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Scot Consultoria

Carta Conjuntura - Peste suína africana chega nas Américas


Quinta-feira, 7 de outubro de 2021 - 11h00

Foto: Scot Consultoria


Introdução


Em 29 de julho, foi registrado um caso de peste suína africana (PSA) na República Dominicana. Recentemente, em 21 de setembro, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou um caso de PSA no Haiti, próximo à cidade de Anse-à-Pitre.


Importante destacar que desde a década de 80 as Américas não eram contaminadas pela enfermidade. A PSA havia sido erradicada após ocorrências no Brasil, Cuba, Haiti e República Dominicana. O Brasil, especificamente, recebeu o status de área livre da doença em 1984.


Frente a esse cenário, podemos questionar quais seriam as consequências da peste suína africana e o que o Brasil tem feito para impedir seu avanço?


Peste suína africana e seu impacto

Em agosto de 2018, a peste suína africana acometeu a China e resultou no abate sanitário de cerca de 200 milhões de suínos, reduzindo o plantel pela metade. Essa medida foi tomada para conter a disseminação da doença, uma vez que não há vacina e nem cura, e apesar de não atingir os humanos, se trata de uma doença altamente letal e contagiosa para os suínos. No final de 2020, novas cepas da enfermidade atingiram novamente a China e outros países, acometendo aproximadamente 25% do rebanho de suínos do Norte do país.


A China é ainda a maior produtora de carne suína do mundo e apesar desse sacrifício todo, a recuperação do plantel está lenta, de modo que após três anos do início dos surtos da doença, o país não reestabeleceu o plantel aos níveis de antes da PSA (figura 1).


Figura 1. Médias anuais do rebanho de suínos chinês (eixo à esquerda, em milhões de cabeças) e da produção de carne suína na China, Estados Unidos e Brasil (eixo à direita, em milhões de toneladas equivalente carcaça).



Fonte: USDA / Elaborado por Scot Consultoria


O agente etiológico da PSA é um vírus da família Asfarviridae. Já foram identificados 23 genótipos diferentes, sendo a maioria deles altamente virulenta e com altas taxas de mortalidade que podem chegar a 100% em sua forma aguda.


Outro motivo de grande preocupação é que a PSA tem potencial para se espalhar rapidamente. A principal via de transmissão do vírus é o contato de suínos infectados e susceptíveis, seja por meio de secreções orais ou nasais, carrapatos, ferimentos ou injeções.


E o que o Brasil tem feito para que a enfermidade não alcance seu rebanho?


Biosseguridade: conceito e importância

A biosseguridade tem por objetivo mitigar os riscos de contaminação de rebanhos e/ou sua disseminação. Medidas gerais e mínimas para uma granja de suínos e recomendadas pela Embrapa podem ser conferidas aqui, mas umas das mais importantes envolvem o controle eficaz do tráfego de animais, alimentos, insumos e visitantes.


Um programa de biosseguridade envolve diversos elos que possuem um sinergismo positivo quando trabalhados de forma correta e em conjunto (figura 2). Quando há uma falha em um dos elos, pode haver comprometimento do programa e risco de uma doença se instalar e/ou se disseminar pelo rebanho.


Figura 2. Componentes que envolvem um programa de biosseguridade.



Fonte: Sesti, 2005


O governo brasileiro intensificou a vigilância em portos e aeroportos após a confirmação da PSA na República Dominicana. Além disso, lançou o Plano Integrado de Vigilância de Doenças de Suínos com o objetivo de identificar precocemente casos de doenças no Brasil.          


O Brasil também possui uma Rede de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (Rede LFDA), em Minas Gerais, reforçando as medidas de vigilância. Reforçando que a doença é de notificação obrigatória aos órgãos oficiais de controle de saúde animal.


A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), também preocupada com esse cenário, atualizou as recomendações de procedimentos de biosseguridade e tem realizado campanhas de conscientização e prevenção da PSA.  


Consideração final

A peste suína africana, que tem o potencial de gerar bilhões de dólares em prejuízos chegou nas Américas e está se propagando.


Portanto, o cenário é de alerta e de reforço das medidas de biosseguridade, para que a doença não chegue ao Brasil.




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