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Scot Consultoria

Ferramentas digitais para a gestão de sistemas de produção de carne bovina em pasto


Terça-feira, 13 de outubro de 2020 - 11h00

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Freepik


A inovação tecnológica tem contribuído para a agricultura com acréscimos de 20% na produtividade e economia de 30% em insumos. Na pecuária estes ganhos ainda não foram quantificados, mas é fato que as inovações tecnológicas que vem sendo adotadas pelos pecuaristas nos últimos anos têm facilitado, e muito, a execução dos trabalhos do dia a dia das fazendas, como também a gestão da atividade.


Entre as inovações tecnológicas já desenvolvidas para o agronegócio chegamos à era digital, na qual ferramentas digitais têm sido desenvolvidas e aplicadas em todas as áreas da atividade pecuária, desde a reprodução, passando pelo melhoramento genético, pela nutrição, saúde animal, instalações e gestão.


E não tem sido diferente para a área de manejo da pastagem e produção animal em pasto.  Durante os 29 anos que lecionei Forragicultura e Pastagens e Plantas Forrageiras na graduação nos cursos de Agronomia e Zootecnia na FAZU, ministro palestras e presto serviços de assistência técnica e consultoria aos pecuaristas no Brasil e no exterior. Por 20 anos ministrando aulas no curso de pós graduação em Manejo da Pastagem adoto uma sequência de áreas dentro da ciência de pastagem para ensinar aos alunos, implantar projetos de pecuária em pasto ou acompanhar projetos já implantados e que é a seguinte: a escolha da espécie forrageira, o estabelecimento da pastagem, a construção da infra-estrutura da fazenda, o manejo do pastejo, o planejamento alimentar, a suplementação do rebanho em pasto, o controle de plantas invasoras, de pragas e doenças, o manejo da fertilidade e da irrigação do solo. Então aqui vou apresentar algumas das ferramentas digitais que foram desenvolvidas e estão sendo usadas nestas diferentes áreas para o manejo da pastagem e a contribuição delas no sistema de produção.      


A começar pela facilidade que um consultor tem atualmente para fazer um inventário dos recursos de uma propriedade com base no qual ele emitirá um diagnóstico da situação atual e do potencial daquela fazenda usando sistemas de monitoramento de pastagens por satélite através de imagens em tempo real acompanhado pelo computador, celular ou tablet. Estas ferramentas permitem acessar e carregar informações da área da propriedade ocupada por sistemas integrados de produção, por pastagens degradadas, áreas de preservação, tipos de lavouras existentes com apoio de mapas e imagens por satélite. Como exemplo, podemos citar o “Agrotag”, desenvolvido pela EMBRAPA com o apoio da Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), o instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa da Plataforma ABC.


Já nos trabalhos de rotina um consultor pode fotografar e filmar em tempo real a condição pontual da propriedade com voos de drones e saber quais piquetes estão sendo ocupados por animais, erros de manejo do pastejo, piquetes infestados por plantas invasoras ou com sintomas de ataque de pragas, sinais de erros na distribuição de adubos... e antes mesmo de andar pela fazenda já ter uma conclusão prévia da situação atual.


Para a escolha das espécies forrageiras que serão estabelecidas na propriedade e seu manejo do pastejo podemos citar o aplicativo “Pasto Certo”, por enquanto disponível apenas na plataforma Android para dispositivos móveis (celulares e tablet), desenvolvido pela EMBRAPA Gado de Corte em parceria com a Faculdade de Ciência da Computação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que permite identificar as características e comparar as principais forrageiras disponíveis no mercado, num total de 16 forrageiras com 107 variáveis distribuídas em seis características: identidade, morfologia, dados agronômicos, manejo de pastejo, sistemas integrados e estágio juvenil ou plântula, além das informações sobre recomendação de uso e restrições de cada uma.


Para o controle de pragas (cigarrinhas, lagartas) e doenças (fungos), especificamente para o controle biológico, uma empresa líder mundial neste tipo de controle desenvolveu um aplicativo que orienta quais inseticidas ou fungicidas biológicos usar e a sua compatibilidade com produtos químicos, quer sejam inseticidas, fungicidas ou herbicidas, dando um guia para o produtor poder, em uma só operação de aplicação, aplicar mais de um produto, por exemplo, um inseticida biológico com um herbicida químico.


Para o planejamento alimentar a pesquisadora da EMBRAPA Caprinos e Ovinos de Sobral, Ceará, Ana Clara Cavalcante, em parceria com a CNA, desenvolveu o aplicativo “Orçamentação forrageira” para produtores do semi-árido com base em dados históricos de chuvas, de produção de forragem e dados fornecidos pelo próprio produtor.


E para o pecuarista saber se o rebanho está respondendo a todo o manejo que ele adota têm sido desenvolvidos os sistemas de monitoramento de peso corporal e de ganho de peso individual em tempo real para sistemas em pasto, são as “balanças de passagem” móveis e portáteis que ficam nas áreas de lazer, próximas aos bebedouros, cochos de suplementação etc. Apresentam basicamente três componentes principais: as células de pesagem, os leitores eletrônicos e um dispositivo de transmissão de dados por radiofrequência. As informações são coletadas e enviadas sem necessidade de internet para um software em um computador remoto.


Para a gestão da fazenda têm sido desenvolvidos aplicativos que não necessitam de internet e usam o GPS do celular, que fica com integrantes da equipe da fazenda e vão registrando as tarefas executadas por meio de voz, texto e fotografias. Este tipo de aplicativo elimina o uso de planilhas. Na área de pastagens é possível registrar a mudança de animais de piquetes, as taxas de lotação, piquetes que foram roçados, adubados, onde houve controle de plantas invasoras e de pragas etc.


Estes são apenas alguns exemplos das ferramentas digitais já disponíveis e, com certeza, existem muitas outras, já que diariamente novas soluções tecnológicas são colocadas no mercado e muitas virão, tenho certeza. Digo isso porque em 2007 quando fui para o FieldDays (uma feira como a AgriShow e outras aqui no Brasil) na Nova Zelândia vi praticamente todas estas ferramentas digitais que estão chegando aqui atualmente.


O pecuarista, os integrantes das equipes das fazendas (gerentes, capatazes, vaqueiros, tratoristas), consultores e estudantes precisam saber que muitas ferramentas digitais são gratuitas e estão disponíveis para serem baixadas em computadores, celulares e tablets, e que estas ferramentas facilitarão muito os trabalhos nas fazendas, trarão agilidade e eficiência na execução das tarefas e na avaliação de resultados.


Entretanto é preciso chamar a atenção para o seguinte fato: não quer dizer que todo conhecimento que está disponível nestas ferramentas seja aplicado em toda e em qualquer situação, e que muito pode já estar ultrapassado, ou não ter sido validado para condições específicas. Enfim, por enquanto as ferramentas digitais ainda não superaram o conhecimento teórico e a experiência prática dos profissionais que os tem e que irão filtrar o que está disponível e saber tomar as decisões de como, porque, quando e o quanto adotar do que está disponível.





Antecipe-se às tendências e planeje um 2021 com o pé no chão. Faça sua inscrição no Encontro de Analistas da Scot Consultoria e fique à frente do mercado pecuário. Dia 27/11 em São Paulo ou onde você estiver.


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