Chicago puxou a alta do meio do ano, e o estoque apertado nos Estados Unidos indica preços firmes. Pelas cotações de hoje, a colheita brasileira de 2027 vale mais que a de 2026.
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Segundo levantamento da Scot Consultoria, a saca de soja em Paranaguá-PR estava cotada em R$155,50 em 9/10, queda de 3,4% em 30 dias, mas alta de 10,7% em 12 meses. A virada veio no meio do ano. No primeiro semestre, a saca ficou, em média, em R$130,70; de 18/6 a 17/9, subiu de R$132,00 para R$163,50, alta de 23,9% (figura 1).
Figura 1.
Cotação da saca de soja em Paranaguá-PR, em R$, de janeiro de 2025 a 9/10/2026.
Fonte: Scot Consultoria.
Chicago puxou o movimento, com o contrato de primeiro vencimento subindo 17,5% no período, de US$11,20 para US$13,20 por bushel, e respondendo pela maior parte da alta. O prêmio de exportação em Paranaguá completou o avanço, ao passar de US$1,00 para US$1,50 por bushel, enquanto o dólar permaneceu estável.
Nos últimos 30 dias, a queda veio do câmbio: o dólar recuou 2,1%, enquanto Chicago e o prêmio ficaram praticamente parados.
A alta do prêmio é típica da entressafra, período em que, entre 2015 e 2025, o prêmio em Paranaguá ficou, em média, entre US$1,60 e US$1,70 por bushel de agosto a outubro, frente aos US$0,40 a US$0,50 registrados de janeiro a abril, durante a colheita. Em 2026, o roteiro se repetiu: o prêmio chegou a ficar negativo em março e subiu para US$1,70 em agosto.
Em Chicago, o que mais pesa é o estoque norte-americano, cuja influência sobre os preços pode ser observada na comparação entre a cotação média anual da soja e a relação entre estoque final e consumo dos Estados Unidos (uso interno mais exportação). Esse indicador mostra quanto do consumo anual poderia ser atendido pelos estoques remanescentes ao fim da safra: quanto menor a relação, mais apertada está a oferta frente à demanda.
De 2011 a 2025, pela média das projeções do USDA publicadas em cada ano, essa relação explicou 76,0% das variações do preço (figura 2). Em média, uma relação 10,0% menor veio com cotação 4,4% maior.
Figura 2.
Relação entre estoque final e consumo de soja nos Estados Unidos (média das projeções do USDA publicadas no ano) e cotação média anual da soja em Chicago (contrato de primeiro vencimento), em US$ por bushel, de 2011 a 2026. 
Fonte: USDA, CME Group / Elaborado por Scot Consultoria.
Para 2026/27, mesmo com a safra recorde de 124,2 milhões de toneladas, o USDA projeta a relação em 6,9%, abaixo dos 7,3% de 2025/26: o consumo, somado à exportação, cresce 6,8%, e o estoque fica estável em 8,6 milhões de toneladas. Se a relação ficar nesse nível, a curva indica média de cerca de US$12,40 por bushel em Chicago em 2027, 5,6% acima da média de 2026 até aqui, de US$11,80.
O mercado já está acima: o contrato para novembro fechou 9/10 a US$12,90, e o de maio de 2027, a US$13,30. Enxergamos Chicago firme, mas com espaço menor para novas altas, a não ser que o estoque norte-americano volte a cair nos próximos relatórios, por conta de reduções de safra ou aumento no esmagamento, por exemplo.
No Brasil, a mesma relação explicou 71,8% das variações do preço médio anual em Paranaguá, em dólar. Para a colheita de 2027, de janeiro a abril, estimamos o preço pela paridade de exportação: Chicago (contratos de março e maio de 2027) mais o prêmio de fevereiro a abril, que está perto de zero e os custos de embarque no navio, ajustados pela diferença média do último ano entre o preço da Scot Consultoria e a paridade.
O dólar caiu 8,3% em 12 meses, e a mediana do Focus, do Banco Central, para o fim de 2027 recuou de R$5,50, em janeiro, para R$5,26. Com o dólar a R$4,86, a saca ficaria, em média, em R$138,90 de janeiro a abril de 2027; a R$5,06, perto do câmbio atual, em R$144,60; e a R$5,26, em R$150,30 (figura 3). Cada R$0,10 no dólar vale cerca de R$2,90 por saca.
Figura 3.
Cotação média da saca de soja em Paranaguá-PR de janeiro a abril, em R$, e estimativa média da Scot Consultoria para janeiro a abril de 2027 em três cenários de dólar, pela paridade de exportação de 9/10.
Fonte: Scot Consultoria, CME Group, Cepea, Banco Central / Elaborado por Scot Consultoria.
Nos três cenários, o preço fica de 6,3% a 15,1% acima da média de janeiro a abril de 2026, de R$130,60, mas abaixo dos R$155,50 atuais, já que o prêmio cai na colheita.
Assim, enxergamos melhora para o produtor brasileiro em 2027, mesmo com o real mais forte. Os riscos são a safra brasileira, que o USDA projeta em 186,0 milhões de toneladas, recorde, e um real ainda mais valorizado: a R$4,60, o piso das projeções do Focus, a saca ficaria em R$131,50 de janeiro a abril, praticamente o preço de 2026.
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