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Scot Consultoria

Mercado do boi gordo no primeiro semestre


Terça-feira, 28 de julho de 2020 - 11h00

Zootecnista, formada pela Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, Câmpus Rondonópolis-MT. É analista de mercado da Scot Consultoria. Pesquisadora de mercado nas áreas de boi, leite e grãos.


Foto: Scot Consultoria


Introdução

O objetivo dessa análise é trazer uma retrospectiva do primeiro semestre de 2020 do mercado do boi gordo em meio a pandemia e expectativas para os próximos dias.


Variações semestral

Passadas as altas registradas no último trimestre de 2019 decorrentes da demanda externa aquecida, especialmente para a China, entre o fim de janeiro e começo de fevereiro o mercado do boi gordo ganhou firmeza.


Não é novidade o ajuste negativo ocorrido em janeiro (tabela 1), dado o quadro de consumo lento de carne bovina no mercado doméstico após o período de festividades no final de ano. Lembrando também que essa época permite a retenção de boiadas em função da boa disponibilidade de pasto. Além disso, os altos preços vigentes em novembro ainda estavam frescos na memória do pecuarista.


Em fevereiro a oferta comedida de boiadas desenhou a firmeza vivida no mercado do boi gordo. É importante ressaltar que estamos num ano de ciclo de alta dos preços pecuários, marcado pela retenção de matrizes para a produção de bezerros, determinante para esse cenário firme de preços.


Em março a pandemia provocada pelo covid-19 surpreendeu o mercado, afetando as transações mercantis de carne bovina no mercado interno e externo. O mercado do boi gordo cedeu em função das incertezas dos impactos das medidas de contenção da propagação da doença sobre o consumo de carne no mercado doméstico e, com o que aconteceria com as exportações.


A chegada de maio trouxe queda de temperatura e da qualidade das pastagens, recriadores e invernistas foram entregando suas boiadas para os frigoríficos, mas, vale ressaltar que a desova de final de safra neste ano não foi volumosa, foi em menor quantidade.


A perspectiva após maio ficou menos turva, com a flexibilização da quarentena em algumas regiões e o comportamento do mercado interno dando sinais de melhoras.


De lá para cá, até a data desta análise (23/7), a oferta limitada de boiadas terminadas ditou o rumo do mercado do boi gordo, com o bom desempenho das exportações colaborando.


Tabela 1.
Variação média da cotação da arroba do boi gordo no primeiro semestre de 2020 nas praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


Rio Grande do Sul

A falta de chuvas entre abril/maio prejudicou as pastagens que, consequentemente, perderam qualidade.


Nesta mesma época em 2019 conforme a capacidade de suporte da pastagem foi caindo (tabela 2) os recriadores foram entregando boiadas gordas, resultando na queda do preço em função da maior oferta aos frigoríficos.


Nesse ano, de abril/maio em diante, nos deparamos com uma inversão de cenário, com uma valorização que chegou a 19,4% na referência da cotação do boi gordo no estado.


A desova da pastagem de verão não foi tão sentida em função da retenção de fêmeas, no entanto, os principais vetores de alta do mercado podem ser explicados pelo aumento da ociosidade dos frigoríficos em função do enfraquecimento da demanda doméstica por carne bovina, associado à própria oferta restrita de bovinos terminados.  


No primeiro semestre de 2020 a ociosidade chegou a 31,3%, ante 24,6% em igual período de 2019.


Atualmente as pastagens de inverno em boas condições estimulam a demanda de gado para engorda, além das altas no mercado do boi gordo que também impulsionam a procura.


Para os próximos dias a expectativa é de cotações firmes.


Tabela 2.
Variação da cotação da arroba do boi gordo no primeiro semestre de 2019 e 2020 no Rio Grande do Sul.
Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


Expectativas

A queda de braço entre indústria e pecuarista tem feito com que o mercado do boi gordo evolua a passos lentos. A limitada oferta de boiadas terminadas não permite que a pressão de baixa ganhe corpo.


Com referência à exportação, no primeiro semestre o Brasil exportou 777,42 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 14,2% maior frente à igual período de 2019. A expectativa é que seja mantido esse desempenho, com a China “brigando” nas negociações.


Contudo, programações de abate curtas e dificuldade na originação de boiadas são a tônica do mercado do boi gordo.





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