Oferta global recorde e estoques elevados estão pressionando os preços, mas a entressafra doméstica pode sustentar os preços no primeiro semestre.
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Segundo levantamento da Scot Consultoria, no Paraná, na comparação feita mês a mês, a cotação caiu 1,2%, estando em R$1168,39/t. Há um mês, estava em R$1182,32.
No mesmo período de 2024, o cereal estava negociado em R$1406,41 por tonelada. A cotação atual está 16,9% menor do que a cotação há um ano – veja na figura 1.
Figura 1.
Cotação do trigo no Paraná, em R$/t. 
*5A = 5 anos
Fonte: Cepea / Elaborado por Scot Consultoria
A cotação é a menor dos últimos cinco anos.
A ampla oferta mundial tem exercido pressão sobre as cotações, mesmo com uma safra de trigo “mais fraca” no Brasil.
A Conab apresentou em seu relatório de janeiro uma redução da produção em 87,8 mil toneladas na estimativa da safra recém-colhida, totalizando c. 7,9 milhões de toneladas, 0,2% abaixo da produção do ciclo 2024.
Por outro lado, com a divulgação final das exportações brasileiras em 2025 pela Secex, a estimativa de estoques finais foi revisada para 2,2 milhões de toneladas, os maiores estoques dos últimos seis anos.
Na Argentina, a colheita está praticamente finalizada e a produção é a maior da história – 27,8 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário e a Bolsa de Comércio de Buenos Aires.
Segundo o relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), a produção mundial do ciclo 2025/26 está estimada em 842,2 milhões de toneladas. É a maior da história.
Os estoques finais estão estimados em 278,3 milhões – não são os maiores da história, mas são os maiores dos últimos anos.
Ou seja, neste ciclo, a produção mundial aumentou mais do que a demanda. E isso afetou a cotação no Brasil e deve continuar afetando.
Apesar do cenário global amplamente ofertado estar pressionando as cotações, o fator sazonal ganha relevância no primeiro semestre.
Historicamente, os preços tendem a ter maior sustentação no primeiro semestre e partes do segundo, período caracterizado pela entressafra doméstica.
Assim, embora o balanço de oferta e demanda global seja de vetor baixista, a sazonalidade atua, a partir de agora como um contraponto, limitando movimentos mais intensos de queda e abrindo espaço para alguma recuperação pontual ao longo do primeiro semestre.
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