Notícia acende alerta no Brasil.
O governo da China anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 55,0% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem a cota anual estabelecida, medida que passa a valer a partir de 2026 e que tem potencial de impactar diretamente os principais países exportadores, entre eles o Brasil.
A decisão faz parte de um movimento de proteção à indústria pecuária chinesa, em um contexto de desaceleração do consumo interno e maior preocupação do governo com a renda dos produtores locais. Na prática, o anúncio cria um limite mais rígido para a entrada de carne estrangeira no país asiático, que hoje é o maior importador mundial da proteína bovina.
Para o Brasil, maior fornecedor de carne bovina à China, a medida gera incertezas sobre o escoamento da produção e a formação de preços ao longo dos próximos anos. Caso os volumes exportados ultrapassem a cota definida, a nova tarifa pode reduzir a competitividade do produto brasileiro, pressionando margens de frigoríficos e, indiretamente, o mercado do boi gordo.
O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que, embora a tarifa não represente um bloqueio total às importações, ela funciona como um instrumento de desestímulo a volumes elevados, forçando os exportadores a buscarem maior diversificação de mercados ou a ajustarem estratégias comerciais. Países como Argentina, Uruguai e Austrália também devem ser afetados pela medida.
O anúncio ocorre em um momento de maior tensão no comércio internacional de proteínas, marcado por investigações antidumping, disputas tarifárias e mudanças nas políticas de segurança alimentar. No curto prazo, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos da decisão chinesa e avalia possíveis impactos sobre os fluxos globais de carne bovina e sobre a cadeia pecuária brasileira.
Matéria originalmente publicada em: Análise: China aplicará tarifas de 55,0% à carne brasileira
<< Notícia Anterior Próxima Notícia >>Receba nossos relatórios diários e gratuitos