Scot Consultoria

Estabilidade no mercado do boi gordo em São Paulo

A cautela dos compradores diante das incertezas no mercado internacional diminuiu o volume de negócios e aumentou a especulação.


Foto por: Scot Consultoria

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Na comparação feita dia a dia, as cotações não haviam mudado. Contudo, a dinâmica do mercado mudou. A falta de previsão fez com que o volume de negócios diminuísse. A falta de clareza sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, deixou os compradores na retranca, e parte da indústria frigorífica reduziu o ritmo dos abates para alongar as escalas e negociar com mais serenidade. Não é somente a guerra, mas o desempenho das vendas de carne no final de semana era determinante. 

Nesse cenário, compradores passaram a ofertar preços menores. Apesar disso, a ponta vendedora esteve firme, não cedeu e aguardou, com calma, o desenrolar da situação. No momento, o mercado estava marcado por muita especulação.

Houve relatos de negócios fechados abaixo das referências vigentes, principalmente envolvendo confinamentos. No entanto, esses volumes não foram suficientes para estabelecer uma nova referência de preços.

Exportação de carne bovina in natura

Conforme apontado em análises anteriores, o volume exportado em fevereiro foi recorde para o mês, com 235,9 mil toneladas de carne bovina in natura embarcadas, aumento de 23,9% em relação a fevereiro de 2025, até então o recordista, quando foram exportadas 190,4 mil toneladas.

A média diária de embarque foi de 13,1 mil toneladas. A cotação média da tonelada ficou em US$5,6 mil, alta de 14,5% na comparação com o mesmo período de 2025, confirmando as expectativas de que este também seria o melhor fevereiro em termos de preço por tonelada de carne, superando em 0,7% fevereiro de 2022, até então o melhor da série histórica.

Com o bom desempenho dos embarques e os bons preços pagos por tonelada, fevereiro de 2026 também foi o melhor mês entre seus pares em termos de faturamento, alcançando US$1,3 bilhão.

O principal destino continua sendo o continente asiático, reflexo da forte demanda chinesa. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o país respondeu por 47,8% dos embarques, e a expectativa para março é de continuidade desse ritmo.

Contudo, com a escalada do conflito no Oriente Médio, um alerta foi aceso. A região, além de grande consumidora, também é um entreposto no comércio global de carne bovina. Com portos fechados, não se sabe qual será o impacto sobre a dinâmica do comércio internacional da carne bovina e como deverá se comportar a demanda da região nas próximas semanas, cenário que pode afetar o mercado brasileiro.

Análise originalmente publicada no informativo pecuário diário Tem Boi na Linha de 06/03/2026.

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