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Scot Consultoria

Exportação do animal vivo cresce no semestre


Quarta-feira, 16 de julho de 2008 - 09h56

A contragosto dos frigoríficos que atuam no Brasil, as exportações de boi vivo cresceram 57% no primeiro semestre deste ano. O mercado, que tinha como principal cliente a comunidade muçulmana do Oriente Médio, também está atendendo a Venezuela, onde as indústrias frigoríficas estão com dificuldades de obterem matéria-prima. "A maior parte desse boi sai do Pará (mais de 90%) e a remuneração é de R$1,00 a R$2,00 a mais por arroba, um prêmio de 2,5% sobre o preço da arroba em Redenção (PA)", afirma Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Foram embarcados animais equivalentes a 89,2 mil toneladas, o que representa 194 mil bovinos com peso médio de 16 arrobas - rendimento de carcaça de 52%. O volume é 56% maior que o exportado em igual período de 2007. Mas o avanço mesmo foi verificado na receita, que triplicou no semestre saindo de US$52,20 milhões (cerca de 2,5% das exportações de carne bovina in natura) para US$154 milhões (em torno de 6% dos embarques de carne in natura). "Os importadores estão muito agressivos oferecendo valores altos para levar o boi", diz Rosa. Por conta disso, o Pará foi o estado onde o boi mais valorizou-se no País. Nos últimos doze meses, o valor da arroba aumentou 58%, enquanto a média das 28 regiões pesquisadas pela Scot foi de 49%. Daniel Freire, diretor de exportação da Kaiapó - empresa que está entre as maiores em exportação de boi em pé da América Latina - afirma que a venda externa de gado vivo representa em torno de 2% do abate no País, percentual que, para o Pará, fica entre 6% e 10%. Ele conta que os bois são transportados em navios específicos e que levam de 4 a 8 dias de viagem, quando o destino é a Venezuela. "O boi sai da fazenda com 550 quilos, em média, e chega no porto com 490. No navio a alimentação é especial, à base de silagem e ração, para que, pelo menos, cheguem no destino final com o mesmo peso", explica Freire. O transporte de bois vivos para países com grande população muçulmana, como o Líbano, leva até 22 dias, segundo Fawzi Taha, supervisor de abate halal da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). Esse tipo de negócio vinha aumentando porque tornou-se mais barato do que a importação de carne resfriada, que também passa pelo abate halal, feito por um degolador muçulmano e com a cabeça do animal voltada para a direção da Meca - a direção do nascer do sol. "Além do abate, a desossa tem que ser feita depois de 24 horas, depois há os custos com industrialização e embalo. No final das contas, sai mais caro abater no Brasil do que levar o boi vivo ao Líbano e abatê-lo lá", diz Taha, que não soube precisar quanto menor é esse custo. Segundo ele, apesar dessa relação econômica melhor, é difícil a exportação de boi em pé superar a de carne resfriada, pois esta última já chega no país de destino pronta, ou seja, sem o calor do corpo do animal. Fonte: Gazeta Mercantil. Agronegócio. Por Fabiana Batista. 16 de julho de 2008.
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