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Scot Consultoria

O caminhar da pecuária brasileira


Quinta-feira, 24 de janeiro de 2019 - 18h00

por Letícia Vecchi

Zootecnista, formada pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus Botucatu-SP. É analista de mercado da Scot Consultoria. Pesquisadora de mercado nas áreas de boi, leite e grãos.


Foto: Scot Consultoria


A pecuária de corte no Brasil sempre se caracterizou por ser uma atividade extensiva. O clima e as pastagens favorecem a criação em pasto, o que permite menores custos de produção.


Porém, as adversidades econômicas que envolveram o país até meados de 1990, não permitiram muitos avanços na pecuária.


Até a década de 80, o mercado do boi era visto como uma válvula de escape para preservação de capital já que a economia estava em ruínas e a inflação em patamares fenomenalmente altos.


Esse cenário, consequentemente, manteve a produtividade média da pecuária abaixo de 1@/ha/ano.


Com o advento do plano real, a economia foi reconstruída e investimentos no setor começaram a serem feitos, retomando um processo de desenvolvimento na pecuária.  


Evolução da produtividade


Ao longo dos anos a pecuária de corte passou por diversas mudanças e evoluções.


O pecuarista entendeu as pastagens como uma cultura agrícola, que deve ser manejada e adubada para melhor aproveitamento da terra.


O desenvolvimento de novas técnicas de manejo e uso de tecnologia permitiu a otimização da área já ocupada pela pecuária sem que houvesse a necessidade de expansão em novas áreas.


A partir de 1995 a área ocupada com pastagens começou a diminuir, enquanto o rebanho nacional continuava a aumentar. A taxa de lotação passou de 0,60 para 1,15 cabeça por hectare de 1970 para 2017 (IBGE). Um crescimento de 91,7%!


Figura 1. 
Relação entre a área de pastagem e o rebanho brasileiro.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


A produção de carne, por sua vez, foi gradativamente aumentando e passamos de 1,85 milhão de toneladas em 1970 para 9,90 milhões de toneladas em 2018 (USDA). Um crescimento estupendo de 435,1%.


Isso corresponde a um salto de produtividade de 0,92@/ha/ano para 4,40@/ha/ano, no mesmo período, veja na figura 2. Um crescimento de 378,3% em produtividade.


E, a atividade que era extensiva e extrativista melhorou os índices produtivos e reprodutivos do rebanho e ganhou espaço em âmbito internacional.


Figura 2. 
Evolução da produtividade média no Brasil em @/ha/ano.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / USDA / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


Os gigantes da pecuária


A vantagem em relação aos concorrentes é gritante. Todas as características edafoclimáticas brasileiras facilitam a produção em pasto, o que torna a nossa produção competitiva comparada com os outros países, onde a maior parte dos bovinos precisa ser confinado durante a engorda.


A produtividade em 2018, em arrobas por hectare por ano, em pasto, nos Estados Unidos, maior produtor de carne do mundo, foi 3,10. Para a Austrália, grande referência no setor também, essa relação foi ainda menor, 0,45@/ha/ano (USDA e ABS).


O inverno rigoroso dos Estados Unidos e o deserto existente na Austrália não permitem que esses países sejam tão eficientes quanto o Brasil na produção em pasto.


Mas é importante ficar de olho em outros índices produtivos dos concorrentes para buscar eficiência.


Um bom exemplo é o peso médio da carcaça no Brasil que em 2018 foi de 250,6kg, enquanto que na Austrália e Estados Unidos foi de 278,9kg e 364,4kg, respectivamente.


Para ilustrar, a Scot Consultoria desenvolveu uma simulação demonstrando o potencial de aumento na produção de carne bovina nacional caso o Brasil possuísse os índices produtivos equiparados aos Estados Unidos e Austrália. 


Figura 3. 
Simulações do aumento na produção de carne nacional com índices produtivos comparados aos dos Estados Unidos e Austrália. 

*Peso médio da carcaça australiana = 278,9kg.
** Taxa de desfrute dos EUA = 25,4%.
Fonte: USDA / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


Nessas condições, se mantivéssemos a área de pastagem existente hoje, a produtividade média do Brasil saltaria de 4,4@ para 8,9@/ha/ano no cenário em que ambos os índices produtivos fossem melhorados.


Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as possibilidades de aumento de produção, são enormes. O Brasil possui espaço, clima e as condições necessárias para que possamos melhorar a produção e nos tornarmos os mais eficientes e os mais competitivos internacionalmente.


Fontes:


Banco de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (UDSA).


Banco de dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Banco de dados Australian Burian Statistics (ABS).


Banco de dados da Scot Consultoria.




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