Com demanda doméstica fraca, cautela nas exportações e oferta confortável, arroba do boi gordo perde força em São Paulo; confinamento deve ganhar peso no segundo semestre
O mercado do boi gordo encerrou a semana com preços mais frouxos em São Paulo, refletindo compradores mais cautelosos, escalas de abate alongadas e menor apetite da indústria frigorífica. Segundo Felipe Fabbri, zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, a arroba paulista tem como referência máxima R$350,00, mas os negócios vêm ocorrendo com mais facilidade entre R$345,00 e R$347,00. As cotações de vaca e novilha também acompanharam o movimento de queda.
Apesar do bom desempenho das exportações, com embarques recordes nos primeiros meses do ano e expectativa de novo recorde em junho, o mercado passou a incorporar maior risco em relação à cota chinesa. De acordo com dados do MOFCOM, até maio o Brasil já teria preenchido 720,0 mil toneladas da cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida pela China. A possibilidade de embarques excederem esse limite, sujeitos a tarifa adicional de 55,0%, reduziu a competitividade do exportador e ajudou a pressionar as compras de boiada.
Do lado da oferta, a Scot Consultoria avalia que o confinamento deve crescer em 2026, com expectativa de recorde no número de cabeças confinadas. A maior pressão de bovinos terminados deve aparecer no segundo semestre, especialmente entre setembro e novembro, embora julho e agosto ainda possam registrar algum peso da oferta. Para Fabbri, a alimentação não deve comprometer as margens do confinador neste ciclo, já que a safra de milho safrinha tende a sustentar boa disponibilidade de insumos; o ponto de atenção maior fica para 2027, quando os efeitos do El Niño podem pesar sobre a produção agrícola.
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