O inverno vem chegando e o mercado de couro está com preços em alta pelo terceiro mês seguido.
Foto por: Shutterstock
Caminhando do outono para o inverno, as temperaturas no Brasil começam a baixar, à medida que os dias também encurtam.
Nesses dias mais frios, aquelas peças de roupas guardadas voltam a ser utilizadas. E, normalmente, aquela velha jaqueta de couro.
O mercado de couro, como qualquer outro, sofre impactos diretos da época do ano, do clima, do dólar, e, claramente, da oferta e demanda. Seja ela do exterior, com os grandes desenhistas da moda mundial na China e Itália, ou internamente, com as indústrias de calçados, vestuário e automotiva.
Além do clima influir na intenção de consumo (pensando que o frio mobiliza pessoas a comprarem uma peça de couro para vestuário), ele também pode impactar na oferta da matéria-prima: o bovino.
A qualidade das pastagens caí, perde vigor com o fim das chuvas e a diminuição do fotoperíodo, e então a oferta de boiadas para as unidades frigoríficas aumenta, levando a uma maior produção de couro.
É, nesse período, que o consumo de couro cresce, contudo, a maior disponibilidade de produto acarreta preços mais baixos do couro cru.
E, também, um olhar para o concorrente, o courino (ou corino). Que é um tecido sintético, que imita o couro natural. É feito de algodão ou poliéster revestido por PVC. Ou, também, de PU (poliuretano).
E o PVC, por sua vez, é composto por quase metade de eteno, um derivado do petróleo. Mesma situação do poliuretano. E o petróleo, por sua vez, está com seus preços em ascensão.
A alta da cotação dos combustíveis elevou o preço do couro, em função da logística.
Figura 1.
Cotações médias mensais, do couro verde, em São Paulo, sem ICMS, em R$/kg, de janeiro de 2025 a maio de 2026.
Fonte: Scot Consultoria
E, a demanda internacional pelo couro está boa.
A exportação em 2026 foi a maior da história no primeiro quadrimestre, em volume, mas o faturamento caiu.
Figura 2.
Volume, em milhares de toneladas, e faturamento, em bilhões de dólares, de couro exportado no primeiro quadrimestre de cada ano.
Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria
No curto prazo, a procura não deve surpreender e os preços devem se manter estáveis.
As medidas protetivas, para conter a alta dos combustíveis, por sua vez também limitam uma alta de preços, reforçando o cenário de estabilidade.
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