Mais do que bem-estar animal, lona de sombreamento é um insumo estratégico para ter eficiência hídrica, desempenho zootécnico e sustentabilidade nos confinamentos.
Foto por: Scot Consultoria
O Brasil apresenta clima majoritariamente tropical, com intensificação do calor na primavera e no verão, justamente nas regiões que concentram grande parte do rebanho de corte e dos confinamentos.
Nesse cenário, o excesso de calor deixa de ser apenas um fator ambiental e passa a impactar o desempenho produtivo, especialmente em sistemas intensivos, onde o estresse térmico reduz o consumo de alimentos, piora a eficiência alimentar e limita o ganho de peso.
Pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste evidenciam que bovinos com acesso à sombra artificial apresentaram redução média de 3,3 litros no consumo diário de água em comparação com os mantidos em pleno Sol. Esse resultado é relevante quando analisado sob a ótica da eficiência hídrica.
A produtividade hídrica, indicador que relaciona a quantidade de carne produzida ao volume de água utilizado ao longo do ciclo, foi 10,4% maior nos lotes com sombreamento. Em termos práticos, isso significa produzir o mesmo quilo de carne com menos água.
Ainda segundo a pesquisa, bovinos com sombreamento consumiram, em média, 3,3 litros de água a menos por dia. Caso todo o rebanho confinado nacional, à época do estudo em 2019, estivesse sob sombra artificial, a economia estimada seria de 1,5 bilhão de litros de água.
Outro estudo publicado em janeiro de 2023 pela Frontiers, conduzido por pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e África do Sul, demonstrou efeitos consistentes do sombreamento em bovinos confinados.
Bovinos com acesso à sombra apresentaram menor estresse térmico, melhor conversão alimentar e maior ganho de peso médio diário.
Ao final de 137 dias, o peso de carcaça foi, em média, 8,0 kg maior, com ganhos mais expressivos em cruzamentos Angus × Nelore, evidenciando maior benefício para raças menos tolerantes ao calor.
Apesar do consenso técnico quanto aos benefícios do sombreamento, a adoção dessa prática nos confinamentos brasileiros ainda é modesta.
Dados do levantamento Confina Brasil 2025, organizado pela Scot Consultoria, indicam que aproximadamente 74,1% das propriedades avaliadas não possuem cobertura nas baias de engorda. Apenas 7,7% contam com cobertura total e 18,2% utilizam sombreamento parcial (figura 1).
Figura 1.
Distribuição percentual das baias com e sem sombreamento (%).
Fonte: Confina Brasil/Elaborado por Scot Consultoria.
Suponhamos um confinamento com 100 bovinos. A recomendação de sombreamento é de 5,0 m² por animal e nesse sentido demanda cerca de 500 m² de área sombreada. Realizaremos então os cálculos hipotéticos, com base na literatura, sobre este cenário:
Mesmo em um cenário mais conservador de preços, o investimento neste exemplo foi de R$10,5 mil. Esse valor, que engloba insumos e mão de obra, foi integralmente pago ao final do ciclo e ainda resultou em um lucro líquido de R$965,66, equivalente a um ganho adicional de R$9,65 por animal. Nos ciclos seguintes, a rentabilidade tende a ser maior, já que os custos de implantação deixam de existir, restando apenas despesas com manutenção, o que amplia o benefício no longo prazo.
A adoção de sombreamentos em confinamentos deve ser encarada como um investimento que trará eficiência produtiva e economia para o pecuarista.
Os dados científicos sugerem que o sombreamento reduz o estresse térmico, melhora o desempenho zootécnico, otimiza o uso da água e contribui para sistemas mais resilientes às mudanças climáticas, principalmente com gado europeu.
Para o produtor que busca longevidade do negócio, eficiência operacional e alinhamento às exigências do mercado, o sombreamento em confinamento tende a ser uma ferramenta indispensável.
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