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Capins infestantes da pastagem - parte II


Quarta-feira, 12 de junho de 2019 - 05h55

por Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Scot Consultoria


Independente da planta infestante (clique aqui e veja mais sobre suas características), se uma monocotiledônea (Poacea, gramínea, capim, planta de folha estreita) ou dicotiledônea (Fabacea, planta de folha larga, latifoliada), o manejo e controle devem ser os mesmos. Como manejos de plantas infestantes são adotados o preventivo e o cultural. Como métodos de controle são adotados o mecânico, o biológico, e o químico. Manejo e controle devem ser adotados de forma integrada. 


O fogo tem sido usado por milhares de anos pelo homem no controle de plantas infestantes, mas tecnicamente não é recomendado. E no caso do uso do fogo para o controle dos capins infestantes está comprovado que o efeito é contrário já que o fogo quebra a dormência das sementes destes capins acelerando a sua germinação. 


Para prevenir a infestação das áreas de pastagens de uma propriedade adotam-se os manejos, preventivo e cultural.


O manejo preventivo consiste na compra de sementes de alta porcentagem de pureza para o estabelecimento da pastagem; na adoção de protocolo de recebimento de animais recém-chegados na propriedade; na limpeza de roupas e calçados de trabalhadores que trabalharam em áreas infestadas; na limpeza de implementos, de máquinas e veículos que transitaram e trabalharam em áreas infestadas. 


O manejo cultural consiste no manejo correto da pastagem para que a planta forrageira tenha vigor para competir com as plantas infestantes evitando que estas infestem as áreas. Faz parte do manejo da pastagem para esta finalidade a escolha e estabelecimento de plantas forrageiras adaptadas às condições de clima e solo da região; o estabelecimento correto da pastagem; o manejo correto do pastejo pelas alturas alvos especifica, para cada espécie e variedade de planta forrageira, os ajustes da taxa de lotação à capacidade de suporte da pastagem; o controle de pragas (insetos, nematóides etc.); a correção e adubação do solo, etc.. 


Se plantas infestantes já estiverem presentes na pastagem é preciso adotar os métodos de controle. Para definir quais métodos serão adotados é necessário primeiro fazer um levantamento do nível de infestação para decidir pela recuperação ou pela renovação da pastagem.


Recuperar é quando o estande da planta forrageira está uniforme, cobrindo quase toda a superfície de solo da área do piquete e o nível de infestação dos capins infestantes for baixo, abaixo de 10% da composição botânica da pastagem e mais concentrado em reboleiras, nos malhadouros.


Por outro lado, renovar é quando o estande da planta forrageira está desuniforme, falhado, ocupando uma pequena proporção da superfície da área do piquete e o nível de infestação dos capins infestantes está acima de 10% da composição botânica da pastagem e dispersos pela área do piquete.


A recuperação é feita diretamente, enquanto a renovação pode ser pelo método direto ou pelo método indireto. Pelo método indireto se faz a integração com cultivos agrícolas.


Na recuperação direta adotam-se os seguintes procedimentos: ajuste da taxa de lotação à capacidade de suporte da pastagem; faz se o controle das plantas infestantes e de pragas se houver pragas, corrigir e adubar o solo. No caso específico do controle dos capins infestantes, este é feito com pulverização de herbicidas não seletivos de forma dirigida no alvo (à planta infestante), ou seja, uma aplicação localizada, ou arrancando a planta infestante. Neste caso as plantas arrancadas devem ir sendo colocadas em sacos, ou sobre uma lona, ou em uma carreta, e depois levadas para longe e queimadas.


Na renovação direta adota-se a seguinte sequência de procedimentos: dessecação da vegetação no último mês de chuvas na região, uma sequência de gradagens pesada e intermediária durante a seca com intervalo de um mês entre estas; aração invertida um mês antes do plantio da pastagem, grade niveladora, semeadura ou plantio de mudas, cobertura das sementes ou das mudas e aplicação de herbicida pré-emergente.


Quando é possível integrar com lavoura, ou seja, a renovação indireta, fica bem mais fácil e mais segura a certeza de controle eficaz porque durante o ciclo da cultura agrícola é possível usar um amplo espectro de ingredientes ativos de herbicidas seletivos às culturas agrícolas, mas que controlam os capins infestantes. Neste caso é possível aplicar herbicidas em pré-plantio, em pré-emergência, e em pós-emergência. 


O uso de um amplo espectro de ingredientes ativos de herbicidas seletivos (em pré-plantio, em pré-emergência e em pós-emergência) ainda é possível quando se faz o plantio de pastagem com forrageiras que se reproduzem apenas por via vegetativa (por mudas) como a maioria das variedades da espécie do capim-elefante e a maioria das espécies do gênero Cynodon sp, principalmente o cultivar Tifton 85. 


Os custos de controle de plantas infestantes gramíneas ou capins é relativamente mais alto que os custos de controle de plantas infestantes de folha larga, porque para o controle destas últimas têm um grande portfólio de ingredientes ativos de herbicidas seletivos que controlam as plantas infestantes sem causar fitotoxidez na gramínea forrageira. Por outro lado, quando a planta infestante é também uma gramínea, como são os capins capeta e navalha, o desafio é muito grande porque ainda não se identificou um herbicida seletivo que seja totalmente eficaz no controle deste tipo de planta infestante sem causar fitotoxidez na gramínea forrageira.


Fazendo uma retrospectiva da minha experiência com o controle químico destes capins invasores, em 1997, na região pastoril de Itapetinga-BA, eu vi pecuaristas e gerentes atentos e preocupados com o controle de capins infestantes, principalmente do capim-capeta, fazendo controle mecânico manual, arrancando as plantas. Mas eles cometiam um erro: não retirar as plantas arrancadas da área e levá-las para longe para serem queimadas. Como este método é muito lento, trabalhoso, envolve muita mão-de-obra é caro, eu comecei a pesquisar outros métodos de controle e me dediquei mais ao método de controle químico porque já sabia que para o controle de plantas infestantes de folha larga é o mais eficaz e de melhor relação de beneficio:custo no médio:longo prazo (cada R$1,00 gasto no controle químico o benefício é de R$2,10 a R$5,40). 


Em experimentos conduzidos na África (desde a década de 90), Austrália (desde a década de 80), Brasil (desde a década de 70), e Cuba (desde a década de 80), foram avaliados os ingredientes ativos de herbicidas Ametrin, Atrazina, Bentazon, Chlorimuron-ethyl, Diuron. Flumetsulam, Glifosato, Imazaquin, Imazapique, Imazapir, Imazethapyr, Nicosulfuron, aplicados em pré e em pós-emergência em campos de sementes e pastagens das espécies forrageiras Andropogon gayanus; Brachiaria brizantha (marandu, piatã, xaraés); decumbens; humidicola (llanero, tupi); Cynodon (gramas estrelas); Panicum maximum cv Massay, Mombaça e Tanzânia. 


Eu comecei a acompanhar testes de campo em fazendas comerciais desde 2012, no Pará, 2013, no Mato Grosso do Sul, e 2014 no Tocantins e em Minas Gerais. 


As pesquisas e os testes de campo têm demonstrado que: 


- Os melhores resultados têm sido na renovação indireta com integração com lavoura e na renovação direta com o estabelecimento de pastagens de capim-tifton 85 com aplicação de herbicidas em pré-plantio, pré-emergência e pós-emergência, em ambos os casos; 


- O segundo melhor resultado tem sido na renovação direta no plantio de forrageiras por sementes com aplicação de herbicida em pré-emergência;


- Em pastagens já estabelecidas com forrageiras que produzem sementes viáveis os resultados são erráticos, ora com alta eficácia, ora com baixa ou nenhuma eficácia. Os melhores resultados têm sido no controle do capim-navalha, que tem se mostrado bem menos tolerante aos herbicidas testados, enquanto para o capim-capeta os resultados são muito inconsistentes. E os resultados com pulverização aérea a baixo volume tem sido os melhores porque a fitotoxidez provocada pelos herbicidas sobre as plantas forrageiras é muito baixa quando comparada com a pulverização com pulverizador costal e tratorizado (alto volume de calda e tipo de bico pulverizador). 


Os maiores desafios a serem superados para a recomendação sistemática do uso de herbicidas no controle destes capins infestantes são: 


- A pesquisa nacional, em parceria com a indústria de herbicidas, precisa assumir a responsabilidade de conduzir experimentos em vez de deixar que os produtores, na busca de encontrar uma solução para o controle ficarem conduzindo testes nas fazendas; 


- É preciso definir os ingredientes ativos dos herbicidas e suas doses, o volume de calda, o tipo de bico pulverizador, o tamanho da gota de pulverização, o estádio das plantas infestantes para o seu controle, seu efeito residual etc.; 


- As melhores notícias que podem ser dadas no momento para o controle de capins infestantes são: 


a) A validação e lançamento da máquina roçadora química do programa Campo Limpo (EMBRAPA Pecuária Sul) fabricada pela empresa de máquinas Grazmec para o controle do capim-annoni (Eragrostis plana) nos campos sulinos a qual pode ser usada no controle dos capins capeta e navalha; 


b) O registro no dia 11 de maio de 2018 (ato no. 37 de 09/05/2018, D.O.U de 11/05/2018) de um herbicida comercial à base dos ingredientes ativos Imazapique e Imazapir. Por enquanto o registro foi apenas para a espécie do capim-navalha. Então a partir de agora o técnico poderá recomendar e o produtor usar este herbicida legalmente. 


É claro, após a solução dos desafios citados anteriormente.


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