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Carta Boi - Confinar boi: foi um bom negócio em 2025?

Com aumento do preço da reposição e um custo oportunidade elevado, considerando o aumento da taxa básica de juros, alocar recursos na compra de boiadas para confinar foi um bom negócio?


Foto por: Freepik

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Artigo originalmente publicado em Agroanalysis.

Segundo a pesquisa-expedicionária da Scot Consultoria, o Confina Brasil, o confinamento de bovinos no Brasil cresceu em 2025 em relação a 2024 e trouxe, principalmente no segundo semestre, boas margens ao confinador.

Entre abril e maio, com o outono e o avanço do período seco, acontece o primeiro giro de confinamento, visando à terminação em julho e agosto. O segundo giro ocorre entre os meses de agosto e outubro.

Os custos são o fator determinante da rentabilidade nos confinamentos, sendo a aquisição do boi magro o item mais significativo, representando até 70,0% do total.

Em 2025, a rentabilidade apresentou cenários distintos entre o primeiro e o segundo giros, devido à evolução diferente dos custos e do preço da arroba do boi gordo.

No primeiro giro, o preço do boi magro subiu 1,1% entre abril e julho, enquanto a cotação da arroba do boi gordo subiu 0,3% no mesmo período. Pelo lado da alimentação, a cotação d milho, principal componente energético da dieta, caiu 32,8% na praça de Campinas (SP). A relação de troca da arroba do boi gordo em relação à saca de milho, em abril, esteve em 3,55 sacas de milho compradas por arroba bovina.

Já no segundo giro, a dinâmica se inverteu. Entre agosto e outubro, a cotação do boi magro subiu 4,9%, mas a cotação do boi gordo subiu mais, subiu 9,5%. A cotação do milho, por sua vez, subiu 3,4% em Campinas (SP). A relação de troca em outubro esteve em 4,98 sacas por arroba bovina, alta de 40,2% no poder de compra do pecuarista em relação ao período de entrada do primeiro giro.

Dessa forma, no segundo giro, a relação de troca esteve consideravelmente melhor para o pecuarista.

Esses cenários ocorrem diante de uma taxa Selic entre 14,25% e 15,00% ao ano entre os giros, com ativos de renda fixa de baixo risco rendendo até 1,25% ao mês.

Com isso, fica a pergunta: confinar foi atraente em 2025?

A resposta é sim.

No segundo giro, com melhor rentabilidade em relação ao primeiro, mas, em ambos os cenários, com rentabilidades acima da taxa Selic.

Retorno em São Paulo – 1o. giro

Através da simulação de um sistema de engorda em confinamento, com a entrada da boiada no começo de abril, com duração de 106 dias, ganho de peso diário de 1,6 quilo e um rendimento de carcaça de 55,6%, projetamos o resultado da atividade. 

Foi considerada uma diária de R$16,45/cabeça, respeitando o índice de custos de bovinos confinados (ICBC) da Esalq/USP e o preço de aquisição do boi magro em R$4,16 mil por cabeça (Scot Consultoria).

A venda ocorrera em meados de julho. Considerou-se a cotação do boi gordo apurada pela Scot Consultoria para o período. A cotação estava em R$315,00/@, no fechamento da primeira semana de julho.

Confira, na tabela 1, os parâmetros adotados e a estimativa do resultado por bovino confinado no primeiro giro em 2025.

Tabela 1.
Resultado econômico da engorda de bovinos no primeiro giro de confinamento em São Paulo em 2025.

Indicadores de Confinamento Valores
Entrada no cocho 1/4/2025
Peso do boi magro (@) 12,50
Peso do boi magro (kg) 375,00
Preço do boi magro (R$/cabeça) R$ 4.162,69
Preço do boi magro (R$/@) R$ 333,02
   
Custo da diária (R$) R$ 16,45
Ganho de PV diário (kg) 1,6
Dias de cocho 106
   
Custo total R$ 5.906,01
   
Peso de saída (kg) 546,00
Rendimento de carcaça 55,6%
Peso de carcaça (kg) 303,44
Arrobas de carcaça 20,23
Ganho de carcaça (kg) 1,1
   
Custo arroba total R$ 291,95
Arrobas ganhas no cocho 7,73
Custo da arroba engordada R$ 225,54
   
Saída do cocho (90d + 1d) 1/7/2025
Preço da arroba em SP (R$ - B3*) R$ 315,00
Preço de venda por arroba R$ 315,00
Receita (R$) R$ 6.372,27
Lucro/cabeça R$ 466,26
   
Rentabilidade operação (%) 7,9%
Rentabilidade mensal (%) 2,6%

Fonte: Scot Consultoria

Figura 1.
Resultado econômico da engorda de bovinos no primeiro giro de confinamento em São Paulo, em 2023, 2024 e 2025.

Fonte: Scot Consultoria

Em 2025, mesmo com o aumento expressivo dos custos de produção estimamos, para o primeiro ciclo, um lucro de R$466,26 por cabeça. 

Vale ressaltar que os resultados projetados podem ser melhores ou piores, principalmente relacionado à estratégia de aquisição para a reposição e insumos, além do uso de ferramentas de trava de preços, que podem garantir margens melhores, uma vez que os custos de produção estão estabelecidos. 

Em meio a uma atividade de margens apertadas, a gestão dos riscos é fundamental para garantir resultados positivos. 

Os resultados apresentados referem-se ao boi gordo com ágio para exportação. 

A operação, considerando o lucro por cabeça e o custo total da operação, apresentou rentabilidade de 7,9%. Considerando o intervalo de 106 dias, o retorno mensal do investimento, em São Paulo, foi de 2,6% ao mês. 

Considerando que o confinamento é uma atividade de maior risco e o custo oportunidade no Brasil neste momento, vale o investimento? 

O Banco Central elevou, em março, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, de 14,25% ao ano para 15,00% ao ano, patamar que vem sendo mantido até o momento.

Com isso, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa de juros indexadora da maior parte de investimentos em renda fixa no país, passou a 14,15% a.a., ou seja, 1,18% a.m. 

Com um retorno de 1,8% ao mês para o confinamento em São Paulo, os investimentos em renda fixa mais tradicionais precisariam pagar 144,0% do CDI para compensar o retorno da atividade – retorno, neste momento, não disponível em instituições financeiras, com retornos máximos de até 120,0% do CDI (1,4% a.m.). 

Retorno em São Paulo – 2o. giro

Para o segundo giro, também se considerou a simulação de um sistema de engorda em confinamento, com a entrada da boiada no começo de agosto, com duração de 106 dias de confinamento, ganho de peso diário de 1,6 quilo e um rendimento de carcaça de 55,6%, projetamos o resultado da atividade. 

Assim como para o primeiro giro, foi considerada uma diária de R$16,45/cabeça, considerando o índice de custos de bovinos confinados (ICBC) da Esalq/USP e o preço de aquisição do boi magro em R$4,05 mil por cabeça (Scot Consultoria).

A venda ocorrera em meados de outubro. Considerou-se a cotação do boi gordo realizada pela Scot Consultoria para o período. A cotação estava em R$322,00/@, no fechamento da última semana de outubro.

Confira, na tabela 1, os parâmetros adotados e a estimativa do resultado por bovino confinado no segundo giro em 2025.

Tabela 2.
Estimativa de resultado econômico da engorda de bovinos no segundo giro de confinamento em São Paulo em 2025.

Indicadores de Confinamento Valores
Entrada no cocho 01/08/2025
Peso do boi magro (@) 12,50
Peso do boi magro (kg) 375,00
Preço do boi magro (R$/cabeça) R$ 4.050,00
Preço do boi magro (R$/@) R$ 324,00
   
Custo da diária (R$) R$ 16,45
Ganho de PV diário (kg) 1,6
Dias de cocho 106
   
Custo total R$ 5.793,32
   
Peso de saída (kg) 546,00
Rendimento de carcaça 55,6%
Peso de carcaça (kg) 303,44
Arrobas de carcaça 20,23
Ganho de carcaça (kg) 1,1
   
Custo arroba total R$ 286,38
Arrobas ganhas no cocho 7,73
Custo da arroba engordada R$ 225,54
   
Saída do cocho (90d + 1d) 31/10/2025
Preço da arroba em SP (R$ - B3*) R$ 322,00
Diferencial  
Preço de venda por arroba R$ 322,00
Receita (R$) R$ 6.513,87
Lucro/cabeça R$ 720,55
   
Rentabilidade operação (%) 12,4%
Rentabilidade mensal (%) 4,1%

Fonte: Scot Consultoria

Figura 2.
Resultado econômico da engorda de bovinos no segundo giro de confinamento em São Paulo, em 2023, 2024 e 2025.

Fonte: Scot Consultoria

A operação, considerando o lucro por cabeça e o custo total da operação, apresentou rentabilidade de 12,4%. O retorno mensal do investimento, em São Paulo, foi de 4,1% ao mês, bem acima dos rendimentos tradicionais e de renda fixa.

Os resultados apresentados referem-se ao boi gordo com ágio para exportação.

No segundo giro, os resultados confirmam a atratividade do confinamento em todos os anos analisados (figura 2). Mesmo em um ambiente de maior risco e custo de oportunidade elevado, a atividade apresentou rentabilidade superior à observada no primeiro giro.

Mas e em outras regiões?

Também estimamos o retorno para a operação no primeiro e segundo giros em outros estados. 

O preço do boi magro e do boi gordo nas demais praças foi o apurado pela Scot Consultoria. 

Foi considerado o rendimento médio de carcaça apresentado pela pesquisa expedicionária Confina Brasil em 2025, organizada pela Scot Consultoria.

Para os custos, considerou-se os dados da diária coletados pela pesquisa-expedicionária Confina Brasil em setembro de 2025 e a variação do índice de custos de produção de bovinos (ICBC/Esalq/USP).

A partir dessas informações, estimamos as rentabilidades mensais (%) em outros estados.

Figura 3.
Estimativa de retorno mensal (%) para o primeiro giro de confinamento em diferentes estados e comparativo com o retorno de 100,0% do CDI (em laranja).

Fonte: Scot Consultoria

Figura 4.
Estimativa de retorno mensal (%) para o segundo giro de confinamento em diferentes estados e comparativo com o retorno de 100,0% do CDI (em laranja).

Fonte: Scot Consultoria

A partir dos dados apresentados, em ambos os giros, o rendimento foi acima de um retorno de 100,0% do CDI. Isso quer dizer que quem confinou no primeiro e segundo giros tomou uma boa decisão.

O confinamento, portanto, se mostrou uma boa opção frente aos rendimentos apresentados.

Para o pecuarista o sistema de confinamento trata-se de uma oportunidade e ferramenta para otimizar as operações, e um sistema que pode e deve ser considerado – adequando-se, é claro, dentro da realidade da propriedade, seu caixa e do planejamento forrageiro e da atividade, realizado no início do ano.

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