootecnica da ESALQ lançou um aplicativo para smartphone para estimar perdas de silagem através de imagens termográficas, dando suporte ao produtor para melhorar o processo na ensilagem.


Para a compra de touros foi lançado pela EMATER-MG, em parceria com a ABCZ, como parte do programa Pró-Genética, um aplicativo gratuito que está disponível para os sistemas operacionais iOS e Android para tablets e celulares.


Para a saúde animal existe o aplicativo CPVS, disponível nas plataformas Android, Windows e iOS do SINDAN (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Saúde Animal), que é um compêndio de produtos veterinários aprovados pelo MAPA com 3.023 produtos de 114 empresas. Ainda nesta área, o dispositivo Smart Farm e a coleira C-Tech, desenvolvidos pela startup CowMed, de Santa Maria - RS, monitora as variações comportamentais do animal pela análise do tempo de ruminação, atividade e ócio.


Para a área de nutrição animal, o Systech Feeder, desenvolvido pela startup Systech Feeder, de Piracicaba - SP, é um sistema integrado hardware:software que monitora em tempo real o consumo de concentrado e o ganho de peso de bezerras durante a fase de aleitamento e tem como objetivo definir o momento adequado para o desaleitamento, otimizar tempo e mão de obra, promover o ganho em desempenho e reduzir o custo de alimentação da bezerra.


E para o produtor de leite saber se o rebanho está respondendo a todo o manejo que ele adota, têm sido desenvolvidos os sistemas de monitoramento de peso corporal e de ganho de peso individual em tempo real para sistemas em pasto; são as “balanças de passagem”, que ficam nas áreas de lazer, próximas aos bebedouros, cochos de suplementação etc., são moveis, portáteis. Apresentam basicamente três componentes principais: as células de pesagem, os leitores eletrônicos e um dispositivo de transmissão de dados por radiofrequência. As informações são coletadas e enviadas sem necessidade de internet para um software em um computador remoto. Independente do sistema de produção, que seja em pasto ou confinado, as balanças de passagem podem ser instaladas na saída da sala de ordenha.


Para a gestão da fazenda, têm sido desenvolvidos aplicativos que não necessitam de internet e usam o GPS do celular, que fica com integrantes da equipe da fazenda e que vão registrando as tarefas executadas por meio de voz, texto e fotografias. Esse tipo de aplicativo elimina o uso de planilhas. Na área de pastagens é possível registrar a mudança de animais de piquetes, as taxas de lotação, piquetes que foram roçados, adubados, onde houve controle de plantas invasoras e de pragas etc.


O APP 4 Milk, parceria entre a Revista Balde Branco e a empresa 4 Milk, trouxe a proposta “do seu rebanho na palma da mão”. É gratuito, funciona on e off line, em multiplataformas (Android, iOS, e Windows desktop), e permite agendar tarefas com grupos de animais, manejo sanitário, manejo do rebanho etc., e emite relatórios em PDF.


Esses são apenas alguns exemplos das ferramentas digitais já disponíveis, e com certeza existem muitas outras, porque diariamente novas soluções tecnológicas são colocadas no mercado e muitas virão, eu tenho certeza. Digo isso porque em 2007, quando fui para o FieldDays (uma feira de agronegócio como as muitas que são realizadas aqui no Brasil) na Nova Zelândia, vi praticamente todas estas ferramentas digitais que estão chegando aqui atualmente.


O produtor de leite, os integrantes das equipes das fazendas, os consultores e estudantes precisam saber que muitas ferramentas digitais são gratuitas e estão disponíveis para serem baixadas em computadores, celulares e tablets, que essas ferramentas facilitarão muito os trabalhos nas fazendas, trarão agilidade e eficiência na execução das tarefas e na avaliação de resultados.


Entretanto, é preciso chamar a atenção para o seguinte fato: não quer dizer que todo conhecimento que está disponível nestas ferramentas seja aplicado em toda e em qualquer situação, e que muito pode já estar ultrapassado, ou não ter sido validado para condições específicas. Enfim, por enquanto as ferramentas digitais ainda não superaram o conhecimento teórico e a experiência pratica dos profissionais que os tem e que por fim irão filtrar o que está disponível e saber tomar as decisões de como, porque, quando e o quanto adotar do que está disponível.



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