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Mercado de carbono para biocombustíveis: metas, geração e projeções

A meta para este ano (2026) está 19,0% maior que a de 2025, considerando o aumento das misturas de biocombustíveis e a ampliação das obrigações de descarbonização.


Foto: Freepik

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O Programa RenovaBio, instituído pela Lei no. 13.576/2017 e gerido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), estabelece a Política Nacional de Biocombustíveis com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Seu principal instrumento são os Créditos de Descarbonização (CBIOs), títulos que representam a tonelada de dióxido de carbono equivalente evitada pela substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis certificados, como etanol, biodiesel e biometano.

O programa funciona com metas de descarbonização definidas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), certificação da eficiência produtiva dos biocombustíveis e emissão dos CBIOs.

Anualmente, o CNPE fixa metas compulsórias para os distribuidores de combustíveis, que precisam comprar e aposentar (processo de retirada definitiva de circulação do ativo na B3) quantidade suficiente de CBIOs para comprovar a redução de emissões. Para 2026, a meta estabelecida foi de 48,09 milhões de CBIOs, volume 7,70 milhões (19,0%) maior que o fixado para 2025.

Tabela 1.
Meta anual (milhões de CBIOs).

Ano 2026 2027 2028 2029 2030 2031 2032 2033 2034 2035
Meta 48,09 52,37 56,46 61,24 64,08 67,13 68,81 71,29 72,54 73,45

Fonte: ANP/ Elaboração: Scot Consultoria

A geração dos créditos depende da certificação dos produtores ou importadores de biocombustíveis. Após auditoria por empresa credenciada, a ANP calcula a Nota de Eficiência Energético-Ambiental (NEEA) por meio da ferramenta RenovaCalc, que considera as emissões em todo o ciclo de vida – do poço à roda. Quanto maior a eficiência energético-ambiental da produção, maior a quantidade de CBIOs emitidos.

Os CBIOs são ativos digitais registrados na Plataforma CBIO da ANP e custodiados por instituições financeiras habilitadas pela B3. A negociação ocorre exclusivamente em ambiente eletrônico ou de balcão na B3, com liquidação em D+1, conforme regras operacionais da B3.

Participam do mercado tanto investidores não obrigados, que compram e vendem livremente, quanto distribuidores de combustíveis, que adquirem os títulos para cumprir as metas. O cumprimento se dá pela aposentadoria dos CBIOs, processo que os retira permanentemente de circulação.

Caso um distribuidor aposente quantidade maior que a exigida, o excedente é válido para o ano seguinte, se houver déficit, o montante pendente é acrescido à meta futura, com aplicação de multa.

Geração, aposentadoria no mercado e tendências.

Em 2025, a geração de CBIOs foi de 59,5 milhões, volume que inclui 16,4 milhões referentes ao excesso do ano de 2024 e 43,1 milhões gerados ao longo de 2025, no mesmo ano, a aposentadoria de CBIOs alcançou 40,0 milhões, ou 92,9% do total gerado.

Da produção de 2025, 82,2% teve origem no bioetanol, 17,3% no biodiesel e 0,5% no biometano. Em janeiro de 2026, a geração de CBIOs foi de 3,8 milhões, volume praticamente estável frente a janeiro de 2025, com ligeira alta de 0,02%.

No que se refere ao lastro de emissão, os principais estados em 2025 foram:

Figura 1.
Principais estados em lastro de emissão de CBIOs – 2025.
Fonte: ANP/ Elaboração: Scot Consultoria

Para 2026, projeta-se a continuidade do aumento gradual nas misturas dos biocombustíveis, medida que busca não apenas reduzir a intensidade de carbono do setor de transportes, mas também ampliar a demanda estrutural por CBIOs e fortalecer a previsibilidade do mercado de descarbonização.

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), divulgado em 12 de fevereiro de 2026, a oferta de etanol combustível para o setor de transportes rodoviário, para a produção de SAF, para uso aquaviário e para uso não energético deve crescer a uma taxa de 2,9% ao ano, alcançando 48,2 bilhões de litros em 2035. Quando somadas às exportações, a demanda total de etanol está estimada em 50,5 bilhões de litros.

Para o biodiesel, a demanda projetada para 2026 é de 10,9 bilhões de litros, chegando em 13,9 bilhões em 2035, considerando uma mistura fixa de 15,0% (B15).

Em cenário de aumento de 1 ponto percentual ao ano na mistura a partir de 2026, atingindo 20% (B20) em 2030 e permanecendo nesse patamar até 2034, a demanda alcançaria 16,3 bilhões de litros em 2030 e 18,0 bilhões em 2035.

Em trajetória mais acelerada, com aumento de 1 ponto percentual ao ano até 25,0% (B25) em 2035, o volume chegaria a 22,2 bilhões de litros.

Diante desse cenário de expansão da produção e do consumo de biocombustíveis, a tendência é de aumento na geração de CBIOs, impulsionada tanto pelo crescimento da oferta quanto pela elevação das metas compulsórias. A ampliação das misturas obrigatórias de biodiesel e o avanço na participação do etanol na matriz de combustíveis devem sustentar a demanda por créditos de descarbonização nos próximos anos.

O cumprimento das metas progressivas, aliado ao lastro crescente de emissões elegíveis, tende a manter o mercado de CBIOs em expansão, com impacto direto na precificação e na liquidez dos ativos negociados na B3.

Figura 2.
Cotação média do CBIO negociado na B3.
Fonte: B3/ Elaboração: Scot Consultoria
*Até 13/02

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