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Scot Consultoria

A oferta de boiadas e o mercado da carne bovina para o segundo semestre


Sábado, 14 de julho de 2018 - 09h00

Foto: Scot Consultoria


Sidnei Maschio:
Alex, agora já podemos dizer que a entressafra já chegou e instalada no brasil inteiro?


Alex Lopes: Sim, a oferta diminui. Já é necessário suplementar o gado para manter o ganho de peso. A entrada do frio acelera a redução na qualidade do pasto, especialmente no centro sul do país. Isso, naturalmente, reduz a oferta de animais para abate.


Sidnei Maschio: E a respeito da oferta de gado confinado, está confirmado que as primeiras rodadas desta temporada atual vão mesmo ter um encurtamento em relação às previsões que tinham sido feitas no começo do ano?


Alex Lopes: Certamente teremos menos gado confinado neste primeiro giro de confinamento. Aliás, o mercado já vem sofrendo com isso. As indústrias têm encontrado mais dificuldade que o normal para comprar no início de segundo semestre.


As projeções de resultados, desde o começo do ano, apontavam que não seria fácil encontrar viabilidade para fechar animais no cocho. Este cenário se arrastou até o final de junho. O preço do milho demorou a cair e encareceu a operação.


Sidnei Maschio: E para o segundo giro do confinamento, dá para apostar em uma oferta maior?


Alex Lopes: Sem dúvida. Considerando os custos atuais, em queda depois que a colheita da safrinha começou, e as oportunidades de preços de venda da B3 nos contratos de outubro e novembro, os retornos projetados chegam a 3,0% ao mês.


E, à medida que os preços no mercado físico subirem entre julho e agosto, a tendência é que a bolsa precifique ainda melhor os contratos do final de ano.


Sidnei Maschio: Se o povo está vendo que não vai ter boi para fazer o abastecimento no mercado, por que é que a cotação ainda não está desembestada na subida do estradão?


Alex Lopes: É a força da demanda. Sem que haja melhora de consumo, a oferta, sozinha, não tem força para impulsionar o mercado para cima. Portanto, o que tem limitado as valorizações no começo da entressafra é o escoamento da produção, que só começou a dar algum sinal de melhora, ainda que de forma lenta, na segunda semana de julho.


Sidnei Maschio: Alex, normalmente o consumo de carne melhora na metade derradeira do ano, podemos acreditar que isso vai se repetir este ano?


Alex Lopes: Sim, o consumo deve melhorar. O que talvez pode acontecer é que ele venha com menor força do que esperávamos no começo de 2018. As expectativas econômicas, embora melhores que as 2017, já são mais comedidas frente as que surgiram em janeiro deste ano.


Sidnei Maschio: No mercado atacadista, a carne com osso, que estava caindo, agora passou a subir, enquanto o produto desossado, que estava em alta, desceu. Como é que explicamos isso para o pecuarista?


Alex Lopes: Quando a oferta de matéria-prima diminui, as negociações spot de carcaça tendem a ganhar força. Além disso, tem o efeito do pagamento de salários, que normalmente melhora o giro de estoque dos varejistas, que são menores, mais enxutos, nos estabelecimentos que compram carne com osso. Tudo isso somado contribuiu para a alta da carne com osso.


Já a situação de mercado da carne desossada demonstra que açougues e supermercados estão ofertando o que havia estocado (este produto permite mais estocagem) e o fluxo de recompra não é suficiente para puxar os preços de venda na indústria.


Sidnei Maschio: Com essa pequena melhora acontecida até agora no preço do boi gordo, como é que está hoje a margem de comercialização dos frigoríficos em geral?


Alex Lopes: A margem diminui, está em 23%, sete pontos percentuais abaixo do registrado há um mês.


Sidnei Maschio: A alta no preço da arroba pode ajudar a desempacar o comércio dos animais de reposição?


Alex Lopes: Sim, a partir da melhora nos preços da arroba, os recriadores ganham mais ânimo para vender a boiada e repor o rebanho.


Sidnei Maschio: Esticando agora a vista um pouco mais lá para diante, vai ter bezerro à vontade na praça no ano que vem?


Alex Lopes: Não. O abate de fêmeas aumentou em 2017 e são as vacas e novilhas que emprenharam naquele ano que irão determinar o tamanho da safra de bezerros em 2019. Portanto, com menos matrizes em reprodução, certamente teremos menos oferta de bezerros.


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