• Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Assine nossa newsletter
Scot Consultoria

Os caminhos para fortalecer a competitividade do agro brasileiro

Integração produtiva, políticas públicas, infraestrutura e abertura de mercados estão entre os fatores que podem ampliar o protagonismo do Brasil no cenário global.


Foto: Bela Magrela

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção agropecuária mundial e tem diante de si a oportunidade de ampliar ainda mais sua participação no mercado internacional. A demanda global por alimentos, fibras e energia abre espaço para novos avanços, mas também exige maior eficiência e capacidade de responder às demandas dos diferentes mercados.

Nesse cenário, produtividade, sustentabilidade e integração entre atividades ganham importância para consolidar o protagonismo brasileiro.

Chamamos Francisco Matturro para comentar sobre o assunto.

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) pode mudar a dinâmica econômica da propriedade. Onde você enxerga as maiores oportunidades de geração de valor para o produtor dentro desses sistemas? 
Francisco Matturro: Temos no Brasil 165,0 milhões de hectares de pastagens para conversão em sistemas integrados de produção para produzir mais e melhor.

A integração permite converter pastagens, melhorar o uso do solo, ampliar a produção na mesma área, diversificar receitas e reduzir riscos. Na pecuária, ela contribui para aumentar a oferta de pastos de boa qualidade, melhorar o desempenho, o bem-estar animal e elevar a eficiência produtiva.

A ILPF reúne sustentabilidade ambiental, social e econômica. Gera oportunidades de produtividade e renda, contribui para a conservação dos recursos naturais e a redução da intensidade das emissões, além de estimular a qualificação profissional, a geração de empregos e o desenvolvimento das comunidades rurais.

Essa combinação fortalece a competitividade do produtor e contribui para a melhoria da qualidade de vida e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Com sua experiência à frente da Rede ILPF, como você avalia a evolução do interesse do produtor pelos sistemas integrados e o que pode acelerar essa adoção nos próximos anos?
Francisco Matturro: O interesse pelos sistemas integrados de produção cresce à medida que o produtor reconhece seus benefícios para a produtividade, a geração de renda, a conversão de pastagens e a gestão de riscos, aliados aos ganhos ambientais, sociais e econômicos.

O produtor brasileiro é empreendedor, inovador e busca resultados concretos. Para ampliar a adoção dos sistemas integrados de produção, três fatores são fundamentais: acesso à educação, ao conhecimento e à assistência técnica, demonstração de resultados econômicos e financiamentos adequados aos diferentes sistemas produtivos.

A Rede ILPF atua na conexão entre empresas, pesquisa, instituições de ensino, assistência técnica e produtores, promovendo a difusão de tecnologias e transformando conhecimento em resultados positivos para a agropecuária brasileira.

Com base na sua experiência na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o produtor convive com custos elevados, juros, riscos climáticos, entre outros fatores. Na sua visão, quais políticas públicas teriam maior impacto sobre a capacidade de investimento e a competitividade do produtor?
Francisco Matturro: O produtor rural precisa de previsibilidade e condições favoráveis para planejar e realizar seus investimentos, considerando os ciclos produtivos e os riscos inerentes à atividade agropecuária.

Durante a gestão na Secretaria foram feitas políticas estruturantes, como IntegraSP, a lei da regularização fundiária, o avanço na análise e processamento do CAR, Programas Rotas Rurais, Segurança no Campo, Milho+SP, Solo+Fértil. Na defesa agropecuária, São Paulo ficou livre da vacinação contra a febre aftosa. Essas ações de grande impacto no estado de São Paulo influenciaram outros estados a seguirem o mesmo caminho.

A educação e a atualização da assistência técnica também são estratégicas, pois ampliam o acesso ao conhecimento e favorecem a adoção eficiente das tecnologias disponíveis.

Políticas públicas bem estruturadas criam condições para aumentar a produtividade, fortalecer a competitividade e promover a sustentabilidade econômica, ambiental e social da agropecuária no curto, médio e longo prazo.

São Paulo é um importante mercado consumidor, mas também um grande polo de processamento e distribuição. Como essa estrutura influencia a formação de preços e as oportunidades para o produtor? 
Francisco Matturro: São Paulo reúne cerca de 46,0 milhões de habitantes, o maior mercado consumidor e com a produção agropecuária mais diversificada do país. Indústrias de processamento altamente desenvolvidas e infraestrutura logística que conecta o campo aos mercados nacional e internacional.

Essa estrutura amplia as oportunidades de comercialização e agregação de valor, ao mesmo tempo que estimula a eficiência, a qualidade, a regularidade de fornecimento e a competitividade.

Os preços agropecuários acompanham fatores como oferta e demanda, mercado internacional, câmbio e custos de produção. Nesse cenário, a proximidade com a indústria, os centros de distribuição e os consumidores representa uma vantagem estratégica.

O Brasil pode terminar 2026 como o maior exportador agrícola do mundo, superando os Estados Unidos. O que essa mudança representa para o agronegócio brasileiro e para a posição do país no mercado global de alimentos? 
Francisco Matturro: O Brasil já é o maior exportador de alimentos primários e industrializados do mundo.

Nosso grande objetivo é consolidar e ampliar esse protagonismo nas próximas décadas, investindo em tecnologias, educação, qualificação profissional, infraestrutura e abertura de mercados.

O mundo demanda cada vez mais alimentos, fibras e energia, e o Brasil tem condições de ampliar sua contribuição para a segurança alimentar global, aumentando a produtividade e utilizando melhor as áreas disponíveis.

Os sistemas integrados, como a ILPF, representam uma importante estratégia nesse processo, promovendo a conversão de pastagens, a diversificação produtiva e o uso eficiente dos recursos naturais.

Francisco Matturro

Formado em administração de empresas, hoje é empresário do agronegócio. Em 2021, foi nomeado Secretário Executivo de Agricultura e Abastecimento de São Paulo e, em 2022, exerceu o cargo de Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado. Foi um dos fundadores da ABAG (Associação Brasileira de Agronegócios). Atualmente, é presidente executivo da Rede ILPF, do Conselho de Administração da FUNDEPAG e Head do LIDE Agronegócio.

<< Entrevista anterior
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos

Assine nossa newsletter

Loja