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Scot Consultoria

Couro e sebo em baixa reduzem margem de lucro de frigoríficos


Quinta-feira, 24 de julho de 2008 - 16h52

Já com margem encolhida por conta da alta do boi, os frigoríficos no Brasil estão padecendo também pela queda do preço do couro verde, subproduto do boi que é vendido para os curtumes e que representa, em média, 10% da receita dos abatedouros. Há um mês o preço do quilo dessa matéria-prima caiu 12% e, no ano, acumula 22%. Até o sebo bovino, historicamente desvalorizado, está valendo mais, apesar de seu preço também ter recuado nas últimas semanas. Até 15 março do ano passado, o quilo do sebo valia R$0,95 e o de couro verde, R$2,20. O aquecimento da economia naquele momento elevou a demanda por sebo das indústrias de higiene e da de biodiesel, o que resultou em uma escalada de preços da matéria-prima. Em novembro, o quilo já valia R$1,70, o mesmo valor do couro, que tinha iniciado queda. Em maio deste ano, o sebo já valia R$2,30, enquanto o quilo do couro, R$1,80. “O problema é que não houve uma compensação com o sebo, porque esse subproduto tem rendimento menor por boi do que o couro. Um animal adulto produz 40 quilos de couro e somente 12 quilos de sebo”, compara Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Assim, mesmo com o valor de mercado mais alto, o sebo representa de 1,5% a, no máximo, 2% da receita das indústrias frigoríficas. Ele explica que o couro é depende muito do mercado externo, que vem se retraindo neste ano por conta da menor demanda da Itália, maior compradora do produto brasileiro, e dos Estados Unidos. “O Brasil exporta 80% do couro que produz. O mercado italiano está em período de férias e, por isso, reduz compras. Os Estados Unidos, diretamente, não compram muito, mas compram couro de maior valor agregado. A crise imobiliária afetou o setor de móveis do país, que era o que mais importava couro do Brasil. Além disso, os americanos afetaram as compras da China, que importavam do Brasil e processavam para revender aos Estados Unidos", detalha Rosa. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), de janeiro a junho as exportações de couro totais do Brasil recuaram 23,7% em volume. “Isso acabou aumentando a oferta interna do produto e pressionando os preços”. A estimativa da Scot é de que o Brasil produza por ano entre 44 milhões e 45 milhões de unidades de couro. “Cerca de 80% são destinados ao mercado externo”. Sebo As exportações de sebo também recuaram fortemente neste ano. O volume embarcado despencou de 8,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2007 para 327 mil toneladas em igual período deste ano. “É provável que o câmbio tenha tornado menos atrativa a exportação que o mercado interno, por causa do biodiesel. Mas, pode ser que tenha havido um desequilíbrio na oferta dentro do País”. Segundo Rosa, a inflação no País pode ter pressionado para baixo as indústrias de higiene e cosméticos, que usam muito essa matéria-prima, setor que agora está, ou reduzindo produção para se ajustar a demanda menor, ou pressionando fortemente os frigoríficos para obter menor preço pelo sebo. Carnes Em contrapartida, desde o dia 24 de junho os preços da arroba do boi vêm recuando no mercado interno para alivio temporário dos frigoríficos. Levantamento da Scot aponta que até 24 de junho, a arroba em São Paulo valia R$95,00, valor que no dia 21 deste mês (última segunda-feira) bateu R$90,00, queda de 5,2%. “Houve aumento da oferta de gado, o que é normal na virada da safra para a entressafra. Entra tempo frio e seco, o que faz com que muitos pecuaristas negociem animais, fazendo o preço cair”. Rosa acredita, portanto, que essa queda não vai se sustentar por muito tempo. “Passado esse período de ajuste e com o término da oferta de boi de pasto, o confinamento ditará a oferta e, tudo indica, que vai ser de recuo, pois o custo está em alta e o preço futuro indica queda. Mas, do lado da oferta há a volta às aulas e o pagamento de salários. O ambiente de preços ao boi deve ficar mais firme”, avalia Rosa. E já há os primeiros indicativos de que isso vai ocorrer. Segundo o especialista, ontem frigoríficos de São Paulo abriram ordem de compra a R$88,00 a arroba, mas não conseguiram vendedores. “A escala de abate, que há duas semanas estava de sete dias, já começou a encurtar e está agora entre três e quatro dias, o que é um período curto. Sem contar que a maior parte das indústrias está com capacidade ociosa, em média, de 60%", acrescenta. Fonte: Gazeta Mercantil. Agronegócio. Por Fabiana Batista. 24 de julho de 2008.
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