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Scot Consultoria

Frigoríficos buscam novos mercados externos


Segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 - 11h53

Os dois maiores frigoríficos brasileiros consolidaram suas estratégias de atuação no mercado global em 2008 e mostraram os rumos que vão seguir para abocanhar maiores fatias no comércio mundial de carnes. A JBS Friboi tornou-se um dos grandes do mundo no ramo de frigoríficos depois de anunciar a compra de duas empresas nos Estados Unidos no início de 2008 - National Beef e Smithfield Beef -, enquanto o Grupo Marfrig avançou rumo à Europa, depois de fechar a aquisição de unidades do Grupo OSI, em junho deste ano. Estabelecendo-se nesses continentes, as empresas conseguem driblar barreiras comerciais e fitossanitárias. O que os frigoríficos não esperavam foi a eclosão da crise financeira global, que está trazendo efeitos para o consumo justamente nos países onde eles se estabeleceram. Na avaliação de Peter Ho, analista da Corretora Planner, o horizonte de recuperação desses investimentos em aquisições é de longo prazo. “Não há como essas companhias recuperarem esses investimentos em menos de dois anos, pela profundidade da crise. Considero que haverá um período de dois anos de estabilização, ou seja, até que pare de haver desemprego e desaceleração de consumo, por exemplo. O crescimento de mercado levará pelo menos cinco anos, acredito”, avalia o analista da Planner. O frigorífico JBS adotou a estratégia de manter a maior parte de sua base de operações nos EUA com o objetivo de atingir o mercado da Ásia. “A JBS quer se tornar um grande processador nos EUA, enfocando o mercado asiático. O perfil do consumidor americano e da Ásia são muito parecidos”, avalia Ho. Vale lembrar que o Brasil ainda não tem acesso aos mercados da Coréia do Sul e do Japão. A empresa também adquiriu uma planta na Austrália, do Grupo Tasman, e pode fornecer carne aos asiáticos a partir dessa companhia. Para Ho, a JBS talvez paralise algumas plantas menos eficientes para ajustar sua produção ao consumo, que deve cair nos EUA. Fausto Gouveia, economista da Infra Asset Management, comenta que o frigorífico poderá passar por aperto de caixa em 2009. “Há que verificar o quanto a crise poderá afetar o endividamento da companhia. A JBS tem dívidas em dólar. Mas, por outro lado, também tem receitas em moeda estrangeira. Será preciso esperar para ver os reflexos da crise nos próximos meses”, comentou Gouveia. O grupo Marfrig, com as aquisições anunciadas este ano, fortaleceu sua presença na União Européia (UE), com foco de ampliar suas vendas na região. Foram adquiridas 15 unidades. Deste total, seis estão na Inglaterra, duas na Irlanda do Norte, quatro no Brasil, duas na França e uma na Holanda. “Com os passos dados em 2008, o Marfrig mostra foco na UE e na América Latina”, comenta Ho, da Planner. Gouveia, da Infra Asset, lembra que depois das aquisições a JBS chegou a um valor de mercado de US$7,2 bilhões e o Marfrig alcançou valor de US$2,138 bilhões. Comparando as atitudes no que diz respeito às estratégias para decidir aquisições e se posicionar no globo, para Gouveia, o Marfrig foi um pouco mais cauteloso, enquanto a JBS adotou uma postura mais agressiva. Segundo Ho, o Marfrig não alcançou o tamanho da JBS, mas hoje tem porte equivalente ao da Sadia e da Perdigão. Carnes no mundo Quando se avalia o comportamento dos investidores em apostar nos frigoríficos que tem ações em bolsa, verifica-se que ainda há uma certa timidez. Segundo analistas, se trata de um setor novo no que diz respeito ao mercado financeiro. Foi somente há dois anos que três companhias do ramo fizeram abertura de capital: JBS, Marfrig e o Frigorífico Minerva. Entre outros grandes do setor estão o Bertin e o Independência. O segundo esteve se preparando para abrir capital. Com a crise e o cenário setorial de escassez de matéria-prima, ficará claro para o mercado quais dessas companhias - ou se todas - têm seus alicerces bem firmados. “O cenário está ruim para as indústrias frigoríficas porque além do ciclo pecuário ainda surgiu um horizonte de demanda incerto”, comentou Fabiano Tito Rosa, consultor da Scot Consultoria. “Vai ocorrer uma limpa no mercado. Sobreviverão as empresas bem administradas”, avaliou Rosa. No que diz respeito à demanda por carne bovina no mercado externo, para os próximos meses, os frigoríficos exportadores estão preocupados com a situação de falta de crédito na Rússia - principal mercado importador do produto brasileiro - e, por conta das incertezas em relação a esse país, as companhias modificaram sua expectativa de exportações para 2009. Estimativa dada em novembro pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) apontava de que a receita com exportações poderia chegar a US$6,5 bilhões este ano sobre a previsão de 2008, de US$5,3 bilhões. “Conseguiremos em 2009 pelo menos manter o volume e o valor obtidos em 2008. Revisamos a estimativa anterior porque a crise está mais danosa do que prevíamos inicialmente”, avaliou Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da Abiec. Para compensar perdas no mercado russo, principal comprador da carne brasileira, os frigoríficos já estão buscando ampliar participação no Oriente Médio e na Ásia. Além disso, os exportadores contam com a ampliação de compras da UE para até 200 mil toneladas em in natura, frente a 33,6 mil toneladas importadas do Brasil por eles este ano, até novembro. O Chile é outra aposta, pois deverá reabrir suas portas para a carne brasileira e importar até 100 mil toneladas. Entre janeiro e novembro, os russos responderam por 38% das exportações brasileiras de carne in natura - fatia que chegou a 50% em meados deste ano. Nos primeiros 15 dias de dezembro, as exportações registraram baixa. Em volume, a queda foi de 26% em relação à primeira quinzena de dezembro do ano passado, para 33,8 mil toneladas equivalente carcaça. Em valor, a receita da quinzena alcançou US$124,2 milhões - queda de 18%. O fator Rússia foi o motivo e o cenário deve se repetir no primeiro trimestre de 2009. Fonte: DCI. Agronegócios. Por Érica Polo. 5 de janeiro de 2009.
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