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Scot Consultoria

Oto Xavier – Jox Consultoria


Quarta-feira, 1 de junho de 2011 - 09h20

Oto J. Xavier, diretor da empresa Jox Assessoria Agropecuária. Scot Consultoria: Para iniciarmos, por favor, nos faça uma descrição rápida do comportamento das exportações de carne de frango em 2010 e quais as perspectivas para 2011? Como você posiciona o Brasil no mercado internacional entre os principais exportadores de carne de frango? Quais as vantagens competitivas que o país possui diante dos demais participantes mundiais? Oto Xavier: As exportações brasileiras de carne de frango in natura no ano de 2010 atingiram um volume de 3,461 milhões de toneladas, ante 3,267 milhões de toneladas registradas no ano de 2009, o que representou um crescimento da ordem de 5,9%. No tocante à valores, as exportações de 2010 geraram uma receita Fob de US$5,789 bilhões contra US$4,820 bilhões auferidos em 2009, um incremento de 20,1%. Este crescimento substancial na receita deve-se à recuperação dos valores que haviam sido perdidos durante a crise global, mas também em parte pela valorização generalizada havida nos preços das commodities em geral. A despeito da valorização substancial do Real ante o Dólar americano, o que tirou parte da competitividade do frango brasileiro, o país continua com um bom desempenho como exportador. Saliente-se, que, se no acumulado de 2011, até abril inclusive, as exportações atingiram um volume de 1,138 milhão de toneladas, ante 1,049 milhão de toneladas registradas de janeiro a abril de 2010 (o que representa um crescimento de 8,5%), a receita obtida no mesmo período de 2011,foi de US$2,182 bilhões contra US$1,684 bilhão (um incremento de 29,6%). Nossas principais vantagens competitivas diante de nossos concorrentes são os custos mais baixos de produção, em razão de sermos grandes produtores de milho e soja, importantes insumos para fabricação de rações e a eficiência produtiva de nossa indústria avícola. O Brasil tem tudo para continuar sendo, senão o maior, um dos maiores exportadores de frango. Scot Consultoria: Em 2010, no final do ano, o frango vivo atingiu cotação recorde, impulsionado em grande parte pela carne bovina que também teve alta significativa. Em 2011 os primeiros meses foram de preços crescentes para o frango que depois se desvalorizou. Você acredita que essa queda é apenas reflexo de um aumento na produção, já que o mercado se mostrava favorável, ou a carne bovina em queda desde janeiro está recuperando parte da competitividade perdida para a proteína do frango? Ou será um somatório dos dois fatores? Oto Xavier: A queda havida nos preços do frango, a partir de abril, é reflexo não só do excesso de produção em si, mas também da maior disponibilidade interna de carne de frango, o que deteriorou os preços. Aparentemente, as exportações não estão alcançando os volumes planejados pela indústria, o que torna o mercado interno mais ofertado. Evidentemente, as quedas de preços são fator importante para incentivo do consumo de carne bovina, em detrimento do frango. Scot Consultoria: Segundo dados da Conab, o consumo per capita de carne de frango saiu de 38,6kg em 2009 para 43,9kg em 2010, se firmando cada vez mais como a proteína mais consumida no país. Acredita que esse panorama de crescimento deve continuar em 2011? Os custos de produção em alta, principalmente milho e farelo de soja, podem encarecer a carne de frango e reduzir sua competitividade? Oto Xavier: Na prática, o consumo per capita de carne de frango deve continuar crescendo, tanto em decorrência da maior disponibilidade interna prevista quanto pela melhora do poder aquisitivo da população. O grande fator limitante é realmente o alto custo previsto para a produção, resultante dos altos preços dos insumos de ração, principalmente milho e farelo de soja. Uma vez que o volume total oferecido ao mercado interno tenha se ajustado, os preços ao consumidor tenderão a subir rapidamente. O fato é que, no momento, a atividade está operando com grandes prejuízos. Em razão dos valores relativos, a tendência é de que as outras carnes também fiquem mais caras. Scot Consultoria: Com relação aos suínos, o Brasil é considerado o quarto maior exportador desse tipo de carne, atrás de Canadá (3º), União Europeia (2º) e Estados Unidos (1º), que possuem um custo de produção bastante elevado. Sendo assim, quais as vantagens competitivas que esses países possuem em relação ao Brasil? Quais os entraves a um maior crescimento desse setor no mercado internacional? Oto Xavier: Embora os custos de produção da carne suína brasileira sejam mais baixos que os dos principais países exportadores, nosso acesso aos maiores mercado consumidores do produto tem sido obstado por barreiras comerciais e sanitárias (muito embora o Brasil não apresente problemas sanitários graves). Na verdade, os impedimentos para que o Brasil alavanque suas exportações de carne suína são meramente comerciais. Scot Consultoria: A concentração no setor frigorífico também chegou ao segmento de aves e suínos. Esse fator somado a pressão econômica, com aumento nos custos de produção, está dificultando cada vez a produção independente? As integrações e cooperativas são as formas de produção mais viáveis para o produtor atualmente? Oto Xavier: A produção independente está realmente comprometida, até mesmo por uma questão de escala. Com certeza, as integrações verticais e cooperativas são a melhor forma de produção para a avicultura de corte e suinocultura, pois conseguem baixar sensivelmente os custos de produção, aumentando a competividade e a rentabilidade na operação.
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