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Scot Consultoria

Produtores rurais pagam mais caro do que consumidores urbanos


Quarta-feira, 2 de julho de 2008 - 13h53

Uma constante alta dos preços da arroba do boi e de grãos tem sido verificada nos últimos meses, em todas as regiões produtoras do país, assim como um reajuste do preço da carne bovina, e dos alimentos de um modo geral, que tem sido, sistematicamente, repassado ao consumidor. Entretanto, levantamentos realizados pela equipe da Scot Consultoria (SP), demonstraram que, nos últimos 12 meses, os aumentos dos custos de produção da atividade agropecuária de um modo geral, superaram a alta dos índices do custo de vida da população, o que significa que, os índices de inflação para o produtor rural são maiores do que aqueles pagos pelo consumidor. “O maior aumento dos custos de produção ocorreu na pecuária de corte, chegando a 45,67%, no estado de São Paulo”, revela o analista da Scot Consultoria, Maurício Palma Nogueira. Os estudos mostraram também que, neste estado, – maior consumidor de carne bovina do país, em função da alta densidade populacional – o aumento do preço da carne ao consumidor foi, em média, de 24%. Nogueira esclarece que este mesmo cenário se repete em outros estados brasileiros, onde a atividade agropecuária é economicamente representativa, e acrescenta: “A situação atual deixa claro que vamos assistir à quebra do paradigma de que preço alto é sinônimo de lucro. Nem sempre”, enfatiza o analista. Ele conta que uma pesquisa feita com cerca de 250 produtores rurais revelou que apenas 12% deles apontaram o elevado custo de produção como entrave para a lucratividade da atividade agropecuária. “A maioria acha que o problema está no preço baixo, o que não é verdade. A conjuntura atual prova isso. O produtor rural não está tendo um lucro tão fantástico como muitos pensam”, analisa. Mato Grosso do Sul Reforçando o que diz o analista da Scot Consultoria, a economista e assessora técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), Adriana Mascarenhas, apresenta dados referentes ao estado. Segundo Adriana, no período entre junho de 2003 e abril de 2008, a variação acumulada do custo operacional total (COT) da pecuária de corte em MS foi de 63,99% , e a do custo operacional efetivo (COE) da atividade, chegou a 60,90% . “Em contrapartida, nesse mesmo período, a arroba do boi gordo subiu 25, 52% . A defasagem é visível”, analisa a economista. Ela informa ainda que entre os insumos que mais pesaram na composição dos custos de produção da pecuária de corte, neste mesmo espaço de tempo estão, a mão-de-obra e a suplementação animal. “O COT da mão-de-obra subiu 23,20% e o COE, 28,40%. Já na suplementação esses aumentos foram de 22,49% para o COT e 27, 21% para o COE”, destaca. Ambos os especialistas ouvidos concordam que a tendência para os próximos anos é de que os custos de produção, tanto da pecuária quanto da agricultura, continuem em alta. “São muitas as variáveis que interferem nesse aumento, e elas acabam influenciando umas nas outras. Por exemplo, na pecuária de corte, a suplementação mineral e a nutrição têm grande peso. Na agricultura os insumos e fertilizantes são os itens que mais encarecem a produção. Por um lado, a maior demanda por adubo faz subir as cotações do fósforo e dos fosfatados, o que determina uma elevação no preço dos grãos. Isso por sua vez, concorre para a elevação nos preços dos concentrados utilizados na nutrição animal e nos alimentos de um modo geral”, explica o analista da Scot Consultoria, ao que a assessora técnica da FAMASUL acrescenta: “Existe uma estreita relação entre os aumentos de custos de produção. Uma coisa puxa a outra". Eles também têm a mesma opinião de que resta ao produtor buscar uma saída para a situação descrita.”O produtor precisa conhecer a fundo seus custos de produção para ter controle sobre eles, melhorando no que for possível”, aconselha Nogueira. Adriana lembra também que o produtor só vai conseguir ter esse controle a partir de uma gestão eficiente da propriedade. “Daqui para frente vai ser imprescindível ao produtor, uma maior eficiência no gerenciamento do seu negócio, ou correrá o risco de vê-lo inviabilizado financeiramente”, alerta a economista. Fonte: Sato Comunicação. Por Márcia Dietrich. 02 de julho de 2008.
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