A produção brasileira deve ser recorde novamente em 2026/27, e a exportação pode alcançar máxima histórica.
Foto: Shutterstock
A safra 2025/26 terminou com produção recorde de 4,1 milhões de toneladas, (Conab). A produtividade também foi a maior já registrada, alcançando 2.054 kg por hectare, o que compensou a diminuição da área semeada, que foi de 2,02 milhões de hectares, redução de 3,4% em relação à safra 2024/25.
Para 2026/27, a estimativa é de um aumento de 3,7% na área semeada, perfazendo 2,09 milhões de hectares, porém com uma queda de 3,3% na produtividade, estimada em 1.986 kg por hectare. A produção deve aumentar 0,3%, mantendo as 4,1 milhões de toneladas.
Para 2026/27, China, Índia, Brasil e Estados Unidos estarão entre os principais produtores mundiais (USDA). A produção total está estimada em 25,6 milhões de toneladas, abaixo do consumo esperado estimado em 26,8 milhões de toneladas.
Figura 1.
Produção do algodão em pluma em milhões de toneladas em cinco safras.
Fonte: USDA; Elaboração: Scot Consultoria
*estimativa
Até setembro, a produção alcançou 2,3 milhões de toneladas, aumento de 20,8% em relação a ao acumulado até setembro de 2025, (MDIC).
Os principais destinos em faturamento, para até setembro, foram Índia (25,3%), Bangladesh (16,4%), Turquia (14,1%) e Vietnã (10,1%). Mato Grosso é o maior exportador, cuja participação é de 49,1% ou US$163,3 milhões, seguido pela Bahia, com participação de 33,6% e US$112,8 milhões, e São Paulo, com 10,1% e US$33,5 milhões.
Para 2027, a exportação do algodão brasileiro está estimada em 3,48 milhões de toneladas (USDA). Caso atinja esse volume, será o quarto recorde consecutivo.
O Brasil é o maior exportador global de algodão, seguido pelo Estados Unidos. Entretanto, a produção norte americana deve cair 3,3%, de 3,02 para 2,92 milhões de toneladas. Mas a perspectiva é de manter a exportação em 2,6 milhões de toneladas em 2027.
A importação é baixa, uma vez que temos estoques para atender o mercado interno. Em 2026, foi de 1000 toneladas, que deve se manter para 2027, (Conab).
Países como a China e a Índia, apesar de estarem entre os maiores produtores mundiais, com produção estimada em 7,2 milhões e 5,2 milhões de toneladas para 2027, respectivamente, não atendem integralmente à demanda interna, que deve subir para 9,1 milhões e 5,7 milhões de toneladas. Dessa forma, dependem da importação para suprir o consumo doméstico e manter os estoques.
Os maiores importadores mundiais são Vietnã e Bangladesh, eles importam 97,0% do comércio global para atender o mercado interno, seguido por China, Paquistão, Turquia e Índia (USDA).
O consumo interno da pluma está estimado em 740,0 mil toneladas na safra 2025/26 (Conab). Para 2026/27, o consumo deve subir 0,7%, chegando em 745,0 mil toneladas. Esse aumento vem da maior produção, porém a exportação continua sendo a maior parte destinada da produção nacional.
Em 2027, um consumo mundial está estimado em 26,8 milhões de toneladas, um aumento de 43,5 mil toneladas comparado a 2026 (USDA). Esse crescimento vem do crescimento da demanda por países como Guatemala, Malásia e Vietnã.
Os maiores consumidores do algodão devem manter o ranking para 2027, são eles China, Índia, Paquistão, Vietnã, Bangladesh e Turquia.
O preço do algodão em Nova York subiu 26,7% na média semanal nos últimos 13 meses. Entretanto, os preços vêm caindo desde setembro, quando atingiu preço máximo na última semana de agosto, em US¢93,74, e fechou na sexta-feira 23/10 em US¢80,21, queda de 14,4%.
Os contratos futuros também caíram na comparação feita dia a dia, para dezembro de 2026 fechou em US¢79,43 e março de 2027 em US¢83,27.
No Brasil, a boa oferta da fibra, as incertezas em relação as eleições e a divergência entre compradores e vendedores pressionam as cotações. As fibras de melhor qualidade e a queda dólar, entretanto, sustentam os preços.
Os estoques mundiais também devem diminuir. Com o recuo previsto de 3,3% na produção mundial e consumo doméstico em 26,8 milhões de toneladas para 2027, pode haver uma valorização do algodão em decorrência da menor oferta.
O clima também aumenta o risco na produção, principalmente nos Estados Unidos.
Figura 2.
Média de preços semanais máximos do algodão nos últimos 13 meses em Nova York, em centavos de dólar por libra-peso (US¢/lp).
Fonte: Investing.com; Elaboração: Scot Consultoria
*até 23/10
A cotação do algodão deve seguir firme em função da elevada produção e pelo bom desempenho da exportação. Para 2026/27, a produção e embarques devem ser recordes, mantendo o Brasil como o maior exportador mundial de algodão. No mercado interno, o consumo deve crescer moderadamente, e a exportação permanece como principal destino da produção brasileira.
No mercado internacional, a demanda deve continuar acima da produção, com China e Índia recorrendo às importações para complementar a oferta doméstica. Com a produção mundial menor que o consumo, há á espaço para elevação das cotações. O clima é um fator de risco, com o El Niño, aumentando as incertezas sobre a produtividade, especialmente nos Estados Unidos.
Apesar da queda recente na bolsa em Nova York, a estimativa é de preços firmes no curto prazo, sustentados por fatores como a oferta de fibras de maior qualidade e o câmbio.
<< Notícia AnteriorReceba nossos relatórios diários e gratuitos