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Câmbio: governo enxuga gelo


Segunda-feira, 11 de abril de 2011 - 17h34

por Reinaldo Cafeo

Economista, especialista em engenharia econômica, mestre em comunicação com a dissertação “jornalismo econômico” e doutorando em economia.


O Brasil pode ser considerado a bola da vez para o capital estrangeiro. Sua democracia se consolida dia a dia. Possui um mercado consumidor em crescimento, como, por exemplo, a classe média brasileira, que tem se tornado cada vez mais robusta. O país atrai capital estrangeiro para o setor produtivo. Não bastassem estes atrativos o país pratica a maior taxa de juros do mundo. Tem pautado a condução da política econômica em posição muito conservadora, com ajustes fiscais e política monetária apertada. Reações mais do que suficientes para incentivar a entrada maciça de dólares no país. Com forte oferta de dólares, sem que haja demanda proporcional, a cotação da moeda norte-americana cai, tudo isso potencializado pela própria depreciação do dólar no mundo todo. Medidas internas de desvalorização do Real no curto prazo são inócuas. É o que se chama de enxugar gelo. Aumenta o ingresso de dólares no mercado doméstico e o governo tenta segurar a cotação, atuando no mercado com oneração, eventualmente com compras de dólares, emissão de títulos cambiais, entre outras ações, mas os atrativos internos são muito superiores a capacidade de reação do governo. O indicativo é construir uma série de ações que permita ao país, no âmbito do comércio exterior, não depender somente do preço da moeda estrangeira. É que podemos chamar de ações de médio e longo prazos. O exportador brasileiro quer retorno quando coloca seus produtos lá fora. Se para cada dólar exportado recebe cada vez menos reais, é evidente que os outros custos de produção devem ser atacados, isso sem contar que as empresas precisam trabalhar no que se chama agregação de valor aos produtos. Estamos falando de competitividade. O custo de produção no Brasil é muito elevado. A mão de obra é cara e os encargos sociais são exorbitantes, tendo que conviver ainda com baixa produtividade. Os custos de transportes são elevados. Com foco forte no transporte rodoviário, a riqueza do país é transportada em estradas precárias, que gera excesso de desgaste dos caminhões. Os combustíveis são absurdamente caros e o frete dispara. Com aeroportos e portos obsoletos não há velocidade no envio e recebimento de mercadorias. Faltam armazéns, e o excesso de burocracia em todos os setores deixam o país fora do ranking dos países competitivos. No âmbito do produto o país tem pauta de exportação fraca, privilegiando os produtos básicos, in natura, se apresentando, com raríssimas exceções, como presa fácil no comércio internacional. Os juros internos também precisam convergir para patamares praticados por países emergentes como o nosso, os quais têm suas taxas básicas fixadas em praticamente 50% da taxa brasileira. Como as decisões de hoje impactarão no futuro, se o governo não agir na direção do equacionamento destas questões, nortearemos o debate cambial em cima da cotação do dólar e deixaremos o foco central, que é a mudança estrutural, em segundo plano, com lamentações de toda ordem. Seria mais prudente aproveitar o dólar baixo para conter as altas de preços, importando seletivamente produtos que estão com a oferta e procura desequilibrados, incentivando inclusive a renovação do parque industrial nacional, do que continuar tentando combater o incombatível. Cá entre nós: enxugar gelo é insano.



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