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Scot Consultoria

Alta dos alimentos faz faixa de ganho do produtor aumentar


Quinta-feira, 12 de junho de 2008 - 14h53

Na escalada dos preços dos alimentos um cenário pouco comum começa a tomar forma e produtores de commodities como carne, trigo e arroz, estão garantindo margens iguais ou maiores que a indústria e o varejo. Além do aumento dos insumos, que resultam num natural repasse dos custos de produção para outros elos da cadeia, o apetite por rentabilidade após períodos de crise está fazendo com que os agricultores pressionem a rentabilidade do varejo. O mercado de carnes é um dos que essa tendência se confirma com mais força. De acordo com dados da Scot Consultoria, este mês a diferença entre o preço pago ao produtor de bovinos e o preço pago ao frigorífico é de aproximadamente 40%. No mesmo período do ano passado essa diferença era de 70,6%. Vale ressaltar que essa comparação da margem de lucro não considera os custos de cada setor. "A margem maior geralmente é do varejo, mas os produtores estão pressionando", afirma Gabriela Tonini, consultora da Scot. Segundo ela, a perspectiva é de um aumento contínuo também no segundo semestre. "Além de ter pouca carne no mercado, o encarecimento da matéria-prima deve gerar novos repasses para os frigoríficos", avalia. O "efeito dominó", fruto dos repasses e busca de rentabilidade, fez com que a aceleração nos preços dos itens alimentícios da cesta básica levasse a inflação, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a registrar, em maio, seu maior patamar desde 1996. Dentro do grupo Alimentos e Bebidas, do IPCA, o arroz foi o item que deu a maior contribuição individual. O preço do produto subiu 19,75% no mês. Os produtores do grão enfrentaram prejuízos nas três últimas safras e agora, com o mercado favorável, garantem uma margem de 5%, que é a margem histórica segundo Marco Aurélio Tavares, diretor de Mercado da Federarroz. O número é bastante próximo à atual margem líquida obtida pelo varejo com as vendas de arroz, 7%. Atualmente, o pacote de 5 quilos do grão chega para o consumidor da cidade de São Paulo em torno de R$9,50, considerando todos os impostos e fretes. "Com esse preço, o arroz não sofreria ajustes a partir desse ponto", diz Tavares. "Considerando o cenário atual de acomodação dos preços internacionais e internos não serão feitos novos repasses ao consumidor", completa. Até março, os rizicultores haviam passado 48 meses comercializando o grão por valores abaixo do custo de produção. "Quando o arroz está com preços baixos para o produtor o consumidor não sente porque o lucro fica concentrado em outros elos da cadeia", afirma Tavares. Na inflação no último mês, o arroz não é o grande vilão da cesta básica, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Isso porque 3 quilos do produto, média mensal de consumo no Brasil, comprometem menos de 1,5% do salário mínimo. Os maiores gastos ficam por conta do pão francês e da carne, itens que ocupam o segundo e o terceiro lugar como os de maior impacto na inflação dos alimentos, registrando aumentos de 4,74% e 3,45%, respectivamente. No caso da carne o consumo de 6,6 quilos por mês compromete em 21% o salário do trabalhador da cidade de Porto Alegre. Já para o consumo de 6 quilos de pão francês o assalariado terá que utilizar 8,15% do seu salário mensal. Nem mesmo com a implementação de políticas governamentais e a expectativa de crescimento da produção de trigo no País, brecaram a aceleração do preço do pão. Segundo Lucílio Alves, pesquisador de Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicado (Cepea), o preço da matéria-prima evoluiu nos últimos meses e o mercado ainda está assimilando essa alta. "O que está chegando aos consumidores hoje é reflexo do aumento dos preços pagos ao produtor não só no Brasil como no mercado internacional." Na comparação entre os meses de maio de 2007 e de 2008, a alta nos preços no Rio Grande do Sul foi de 39% para o produtor e de 36% para a indústria. No Paraná, essa relação para o produtor foi 63% superior e para a indústria foi 55% mais elevada. Fonte: Diário do Comércio e Indústria (DCI). Agronegócios. 12 de junho de 2008.
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