Os fundamentos do mercado mantiveram firmes as cotações do boi gordo durante janeiro e contribuíram para uma valorização mais intensa a partir de fevereiro. A avaliação é de Alcides Torres, analista e diretor da Scot Consultoria, que destaca a combinação de demanda aquecida nos mercados interno e externo e da menor oferta de bovinos como principais fatores de sustentação dos preços.
O recente conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos traz preocupações ao setor, mas, segundo Alcides Torres, até o momento da entrevista, ainda era cedo para dimensionar os potenciais impactos para a pecuária brasileira.
A escalada das tensões pode elevar custos logísticos e energéticos, especialmente com possíveis altas no petróleo, o que gera apreensão nos mercados e pode dificultar rotas importantes para a exportação de carne bovina.
No campo, as boas condições das pastagens permitem ao pecuarista reter animais à espera de melhores preços, reduzindo a oferta imediata ao mercado. Ao mesmo tempo, a forte demanda internacional, liderada por China e Estados Unidos, segue impulsionando as exportações brasileiras.
Segundo Torres, os fundamentos do mercado permanecem positivos, embora fatores estruturais da pecuária também chamem atenção. Pela primeira vez, o abate de bovinos tem superado o número de nascimentos, sinalizando possíveis mudanças no ciclo pecuário. Diante desse cenário, a expectativa é de manutenção de um mercado firme ao longo de 2026, com atenção às variáveis externas e à recomposição do rebanho.
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