• Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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Inverno chuvoso leva pastagens a NDVI recorde na seca

Em Goiás, junho registrou até 2,7 vezes o volume normal de chuvas, e o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) das pastagens chegou ao maior nível desde 2001 nos cinco estados.


Foto: Bela Magrela

Foto: Bela Magrela

O inverno de 2026 “fugiu” do roteiro de seca no Centro-Sul, principalmente em junho, quando Goiás recebeu 22,3mm, 2,7 vezes à normal de 1991-2020 (8,2mm) e o 2º maior volume para o mês desde 1981. Em Minas Gerais foram 29,2mm (2,5 vezes à normal, 3º maior) e, em São Paulo, 91,9mm, o dobro do esperado (figura 1 e tabela 1).

Como no inverno quase não chove, os percentuais precisam ser lidos com cuidado: em volume, a chuva extra de junho se concentrou em SP e MS, com 46,0mm e 37,8mm acima da normal, respectivamente (em SP, de 45,9mm para 91,9mm), enquanto em GO, MG e MT foram de 5,6mm a 17,7mm a mais, é pouco em números absolutos, mas relevante para a umidade do solo em plena seca.

Figura 1.
Chuva de junho de 2026 em relação à normal 1991-2020 (mm).

Fonte: CHIRPS (UCSB/USGS) / Elaborado por Scot Consultoria

Já em julho e agosto, a chuva ficou acima do normal em SP, MS e MG e abaixo em GO e MT, onde agosto foi seco. No acumulado de junho a agosto, MG teve o 4º inverno mais chuvoso desde 1981 (52,7mm, contra 31,5mm normais), SP o 6º (167,7 mm, contra 104,8mm), MS o 8º e GO o 9º, enquanto MT ficou na média. Setembro, pela estimativa preliminar do ERA5-Land, foi chuvoso em SP (166,0mm, 2,1 vezes a normal) e seco em GO e MT.

Tabela 1.
Chuva no inverno de 2026: anomalia em relação à normal 1991-2020, total e posição desde 1981 (1º = mais chuvoso).

Fonte: CHIRPS (jun-ago) e ERA5-Land (setembro, preliminar) / Elaborado por Scot Consultoria

Um padrão de El Niño

Desde 1981, a chuva de junho a agosto ficou, em média, de 11,6% a 19,5% acima do normal nos anos de El Niño nos cinco estados, contra -4,8% a +1,0% nos demais, e os invernos de 1982, 1997 e 2009, de El Niño forte, estão entre os mais chuvosos da série. Ainda assim, em 1991 o inverno foi seco e, em 2015 e 2023, o sinal foi misto.

Pasto verde em plena seca

Nas pastagens, o índice de vegetação (NDVI), medido por satélite só em áreas que são pasto desde 2000, ficou entre julho e setembro de 12,3% a 25,4% acima da média de 2001-2025, o maior nível da série nos cinco estados (figura 2), com os maiores desvios em MS e SP, onde mais choveu.

Figura 2.
Anomalia do NDVI das pastagens entre julho e setembro em relação à média 2001-2025.

Fonte: MODIS/NASA e MapBiomas / Elaborado por Scot Consultoria

Reflexos no mercado

Os confinamentos estão mais vazios que no ano passado e, além da reposição cara, parte dos confinadores cita as chuvas como motivo, principalmente em boitel, já que, com um pouco mais de pasto na seca, mais pecuaristas mantiveram o gado na fazenda em vez de enviá-lo para a terminação.

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