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Scot Consultoria

A China e sua importância no mercado de leite


Quarta-feira, 9 de dezembro de 2015 - 15h40

Zootecnista, formado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Ilha Solteira-SP, mestre em Administração de Organizações Agroindustriais pela UNESP, Câmpus de Jaboticabal-SP. É analista e consultor de mercado da Scot Consultoria. Coordena as divisões de pecuária de leite, grãos e avaliação e perícia. Editor-chefe do Relatório do Mercado de Leite, publicação da Scot Consultoria. Atuação nas áreas de análises, estabelecimento de cenários, estratégias de mercado, realização de projeções de preços, oferta, demanda, análises setoriais e pesquisa de opinião e imagem. Ministra aulas, palestras, cursos e treinamentos nas áreas de mercado de leite, boi, grãos e assuntos relacionados à agropecuária em geral.



A China passou a ter um papel de destaque no mercado internacional de lácteos a partir de 2008, quando problemas de contaminação de leite em pó de empresas locais prejudicaram a imagem do setor no país e provocaram o aumento das importações.


De 2000 a 2008 a China importou, em média, 66,1 mil toneladas de leite em pó integral por ano, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).


Este era o padrão de importação do país até então, com volumes variando de 40,0 mil a 90,0 mil toneladas de leite em pó integral por ano, somados a 45,0 mil toneladas, em média, de leite em pó desnatado por ano.


Contudo, de 2009 até 2015 (estimativa), o volume médio importado (leite em pó integral) aumentou para 417 mil toneladas por ano, uma expressiva alta de 530,8%. Veja a figura 1.


A maior demanda chinesa puxou para cima as cotações do produto no mercado internacional.


Considerando os preços da plataforma Global Dairy Trade (GDT), referência no mercado internacional, o leite em pó saiu de um patamar de US$1.500,00 a US$2.000,00 por tonelada vigentes até 2006, chegando a um preço médio de US$4.667,00 por tonelada em 2013.


O pico de preço e recorde foi US$5.245,00 por tonelada, em abril daquele ano.


Importante destacar na figura 2, que o aumento de preço em 2007, se deu em função da forte seca que afetou a Nova Zelândia, maior exportador mundial de lácteos, e que provocou uma queda da produção de leite naquele país e, consequentemente, menor oferta no mercado internacional.


Em 2008, os preços caíram em função da crise mundial, voltando a subir em 2009, aí sim, com a demanda estimulada pela China.


Cenário atual


Com a economia da China crescendo menos nos últimos anos e estoques maiores de produtos lácteos, as importações chinesas de leite em pó diminuíram desde meados de 2014.


A queda prevista é de 40,4% nas compras de leite em pó integral em 2015, em relação a 2014. No caso das importações de leite em pó desnatado, a queda está estimada em 20,9% na comparação anual.


A China foi a responsável pelo aumento dos preços dos lácteos no mercado internacional, em função do crescimento astronômico da demanda em um curto espaço de tempo, e agora é a protagonista das quedas de preços no mercado mundial.


De abril a agosto deste ano, o preço do leite em pó caiu 69,7% nos leilões da GDT, chegando à menor cotação histórica, cujo valor foi de US$1.560,00 por tonelada.


Esse cenário exigiu da indústria exportadora um ajuste na produção e oferta no mercado mundial.


As empresas que participam dos leilões da GDT, entre elas a Fonterra, a maior cooperativa de leite do mundo, reduziu a quantidade de lácteos ofertado para conter novas baixas e este fato surtiu efeito.


Em setembro deste ano, o volume comercializado nos leilões foi 13,8% menor, frente a agosto último. Em relação ao mesmo período de 2014, as vendas diminuíram 29,0%.


Com isso, os preços reagiram, com o leite em pó sendo negociado, em média, por US$2.495,00 por tonelada no final de setembro.


Houve alta de 56,9% desde o menor preço em agosto, mas ainda assim o leite em pó está valendo 7,0% menos em relação ao mesmo período de 2014.


Considerações finais


Em curto e médio prazos a menor oferta deverá continuar dando sustentação as cotações dos lácteos no mercado internacional. Porém, do lado da demanda não é esperada reação, o que deve limitar as altas.


A expectativa é de que a China retorne de forma mais ativa às compras no mercado internacional em meados de 2016, quando espera-se que os estoques estejam enxutos.


Para o Brasil, pode ser uma oportunidade para exportar. Foi aprovado em setembro deste ano o comércio de produtos lácteos entre o Brasil e a China. As negociações vinham desde 1996.


Embora a demanda chinesa esteja patinando, em função da desaceleração da economia, o país asiático é um mercado de peso neste segmento.


Vale lembrar que a China e a Rússia são os maiores importadores mundiais de produtos lácteos, com participação respectivamente de 14,0% e 7,0% do total mundial em 2014.


As exportações brasileiras de lácteos para a Rússia começaram em 2014, resultado das barreiras impostas pelos russos aos Estados Unidos e países europeus.


A abertura destes dois mercados para os produtos brasileiros é de extrema importância para o segmento do leite no país, como alternativa de escoamento da produção.

*Artigo publicado na revista Animal Business Brasil - ano 5 - número 24 - 2015, p 43. 44 e 45

Colaborou Alcides Torres, engenheiro agrônomo e sócio-fundador da Scot Consultoria.



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