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Scot Consultoria

Crise mundial obriga 50 frigoríficos a interromper abates por falta de crédito


Segunda-feira, 9 de março de 2009 - 09h32

A falta de crédito decorrente da crise internacional já levou cerca de 50 frigoríficos a interromper abates em todo o País, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Ela divulga que, em média, um rebanho de 30 mil cabeças deixa de ir para o abate todos os dias. Isso representa uma queda de 20% na capacidade de abate do País, que até o ano passado era de 43 milhões de cabeças/ano. A boiada que não vai para o abate sobra nos pastos e confinamentos. Já são sete os frigoríficos de médio e grande porte que, com falta de capital de giro, apelaram para a proteção judicial. Mas foi o anúncio do pedido de recuperação judicial do grupo Independência, o terceiro maior do País, na semana passada, que mais surpreendeu o mercado. O grupo tinha recebido, em novembro, um aporte de R$250 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vinha de uma forte expansão. Mas ainda que a crise tenha atingido os frigoríficos na pior fase do ciclo natural do setor, em que os custos - isto é, o preço do boi - estão altos, especialistas acreditam os problemas ainda são mais financeiros do que estruturais. “Empresas bem administradas, com bom planejamento, conseguem lidar com os efeitos adversos do ciclo pecuário”, afirma o consultor da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa. Vítimas do sucesso Os frigoríficos são, de certa forma, vitimas de seu próprio sucesso. De 2002 a 2006, o setor viveu um boom de exportações. Com o crédito farto e as aberturas de capital, as empresas partiram para grandes projetos de expansão, com fusões e aquisições e de investimentos em aumento de capacidade. Só o Independência, por exemplo, comprou seis frigoríficos em aproximadamente seis meses, dobrando sua capacidade. No entanto, a situação, neste período, não estava favorável para o pecuarista, que não investiu no aumento do rebanho. Ao contrário, de 2005 a 2008, o rebanho encolheu em cerca de 6% (12 milhões de cabeças), segundo estimativa da Scot Consultoria. Com menos oferta de bois e excesso de capacidade nos frigoríficos, o jogo virou: os preços subiram, reduzindo as margens dos frigoríficos. Nesta crise, os frigoríficos mais afetados são os mais dependentes de exportação. No mercado doméstico, o consumo continua estável, mas o excesso de oferta tem pressionado os preços. O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo, exporta 20% de sua produção, mas vem sofrendo desde o final de 2007 com a imposição de restrições sanitárias por parte da União Européia. Os pecuaristas que não investiram na rastreabilidade, perderam acesso ao mercado que melhor remunera as carnes. Com a crise, o outro grande mercado para as carnes brasileiras, a Rússia, se viu sem crédito para comprar o produto. Em janeiro deste ano, o valor das exportações caiu 45% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em volume, a queda foi de 34%, de acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec). Mais afetados A crise atinge os Estados com os maiores rebanhos bovinos de corte. Dos 36 frigoríficos do Mato Grosso do Sul, 21 fecharam as portas ou suspenderam os abates. O presidente da Federação da Agricultura (Famasul), Ademar da Silva Júnior, teme que a quebradeira se generalize. “Os fundamentos que levaram o grupo Independência a pedir a recuperação judicial são os mesmos que afetam as outras empresas do setor”, disse. Ele cita, além da queda nas exportações, o baixo preço pago pelo importador e a falta de rentabilidade dos frigoríficos, que operam no vermelho desde outubro. “Quem consegue financiar o prejuízo está se aguentando, mas até quando?”, questiona. No Mato Grosso, dos 37 maiores frigoríficos, 13 baixaram as portas - dos quais cinco pertencem ao Independência. Também pararam cinco unidades do Quatro Marcos e três do Arantes, frigoríficos que também estão em recuperação judicial. Temendo calotes, a Federação da Agricultura do Estado, a Famato, está recomendando que o criador tenha cautela na hora de procurar um abatedouro. “Na dúvida, é preferível deixar o gado no pasto”, disse o pecuarista Luis Carlos Meister, consultor da Famato. Com medo de não receber pelo gado entregue, muitos pecuaristas agora só vendem à vista, mesmo que com deságio. Na última semana, o deságio foi, em média, de 3%. Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul. Economia. Por José Maria Tomazela e Mariana Barbosa. 8 de março de 2009.
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