As afecções de casco foram a segunda principal causa de morbidade relatada em confinamentos em 2025 e, além de comprometerem bovinos de corte, também geram impactos na atividade leiteira.
Foto: Magnific
As afecções de casco estão entre as principais enfermidades que acometem bovinos de corte e leite. Em confinamentos, segundo a pesquisa expedicionária da Scot Consultoria, o Confina Brasil 2025, foram apontadas como a segunda principal causa de morbidade.
As afecções de casco têm origem multifatorial e estão relacionadas principalmente a falhas de manejo, nutrição e condições ambientais.
Distúrbios nutricionais e metabólicos, como a acidose ruminal, podem desencadear a laminite, que provoca dor e claudicação e predispõe ao surgimento de lesões secundárias, como úlcera de sola e doença da linha branca.
Ambientes úmidos, com acúmulo de matéria orgânica e higiene deficiente, favorecem a proliferação de bactérias, como Fusobacterium necrophorum e Dichelobacter nodosus, aumentando a ocorrência de dermatite interdigital e erosão de talão.
Além disso, traumas, excesso de pressão sobre os cascos e a baixa qualidade do tecido córneo contribuem para o desenvolvimento e agravamento dessas enfermidades.
Apesar da origem multifatorial, alguns sinais são comuns, como claudicação, aumento da temperatura na região afetada e inchaço. Com a evolução do quadro, podem ocorrer deformações dos cascos, feridas com presença de pus e até necrose.
O bovino tende a permanecer mais tempo deitado e reduzir a movimentação. Como consequência, pode apresentar menor ganho de peso e redução da produção de leite, gerando prejuízo direto ao produtor.
O tratamento pode incluir casqueamento e limpeza dos cascos e, quando necessário, curetagem, procedimento cirúrgico para retirada de tecidos mortos, em conjunto com a aplicação tópica de spray à base de cloridrato de oxitetraciclina associado à hidrocortisona, ou seja, antibiótico e anti-inflamatório, respectivamente. O uso deve ser mantido enquanto houver necessidade, enquanto apresentar feridas. O frasco de 125ml está, em média, cotado em R$45,83.
Em alguns casos, é necessário tratamento sistêmico, com a associação de antibiótico e anti-inflamatório. Entre os medicamentos utilizados estão o ceftiofur e o meloxicam 2%, respectivamente.
Para o ceftiofur, a dose é de 1 ml/50kg, com duração de três dias, podendo chegar a cinco, em intervalos de 24 horas. Para um bovino de 12,5@, ou 375kg, a dose diária é de 7,5ml. Considerando três dias de tratamento, são necessários 22,5ml. Em julho, o preço médio do medicamento foi de R$72,26 por frasco de 100ml. Dessa forma, o custo do tratamento para um bovino dessa categoria foi de R$16,26.
Como complemento, utiliza-se o meloxicam 2%, na dose de 2,5 ml/100kg, em dose única ou por dois dias, com intervalo de 24 horas. Para um bovino de 375kg, a dose é de 9,4ml. Em julho, o preço médio do medicamento foi de R$120,93 por frasco de 50ml, resultando em um custo de R$22,67 por dose.
Com isso, o custo médio do tratamento em julho foi de R$34,93 por bovino de 12,5@.
Logo, a prevenção é a melhor estratégia. Entre as principais medidas estão a avaliação periódica e o casqueamento, o fornecimento de dieta balanceada, o uso de soluções desinfetantes em pedilúvios, a preferência por pisos lisos e secos e o controle da lotação.
Essas medidas, além de prevenirem as afecções de casco, contribuem para reduzir a ocorrência de outras enfermidades, ampliando a economia para o produtor.
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