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Scot Consultoria

Argentina pode passar de exportadora a importadora de carne


Segunda-feira, 17 de agosto de 2009 - 08h21

País vizinho enfrenta uma das piores crises na pecuária A Argentina sofre um grande ajuste na pecuária. Alguns analistas apostam que o país pode passar a importar carne nos próximos anos, fato que não ocorre há mais de um século. Com isso, o Brasil, que já é o maior exportador de carne bovina do mundo, pode ganhar ainda mais mercado. Os argentinos são os maiores consumidores de carne bovina do mundo. Cada habitante daquele país consome mais de 70 quilos por ano. O governo argentino passou a limitar as exportações para conter o preço no mercado interno. Em 2005, o concorrente do Brasil no mercado internacional era o terceiro maior exportador; atualmente, o país é o sétimo. A previsão é de que o rebanho bovino também sofra um ajuste, de 55,66 milhões de cabeças no ano passado para 54,76 milhões de cabeças em 2009. — Essa limitação, na verdade esse auto-embargo que o governo da Argentina fez com a própria carne acabou levando a uma situação que a gente tem visto hoje, que é o da pecuária não estar sendo uma atividade rentável, com muitos produtores saindo da atividade. Com isso, tem essas estimativas dos próprios órgãos de pesquisa da Argentina, que talvez ela se torne um mercado importador, porque eles têm o maior consumo de carne per capita do mundo — diz a analista de mercado da Scot Consultoria, Gabriela Tonini. A JBS Friboi, um dos maiores grupos de carne bovina do mundo, com unidades na Argentina, já sente os impactos nos negócios no país vizinho. — Os negócios na Argentina estiveram muito difíceis em razão das decisões do governo Argentino de tributar as exportações. Isso teve um impacto direto, mas nós estamos racionalizando a nossa atividade na Argentina e pretendemos retornar a uma fase de rentabilidade logo que esse processo tiver concluído — afirma Marcos Vinícius Pratini de Moraes, do conselho de administração da JBS Friboi. — Há diversos fatores positivos em relação ao setor na Argentina que a médio e longo prazo vão valer. E a gente vai esquecer o momento recente por restrições externas, a indústria não tinha “performado” como tradicionalmente “performa”, mas isso é uma questão de tempo na nossa opinião — avalia o diretor da unidade de carnes da Coimex, Jerry O’Callaghan. Caso os argentinos passem a importar o produto, a entidade que representa as Indústrias Exportadoras no Brasil (Abiec) admite que é uma oportunidade para as carnes daqui. — Claro que a Argentina que era um grande concorrente do Brasil no mercado internacional, hoje se torna um importador de carnes, abre espaço para o Brasil crescer mais ainda no mercado internacional como fornecedor de carne — conclui o presidente da entidade, Roberto Giannetti. Em um dos mais luxuosos restaurantes de São Paulo, no início, o cliente só saboreava a carne argentina. Há mais ou menos um ano, o proprietário substituiu toda a carne do país vizinho pela brasileira. Segundo o dono, a qualidade do produto brasileiro foi melhorando nos últimos anos. O mesmo não se pode dizer dos cortes argentinos. Além disso, a carne brasileira traz segurança. O volume e o padrão fornecidos são sempre os mesmos. Já na Argentina, o mercado está instável. Fonte: Canal Rural. Por Renata Maron. 17 de agosto de 2009.
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