• Quarta-feira, 11 de março de 2026
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Carta Insumos - Guerra no Oriente Médio repercute no óleo diesel

Com os grandes produtores de petróleo envolvidos no conflito, o mercado nacional e internacional do diesel sente o impacto da guerra.


Foto: Dean Conger

Foto: Dean Conger

Em 28 de março, os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã. A represália do Irã se expandiu pelo Oriente Médio e causou apreensão no agro brasileiro.

O petróleo e seus derivados, como o diesel, estão entre os produtos afetados. Dos dez maiores produtores mundiais, sete estão envolvidos em conflitos: Estados Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Irã, Kuwait e Rússia (guerra com a Ucrânia).

Já havia indícios da possível intervenção dos Estados Unidos na região, com a consequente interrupção do fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passam entre 20,0% e 30,0% do petróleo mundial. Em 2 de março, o Irã anunciou o bloqueio total da navegação no Estreito, paralisando o tráfego de petroleiros.

Em 9 de março de 2026, a cotação do petróleo Brent fechou em US$98,96/barril (com a máxima atingindo US$119,50/barril), maior nível desde 2022, quando chegou em US$99,31/barril (figura 1).

Figura 1.
Preço de fechamento do Petróleo Brent Futuros, em US$/barril, desde 2022.
Fonte: Investing. Elaboração: Scot consultoria.

Desde o início da guerra, o preço de fechamento do Brent futuro subiu 15,2%, ou US$13,97 por barril.

Figura 2.
Comportamento diário do preço do Petróleo Brent Futuros, em US$/barril, desde o início de fevereiro de 2026.
Fonte: Investing. Elaboração: Scot Consultoria.

O Brasil está entre os dez maiores produtores. Em 2025 a produção média foi de 4,89 milhões barris de óleo equivalente por dia (boe/d), alta de 13,2% frente a 2024 (ANP). Ainda assim, o país importou cerca de 600 mil boe/d de derivados do petróleo, pois o parque de refino não acompanha o avanço da produção (INEEP).

Nesse contexto, o diesel importado começa a faltar e os preços sobem. Há relatos de dificuldade de abastecimento no mercado spot em algumas regiões do país. A ANP também registrou problemas pontuais, principalmente no Rio Grande do Sul, maior consumidor do diesel no Brasil.

Segundo a Abicom, o preço do diesel nas refinarias brasileiras pode subir ao menos R$2,74 por litro, isso ocorre porque, pela primeira vez, há uma defasagem estimada em 85,0% entre o preço da Petrobras e o mercado internacional. Em alguns locais, os ajustes nas bombas já variam de R$1,00 a R$2,00 por litro.

O momento também preocupa por coincidir com o período de maior consumo de diesel na agricultura, devido à colheita e ao transporte de grãos, como soja e arroz, podendo refletir no preço final.

Conclusão

Caso o conflito no Oriente Médio persista, somado ao aumento da demanda e à dependência brasileira de derivados do petróleo importados, podem ocorrer problemas de abastecimento e mais altas nos preços. E, mesmo que o fluxo no Estreito de Ormuz seja retomado, a normalização das exportações deve levar semanas.

Referencias:

AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP). Comunicado sobre abastecimento de diesel. Disponível em: Comunicado ANP: abastecimento de diesel — Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

CNA – CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL. CNA defende aumento imediato da mistura de biodiesel ao óleo diesel para 17%. Disponível em: CNA defende aumento imediato da mistura de biodiesel ao óleo diesel para 17% | Portal CNA Brasil.

INEEP – INSTITUTO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS DE PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Boletim de Exploração e Produção de Petróleo. Edição nº 9, fev. 2026.

INVESTING.COM. Brent Oil – cotações do petróleo Brent. Disponível em: https://br.investing.com/commodities/brent-oil

ISTOÉ DINHEIRO. Petróleo se aproxima de US$ 100 e pressiona reajustes de gasolina e diesel. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/petroleo-us-100-reajuste-gasolina-diesel

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